Saúde e Bem estar

Medo de ser feliz pode ser uma síndrome, veja o por quê

Psicólogo Alex Sampaio fala sobre a 'aversão a felicidade'.

Bruna Taiski
12/08/20 às 08h00
Reprodução

Seria possível haver no mundo alguém com medo de ser feliz? Pessoas em que a ideia de sentir prazer, alegria e contentamento provoque ansiedade e desencadeie respostas físicas de aversão? Acredite, trata-se de uma fobia real.


Quem tem querofobia normalmente sente medo de ser feliz porque experimentou, no passado, alguma situação traumática que veio logo depois de um momento de felicidade. De acordo com o psicólogo, pode ter origens em punições durante a infância, em conflitos com alguma pessoa querida ou numa má experiência associada a um fato particular.


A pessoa acaba acreditando que existe uma relação de causa-consequência entre essas experiências, e evita a qualquer custo aquelas atividades ou situações que sabe que provocarão felicidade.

“Podemos relacionar a querofobia à seguinte situação: O filho queria muito ter um carro. O pai lutou, trabalhou e conseguiu dar este carro para ele, em seguida, o pai morreu. O cérebro pode associar essa extrema felicidade em cima de um objeto, na perda do pai. Ele passará a ter momentos de não prazer em situações que deveriam ser de felicidade”.


As pessoas que têm medo de ser felizes dificilmente expressam esse sentimento. Em muitos casos, sequer têm consciência de que estão sofrendo de querofobia. “Isso é comum em pequenas intensidades, elas não percebem que não estão se permitindo realmente viver felicidades, elas fogem”.

Sintomas

- Ansiedade e necessidade de "escapar" de determinados lugares ou situações;
- Dores de cabeça e estômago;
- Não querer participar de atividades "divertidas";
- Acreditar que se sentir feliz significa que algo ruim acontecerá;
- Pensar que a felicidade é algo que desperta o pior de você;
- Acreditar que demonstrar felicidade é algo negativo, não só para a pessoa como para seus entes queridos;
- Considerar que tentar ser feliz é uma perda de tempo.

Tratamento

Segundo o psicólogo, como a querofobia está ligada a situações do passado que continuam tendo impacto no presente, o primeiro passo é descobrir as causas e ser capaz de trabalhá-las. Nesse sentido, a psicoterapia é o recurso mais indicado.


Ela terá a oportunidade de aprofundar o conhecimento que tem sobre si mesma, sobre suas ações e comportamentos, tanto os conscientes como os inconscientes. Através desse processo de autoconhencimento, será possível ir reconstruindo aos poucos essa associação errônea entre felicidade e tragédia iminente.


O segundo passo é realizar técnicas de relaxamento para lidar com os sintomas e a mente agitada. E o terceiro passo é criar escalas de prazer, começar com o mais simples e ir desconstruindo essas associações negativas.


“Comece com aquele pequeno prazer como tomar um café, será uma fonte de prazer, você irá vivenciar aquele momento e ver que não aconteceu nada demais, que não aconteceu nenhuma ‘praga’, nada ruim. Depois vá aumentando essa escala, com um passeio uma viagem por exemplo”.

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