Entrevista

A psiquiatria em uma abordagem humanizada

Psiquiatras do Instituto Dalí contam sua experiência de vida e explicam como constroem, em seu dia-a-dia, uma prática gentil de atendimento.

Rara Gente
15/04/24 às 08h00

O casal Eder Caloi Barro e Larissa Ormeneze de Freitas veio para Três Lagoas há sete anos, tendo trabalhado, inicialmente, na saúde pública da cidade. Ela, especialista em dependência química e psiquiatria da infância. Ele, especialista em psiquiatria forense. Ambos formados pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUC-PR, hoje trabalham juntos no Instituto Dalí.

Dalí é uma brincadeira com os nomes dos filhos ‘Davi’ e ‘Alice’ e ao mesmo tempo uma referência ao pintor surrealista que tinha um trabalho único e cheio de personalidade. Assim, o nome da clínica ilustra perfeitamente o entendimento holístico e humanizado da área que os dois profissionais buscam construir em suas carreiras.

Desde a faculdade, Eder e Larissa se interessaram pela psiquiatria e, tanto suas experiências de estágio quanto de residência, foram grandes fatores para perceberem que esse era realmente seu caminho.

Ela conta que, ainda na graduação, estagiou em um hospital que se estruturava em modelo manicomial, o que foi uma experiência assustadora. Ao mesmo tempo, porém, participou do processo de desmonte desse modelo, o que abriu a sua mente para o interesse em promover a autonomia dos pacientes.

Ele fala que sentiu um chamado da área da saúde mental quando, mesmo tendo reservado uma vaga para residência como ortopedista, trabalhar no Exército o fez caminhar de forma decisiva em seu interesse para a psiquiatria.

A vocação do casal para a área da saúde mental é muito clara, ambos têm muito firme em suas falas uma vontade de ajudar seus pacientes e quebrar tabus em sua área de atuação.

Para isso, investem esforços e estudos em uma abordagem humanizada e individualizada da psiquiatria, além do combate aos preconceitos. Seus maiores objetivos são, além de não causar nenhum tipo de mal ao paciente, ajudá-lo a superar o sofrimento mental, enxergando aquele indivíduo e suas necessidades e experiências como um todo. Larissa afirma que uma grande preocupação é em relação aos medicamentos, tão temidos por muitos. Para ela, administrar medicação é um processo muito sério e que deve ser conduzido com muita responsabilidade.

O casal Eder Caloi Barro e Larissa Ormeneze de Freitas, psiquiatras do Instituto Dalí

"NOSSO MAIOR OBJETIVO PROFISSIONAL É, REALMENTE, AJUDAR AS PESSOAS QUE BUSCAM APOIO E ESTÃO EM SOFRIMENTO MENTAL"

“É um aspecto do tratamento que pode e deve variar de pessoa para pessoa. Condições psicológicas, ambientais, genéticas e interações medicamentosas estão entre os fatores que devem ser levados em conta para tratar de forma realmente efetiva e completa. Algumas vezes, a medicação faz toda a diferença e, em outras, ela nem mesmo é necessária”, explica.

Na sua perspectiva, também, existe uma resistência muito grande à psicoterapia. Se, por um lado, existem os que não entendem a importância da medicação, outros dezmandam a solução ‘mais fácil’ para seus sintomas, quando na realidade seria necessário compreender a fundo a situação em que o indivíduo se encontra.

Eder explica que, para o desenvolvimento do tratamento de cada caso, é necessário ainda que seja superado o obstáculo mais básico em relação à saúde mental: a psicofobia, ou seja, o preconceito em relação ao transtorno mental é ainda muito enraizado na sociedade, sendo uma grande preocupação da Associação Brasileira de Psiquiatria, no sentido de combatê-la.

Os profissionais afirmam que esse pensamento impede que a pessoa busque ajuda, ou que a comunidade ofereça suporte quando é dado um diagnóstico. O medo de receber esse estigma acaba sendo um grande empecilho e campanhas atuais, como o Setembro Amarelo, buscam difundir a informação sobre transtornos mentais, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

As pessoas que tem esquizofrenia ou que são autistas, por exemplo, acabam sendo vistas pela família e pela sociedade como não sendo úteis. E, mesmo quando são capazes produtivamente, são enxergadas como problemáticas e difíceis.

Para os psiquiatras, mesmo durante o tratamento, é preciso desmistificar e afirmar que esses julgamentos não são reais e que todo transtorno mental tem um tratamento que torna a pessoa capaz de ter uma vida melhor. “Nosso maior objetivo profissional é realmente ajudar as pessoas que buscam ajuda e estão em sofrimento mental”, afirma o médico.

Essa é a missão dos dois profissionais, de ao mesmo tempo criar uma prática na profissão que dê suporte a cada situação específica que o indivíduo possa estar vivendo, e também de criar um impacto social positivo. Para que a saúde mental seja tratada como algo de extrema importância e seja abordada livre de preconceitos e desinformação.

"TODO TRANSTORNO MENTAL TEM UM TRATAMENTO QUE TORNA A PESSOA CAPAZ DE TER UMA VIDA MELHOR”

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