Saúde e Bem estar

Tudo o que você precisa saber sobre ergogênese para aprimorar sua performance

O que são; para que servem; como utilizá-los e quem deve recorrer a essas ferramentas

Beatriz Rodas
21/05/18 às 10h19

Imagine três grupos de pessoas: um que já ouviu falar sobre “Recursos Ergogênicos”, mas não sabe ao certo o que são; outro, de pessoas que têm uma ideia errônea do que são esses “Recursos” e acabam se posicionando numa opinião preconceituosa sobre o assunto e o terceiro, das que não fazem ideia do que são os “Recursos Ergogênicos”, mas que chegaram aqui curiosos para descobrir. Em vista desses três grupos, buscamos tudo que envolve o assunto para explicar o que são, para que servem, como agem e por que utilizá-los; claro, com respaldo profissional e sanando, de uma vez por todas, quaisquer dúvidas que possam surgir ao longo do assunto.

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O que são?

Recursos Ergogênicos são, a grosso modo, qualquer método utilizado para aprimorar e aumentar o desempenho na prática de atividades físicas e, por consequência, a obtenção de resultados. Apesar de mais comentados no meio da musculação, são aplicados às práticas de endurance – exercícios de resistência, como maratonas, circuitos e corrida – natação, MMA, boxe e até mesmo ballet, além de muitas outras. Esses “Recursos” são subdivididos em cinco categorias: fisiológicos, nutricionais, biomecânicos, psicológicos e farmacológicos. Vamos lhe explicar cada um deles!

Fisiológicos

Os Recursos Ergogênicos Fisiológicos são práticas que submetem os atletas a uma realidade mais rígida dentro do esporte; submete a fisiologia normal do corpo humano – funções e processos químicos das células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos – a altos choques de realidade a fim de gerar mais resistência na prática esportiva. Para ilustrar, um exemplo clássico é a forma como atletas profissionais de natação desenvolvem a capacidade de segurar a respiração por mais tempo e combinar a apneia aos movimentos de nado. Eles passam um tempo em preparação, calculando os segundos e minutos que conseguem ficar debaixo d’água; recorrem a técnicas respiratórias e fonoaudiológicas e submetem o movimento natural de respiração a grandes picos, para melhor desempenho na prática do esporte.

Outro exemplo que pode ajudar a entender ainda melhor o que são os Ergogênicos Fisiológicos é o ar rarefeito. Sim. Imagine o quanto é difícil e cansativo jogar futebol durante 90 minutos, correndo de ponta a ponta no campo. Então, jogadores de futebol em preparação são levados a regiões montanhosas e submetidos a treinos em grandes altitudes e baixa pressão atmosférica - onde o ar é rarefeito. Assim, o corpo passa por um processo chamado Eritropoiese – quando o organismo é obrigado a se adaptar às condições, aumenta a produção de hemácias e adapta suas funções fisiológicas. Assim, quando jogadores “descem” e voltam às menores altitudes - em que vivemos normalmente - possuem alto desempenho em campo devido ao condicionamento que o corpo desenvolveu para se adaptar durante os treinos sob ar rarefeito.

Nutricionais

O nome já diz muito. Quase tudo. Os Recursos Ergogênicos Nutricionais são ferramentas e estratégias alimentares para aprimorar o desempenho e os resultados na prática de esportes. Se, após ler isso, a primeira informação que veio à sua mente foi ‘whey protein’ - xeque-mate! Suplementos alimentares são recursos ergogênicos nutricionais, mas não os representam como um todo. Sabe o café – ou a cafeína – que você toma antes de algum exercício para dar aquela animada? Também é um ergogênico nutricional. Segundo a nutricionista esportiva - Natália Lisboa Dutra - “os recursos ergogênicos nutricionais devem ser inseridos juntamente com uma alimentação balanceada. Lembrando que a dieta é individual - de acordo com as necessidades de cada pessoa”.

Muito sobre a aplicabilidade desses recursos está no objetivo de sua utilização. Alimentos estimulantes e termogênicos – como a canela, o ginseng, o chá verde ou o próprio café;  carboidratos, proteínas, tanto na forma alimentícia quanto na de suplementação -  quando utilizados com o propósito de aumento de força, ganho de massa muscular, melhoria do desempenho, ou qualquer propósito que seja dentro da prática esportiva, passa a ser considerado um recurso ergogênico nutricional. Portanto, não precisa olhar para o bom e velho café e pensar: “nossa, passei a vida toda sem saber o que você é de fato, pretinho!”; afinal, o que determina se uma ferramenta é ou não ergogênica é o objetivo de sua utilização e a sua ação no organismo.

Natália ainda comenta sobre alguns suplementos, entre os mais comuns e utilizados pela nutrição suplementar: “o whey protein - que é a proteína concentrada do soro do leite - possui alto valor biológico, alto teor de aminoácidos essenciais, cálcio, peptídeos e rápida absorção. Ele melhora a síntese proteica muscular esquelética, auxilia na redução de gordura corporal, melhora o desempenho físico, entre inúmeros benefícios; a maltodextrina - fonte energética que retarda a fadiga; a glutamina - utilizada para aumentar a defesa imunológica de atletas e possui ação anticatabólica; além da creatina, do BCAA, entre outros muito bons e frequentemente utilizados”.

Biomecânicos

Já que ficou claro o que são os recursos ergogênicos e seu objetivo de modo geral, nesta terceira categoria é mais fácil entender através de algumas situações que fazem parte da rotina de atividades físicas. O que é um lutador de boxe sem suas luvas? O exercício de agachamento é melhor com ou sem uma cinta lombar? Para uma paciente bariátrica, é ideal o uso de roupas mais largas ou com tecidos de compressão para praticar atividades físicas? Com essas indagações já é possível ter uma noção do que são os ergogênicos biomecânicos.

Eles vão, basicamente, garantir que a execução de quaisquer exercícios seja aprimorada através de ferramentas físicas – biomecânicas – que interferem de maneira positiva nos movimentos corporais. O exemplo mais clássico e presente são as roupas de tecido compressivo utilizadas em mulheres pós-parto e pacientes pós-bariátrica; essas roupas garantem que o tecido adiposo, a pele excessiva e os órgãos - ainda prejudicados pelo sobrepeso - permaneçam em seus devidos lugares e não prejudiquem nem o indivíduo, nem seu organismo.

Psicológicos

Você já assistiu a uma luta de MMA? Se sim, já percebeu que os lutadores entram no octógono totalmente vidrados na luta; em um estado de concentração tão alto que parece que só aquele momento existe para eles. Desligam-se de tudo à sua volta; nem olham para o treinador. É impressionante tamanha concentração. Mas, tudo não passa de uma ferramenta, um recurso ergogênico psicológico, utilizado para aprimorá-lo dentro da luta: a hipnose.

Essa é uma das categorias mais interessantes. Quando se fala em desempenho esportivo, dificilmente as questões emocionais e psicológicas entram como prioridade; ou, nas primeiras alternativas de desempenho. Porém, o psicológico também tem seus recursos ergogênicos a serem explorados e é um grande aliado na performance dos exercícios. Além da hipnose, podemos citar o yoga, a meditação, ferramentas motivacionais, entre inúmeras aliadas do esporte.

Farmacológicos

Por último, mas não menos importante – porém, o mais polêmico. Os Recursos Ergogênicos Farmacológicos – mais conhecidos como “Esteroides Anabolizantes” (AES) - são alvo de inúmeras dúvidas e polêmicas no mundo do esporte, principalmente no fisiculturismo. Para cada dúvida há uma resposta; então... Estamos aqui para trazer essas respostas. É bom adiantar que o uso desse tipo de recurso vai além da hipertrofia em atletas do fisiculturismo; pode ser utilizada como forma terapêutica em casos de anemia, cânceres e atrofias musculares – como em pacientes soropositivos. Ou seja, os anabolizantes são muito mais complexos do que imaginamos.

“Os anabolizantes são substâncias que aumentam a capacidade do corpo de construir e reconstruir tecidos; possuem uma enorme capacidade ergogênica. No esporte, os anabolizantes mais utilizados são os hormônios esteroides sintéticos, que são capazes de potencializar a síntese proteica para ganho de massa muscular. Lembrando que sempre com acompanhamento médico e de acordo com a necessidade individual de cada um” - explica a nutricionista sobre os AES.

Além do uso por atletas e nos casos já citados, os anabolizantes são um impulso para pessoas com dificuldade de evolução – maior objetivo de qualquer recurso ergogênico – como quem pratica musculação há muito tempo e “estacionou”. “Eu tive um paciente, por exemplo, que já tinha mais de 40 anos e, mesmo com treino e alimentação corretos, ele não conseguia resultados significativos. Sabe aquela sensação de se esforçar e ter sempre a mesma visão em frente ao espelho? Então. Aí fizemos o uso de anabolizantes no protocolo e ele conseguiu os resultados que queria; ficou super feliz; viu que não estava dando murro em ponta de faca com o estilo de vida saudável...” - comenta.

Nos casos de pacientes portadores do vírus HIV, por exemplo, que possuem déficit na produção hormonal e baixa imunidade, o uso dos anabolizantes é significativo para a evolução positiva do paciente. Não da forma exibicionista - como muitos na internet e seus influencers - mostram; mas, baseado em um protocolo multifuncional e acompanhamento de especialistas – endocrinologista, nutricionista, educador físico – a fim de conseguir resultados que vão muito além do fortalecimento e hipertrofia muscular. Portanto, na dúvida, é o que a Gente reforça: procure um profissional. Explore o melhor desempenho do seu organismo de maneira individual e com acompanhamento de profissionais. Afinal, se você quer o melhor... Busque o melhor.

Interessou-se pelo assunto? Confira a matéria na íntegra e mais informações construtivas na Edição 81, já nas bancas ou disponível em nossa Banca Digital.
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