Saúde e Bem estar

Quando a ‘mentira do bem’ vira mitomania?

Algumas vezes o hábito de mentir sai do controle e pode se tornar patológico. Quadros como estes podem ser chamados de mitomania

Daniela Galli
26/11/22 às 09h00

Dizer ao marido que não gastou muito no cartão de crédito, quando na verdade fez um estrago na fatura. Elogiar o novo corte de cabelo de alguém, mesmo que você não tenha achado muito bonito. Falar para a criança que tem um monstro embaixo da cama, sabendo que o local está vazio. São ‘mentiras do bem’ que nos ajudam a viver e conviver com os outros em sociedade.

É muito difícil encontrar uma pessoa que não tenha tido esse comportamento, por mais sincera que ela seja na maior parte do tempo. Entretanto, algumas vezes o hábito de mentir sai do controle e pode se tornar patológico. Quadros como estes podem ser chamados de mitomania.

Como mencionamos anteriormente, mentir faz parte do comportamento humano e, segundo a psicóloga Jaine Ferlete Souza, qualquer um deles pode ser considerado patológico. “Se aquilo de alguma forma atrapalha a vida da pessoa, a partir do momento em que as mentiras, por exemplo, invadem o cotidiano da pessoa, aí sim temos uma patologia que precisa ser tratada”.

Jaine ressalta que é possível identificar quando uma pessoa está mentindo, mesmo que ela não minta de forma compulsiva. Isso acontece porque todo ser humano tem um padrão de comportamento, ou seja, apresenta os mesmos tipos de comportamento em determinadas situações. “Se você conhece bem uma pessoa, vai conseguir identificar como ela se comporta quando fala a verdade ou se ela mente. Há algumas técnicas que facilitam sim esta identificação, porém elas são restritas aos profissionais de psicologia”.

Consequências

Os prejuízos para quem mente compulsivamente podem extrapolar diversas esferas da vida de uma pessoa, uma vez que a mentira vai estar presente em todas elas: profissional, pessoal e familair. “Como o comportamento é recorrente, quem está ao redor passa a não confiar mais na pessoa. Isso faz com que relações - amizade, afeto, trabalho - sejam rompidas”.

Além disso, os mentirosos podem enfrentar complicações com a justiça, pois, em alguns casos que envolvem documentações falsificadas ou ainda a aplicação de golpes, os mentirosos podem ser acusados de estelionato.

Tratamento

Nem tudo está perdido porque a mitomania tem tratamento. Jaine revela que é preciso buscar auxílio psiquiátrico e também psicológico. O psiquiatra vai administrar um medicamento específico para conter a compulsão, ou ainda outros males associados. O profissional de psicologia vai investigar as causas deste comportamento e vai trabalhar com o paciente, através da terapia, a mudança de hábitos. 

Mentirosos famosos

11 DE SETEMBRO – Tania Head seria a mais famosa sobrevivente aos atentados do dia 11 de setembro de 2001. A história dela comoveu o mundo inteiro durante anos. Afinal ela supostamente fugiu do 78º andar da torre sul enquanto seu noivo, David, morria na torre norte.

Tania deu palestras, entrevistas, foi personagem de documentários, foi até às cerimônias oficiais e ficou ao lado de governadores e figuras públicas. Seus relatos eram consistentes e cheios de detalhes.

Mas ela, na verdade, nunca existiu. Tratava-se de uma espanhola chamada Alicia Esteves Head que nem sequer estava em Nova Iorque quando o atentado aconteceu. Mesmo assim ela conseguiu manter a mentira durante cinco anos.

NO BRASIL – Marcelo Nascimento da Rocha é considerado o maior mentiroso do Brasil e sua biografia já rendeu até livro e filme. Ele foi destaque em jornais, programas de televisão, relacionou-se com modelos e atrizes conhecidas. Rocha já se passou por co-fundador da Gol e ainda por guitarrista do Engenheiros do Havaí.

ANNA SOROKIN – Ela ficou famosa recentemente, depois que o seriado ‘Inventando Anna’ foi lançado pela Netflix em 2021. Anna se fez passar por uma herdeira alemã e dizia ter uma fortuna de 60 milhões de dólares.

Ela conseguiu, durante um tempo, enganar toda a elite norte americana. Seus golpes incluem hotéis, bancos, amigos e o montante fraudado soma algumas centenas de milhares de dólares. Anna foi presa em 2019, foi liberada por bom comportamento, depois foi presa pela imigração e atualmente foi acusada de um outro golpe, desta vez envolvendo uma exposição de arte em Nova Iorque.

SHIMON HAYUT – O ‘Golpista do Tinder’, com o nome de Simon Leviev, roubou e enganou diversas mulheres sempre com a mesma estratégia, usada em golpes que foram aplicados em todas elas. 

“Se você conhece bem uma pessoa, vai conseguir identificar como ela se comporta quando fala a verdade ou se ela mente”

Através do aplicativo de encontros, ele conhecia suas vítimas e as seduzia dizendo que era um empresário do petróleo muito rico. No documentário que está disponível na Netflix é possível vê-lo com carros, roupas e acessórios de luxo, hotéis luxuosos e até com segurança particular. Só de uma das mulheres que enganou ele conseguiu tirar 200 mil dólares.

Hayut era procurado em Israel, Suécia, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca e Noruega. Ele foi preso em 2019 usando um passaporte falso. Foi condenado a 15 meses de prisão, cumpriu apenas cinco e foi solto por bom comportamento.

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