Um X vermelho de batom estampado na palma da mão, um botão de pânico num aplicativo de loja online de eletroeletrônicos e até um vídeo fake de automaquiagem que, na prática, orienta a fazer denúncias. Por meio de formas inusitadas como essas, governo, empresas e organizações da sociedade civil se mobilizam para ajudar a mulher a buscar socorro em caso de violência doméstica nesses tempos de pandemia do coronavírus. Isolada dentro de casa e, na maioria das vezes, tendo de conviver com o agressor, um número crescente de brasileiras está sendo vítima de abuso doméstico na quarentena.
Em abril, quando o isolamento social imposto pela pandemia já durava mais de um mês, a quantidade de denúncias de violência contra a mulher recebidas no canal 180 deu um salto: cresceu quase 40% em relação ao mesmo mês de 2019, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH). Em março, com a quarentena começando a partir da última semana do mês, o número de denúncias tinha avançado quase 18% e, em fevereiro, 13,5%, na mesma base de comparação.
Em Três Lagoas, conforme relatórios da equipe do CRAM, desde março, quando foi inaugurado este novo serviço de atendimento no município, são 228 os casos novos de violência.
No período de 17 de março a 24 de julho, 66 mulheres, vítimas de violência, haviam sido atendidas pela equipe do CRAM e o total de atendimentos efetuados pela equipe técnica chegou a 163.
Infelizmente, esses números têm crescido a cada mês, segundo relatórios da equipe do CRAM, ou seja: em março, foram oito novos casos e 17 mulheres atendidas; em abril, 13 novos casos e 20 mulheres atendidas; em maio, houve 12 casos novos e 15 mulheres foram atendidas; em junho, foram 07 as novas ocorrências e 12 mulheres atendidas; e em julho, já foram contabilizados 19 novos casos e 23 mulheres atendidas.
Apesar do maior volume de denúncias, o aumento da violência doméstica escapa das estatísticas dos órgãos de segurança pública. A razão é que, isolada do convívio social, a vítima fica refém do agressor e impedida de fazer um boletim de ocorrência na delegacia.
DENUNCIE
Ligue 180, do MMFDH (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos);
A unidade CRAM de Três Lagoas atende de segunda-feira a sexta-feira, à Rua Joaquim Martins, número 603, Bairro Santos Dumont, fones: (67) 3929-9986 e celular (67) 98427-2978.
Outros serviços públicos que atendem as mulheres em situação de violência são:
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) - (67) 3521-0227 / 3521-9056.