Entrevista

Ana Claudia Cano: paixão e entrega em tudo que faz

Conheça um pouco mais sobre ela - pequena no tamanho mas gigante na personalidade e na atitude

Daniela Galli
12/11/22 às 09h00

“Eu tenho um perfil mais reservado mesmo. Até o meu trabalho é nos bastidores”. Foi com esta frase que Ana Cláudia Cano iniciou a nossa entrevista. E na verdade depois do nosso bate papo, ficamos com a impressão de que ela é exatamente desta forma. O mais difícil é saber a qual dos seus trabalhos ela se refere porque estamos falando de uma pessoa bastante ativa e comprometida com a sua profissão: médica.

No primeiro contato com ela, através de um aplicativo de conversas, percebemos que ela também é prática. Logo marcamos a entrevista. Depois, pessoalmente, mais uma impressão que se confirma.

Ana Cláudia nos recebeu em sua casa em meio a um trabalho e outro. Chegou pontualmente às 10h, horário que tínhamos agendado previamente. Uma mulher de estatura baixa e com ‘o pescoço curto’, ‘típico dos Santana’, como ela mesma explica. Sem brincos. Pouca - ou nenhuma maquiagem. Conversou com a filha Julia, com a funcionária, foi ao banheiro e, enfim, sentamos para conversar. 

Nossa entrevistada é médica intensivista, legista da Polícia Civil de Três Lagoas e técnica administrativa concursada da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Por isso que ela nos disse no começo, que seu trabalho é ficar nos bastidores; apesar de ser médica, ela não atende os pacientes em uma clínica, como pensamos.

“Não me sinto especial em relação a ninguém”

A humildade é forte também. “Ah eu sou um ser humano igual a qualquer pessoa. Não me sinto especial em relação a ninguém, diz ela em resposta à pergunta ‘quem é você’. O orgulho aparece quando ela começa a contar sua história de vida. “Eu tenho uma trajetória de vida da qual eu sinto muita satisfação quando olho para trás e vejo tudo o que eu passei, onde eu cheguei e como foi isso. Se eu estivesse encerrando hoje a minha expedição aqui na terra eu olharia para traz com gratidão”.

Ana nasceu em Nipoã, cidadezinha do interior de São Paulo, que tem pouco mais de dois mil habitantes e fica na região de São José do Rio Preto, há aproximadamente 250 km de Três Lagoas. Seus pais - João de Paula Santana e Sebastiana Siqueira Santana - e sua irmã Paula  moram lá até hoje, ela é quem cuida dos seus pai. “Foi onde passei toda a minha infância e fiquei até os 17 anos, quando saí para estudar”. O seu irmão João Gustavo mora atualmente em Três lagoas, e é seu companheiro do dia a dia.

E por falar em estudar, isso é algo que Ana gosta de fazer desde muito cedo. Ela conta que sempre foi boa aluna e, por isso, sua irmã chamou a atenção de seus pais para que eles a matriculassem em uma escola melhor. Logo ela tentou e conseguiu uma bolsa de estudos em uma escola que ficava em Jose Bonifácio -SP. E foi onde ela permaneceu por quatro anos até prestar vestibular e ser aprovada em medicina na UFMS de Campo Grande.

O caminho, ou a trajetória, como ela disse, até que ingressasse no ensino superior, se deu com muitas dificuldades. O pai tinha um armazém anexo à casa deles em Nipoã. A mãe fazia salgados para abastecer o estabelecimento e para ajudar nas despesas da casa. “Aos sete anos eu ajudava a minha mãe a preparar tudo”.

De volta ao assunto da universidade, ela conta que, antes de medicina pensou em vários outros cursos como arquitetura, engenharia e até artes plásticas. “Eu queria um pouco de tudo. Fui aprovada no vestibular para arquitetura em Londrina-PR e cheguei a cursar alguns dias de engenharia em São Carlos-SP, quando fui chamada em Campo Grande eu decidi ficar por lá”.

A adaptação à nova realidade não foi nada fácil. “Comecei uma luta, um verdadeiro tormento. Uma criança que até então não tinha experiência nenhuma de vida longe dos pais. Tive que trabalhar à noite aos finais de semana, dei aulas de várias disciplinas para poder me manter. Quando cheguei ao terceiro ano, fazia exames médicos em clubes para liberar o acesso dos banhistas à piscina”. Mesmo com a rotina exigente de estudos e aulas, Ana conseguiu trabalhar durante os seis anos do curso.

A saúde mental e a arteterapia

Outra área de sua vida que ela cuida muito bem é de sua saúde mental. Quando ela estava no segundo ano da faculdade, entrou em depressão. “Eu não estava preparada para ficar longe de casa. Eu passei por muitas dificuldades, me sentia muito sozinha”. 
Desde aquela época, Ana faz terapia, “Eu brinco que faz tanto tempo - 22 anos - que já fiz quatro faculdades de psicologia”.

Em 2012 ela passou por outro momento delicado. A depressão havia retornado e, desta vez, acompanhada pela síndrome de burnout. A doença é caracterizada por um quadro de tensão emocional e estresse que são provocados, geralmente, por condições de trabalho desgastantes. “Eu tenho um perfil psicológico muito certinho. Quando comecei a trabalhar com terapia intensiva em Três Lagoas, eu via tudo muito desorganizado. Eu trabalhava muito e entrei em fadiga. Eu entrava na UTI, ouvia o barulho dos monitores e me dava náuseas e vômitos”.

Tanto o acompanhamento, como o tratamento com terapia continuam até hoje. Estudiosa que é, ela revela que buscou estudar mais a fundo na psicologia as razões pelas quais passava por estas dificuldades de forma recorrente. E, durante as sessões, ficou acordado que ela faria a sua ‘criança interior’ vir à tona. 

“Eu me conectei com a minha infância. Trabalhar com as mãos abrindo a massa de argila me remeteu aos salgados que eu ajudava a minha mãe a fazer”

A arte terapia foi a forma que ela encontrou de elaborar tudo o que precisava internamente. Lembra que falamos anteriormente que um dos cursos que ela queria fazer era artes plásticas? Pois é, não demorou muito para a menina que vive dentro dela lançar mão de tinta e tela para produzir quadros e ainda presentear as pessoas ao seu redor.

Logo também veio uma outra paixão: a cerâmica. Ela diz que fez dois cursos para lidar com a argila de forma manual e também com o torno, porém foi na primeira modalidade que ela ‘se encontrou’. “Eu me conectei com a minha infância. Trabalhar com as mãos abrindo a massa de argila me remeteu aos salgados que eu ajudava a minha mãe a fazer”.

Com um ritmo de vida acelerado, já tentou práticas tradicionais de meditação, porém, não se adaptou nessa fase. “Mexendo com a argila eu consigo realmente me desligar do mundo e posso dizer que nesse momento eu medito”. A arte terapia foi a forma que ela encontrou de elaborar tudo o que precisava internamente. Lembra que falamos anteriormente que um dos cursos que ela queria fazer era artes plásticas? Pois é, não demorou muito para a menina que vive dentro dela lançar mão de tinta e tela para produzir quadros e ainda presentear as pessoas ao seu redor.

Logo também veio uma outra paixão: a cerâmica. Ela diz que fez dois cursos para lidar com a argila de forma manual e também com o torno, porém foi na primeira modalidade que ela ‘se encontrou’. “Eu me conectei com a minha infância. Trabalhar com as mãos abrindo a massa de argila me remeteu aos salgados que eu ajudava a minha mãe a fazer”.

Com um ritmo de vida acelerado, já tentou práticas tradicionais de meditação, porém, não se adaptou nessa fase. “Mexendo com a argila eu consigo realmente me desligar do mundo e posso dizer que nesse momento eu medito”.

Leia a matéria completa em nossa edição impressa.

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