Saúde e Bem estar

Derivado da maconha traz esperança para criança com crise convulsiva em TL

Vitórias judiciais e pesquisa de remédio nacional da planta aumentam a esperança de uma mãe três-lagoense.

Redação
10/06/21 às 07h40

Quando falamos em tratamento com Canabidiol parece algo distante da nossa realidade. Mas no dia 24 setembro de 2020, pela primeira vez em Três Lagoas uma mãe - Camila Cavali - consegue judicialmente que a União pague o tratamento para o seu filho de seis anos, o pequeno Samuel.

 “Começamos em setembro de 2019, encaminhamos os documentos para solicitar a liberação da Anvisa. Logo, a importação do medicamento foi autorizada”.

O medicamento Purodiol 200 - 6000mg de CBD - ZERO THC em 30ml (8ml por dia) custa mensalmente o valor de R$ 6.976, incluindo o frete, uma vez que o medicamento é importado.

“Em julho de 2020 ao procurar a responsável da Saúde para saber se havia alguma resposta, ela me informou que com a pandemia tudo havia parado e que iria demorar muito para importar o medicamento. No meio de agosto a assessora do Defensor Público me ligou informando que o juiz havia indeferido o pedido e que deveria ser feito pela Justiça Federal, ela disse que iria encaminhar o processo”.

Depois de muitas ligações, idas e vindas, no dia 25 de Setembro Camila recebeu a resposta tão esperada, onde a Justiça Federal obrigou a União a ceder o medicamento com urgência para Samuel. No entanto, após cinco meses da decisão, a criança ainda não recebeu o remédio.

PEQUENO SAMUEL

Samuel nasceu dia 23 de novembro de 2014, às 12h55, com 3,068 kg e 49 cm, um parto sem nenhuma complicação. Dois anos depois, no dia 15 de julho de 2016 a luta de Camila e de seu filho começou. 

Em uma manhã, enquanto assistia TV, Camila percebeu que Samuel estava começando a ficar febril, dois dias antes o menino havia apresentado sintomas de gripe, no entanto, foi medicado e para ela tudo estava bem. 

“Dei Paracetamol as seis da manhã para a febre e ele pegou no sono. Às 9h olhei para ele na cama e vi ele com os olhos fixados para mim, chamei, mas ele não me respondia, estava babando, respirando fundo e queimando de febre. Chamei meu marido e falei que o Samuel estava convulsionando, levamos ele imediatamente para a Unidade de Pronto Atendimento - UPA”. 

“Na UPA, não conseguiam parar a convulsão. Logo, ele foi encaminhado ao Hospital Auxiliadora, e por volta das 16h nos informaram que o Samuel seria encaminhado para o Hospital Regional em Campo Grande”.

No dia 20, ainda no hospital da capital, ele começou a perder o movimento do braço esquerdo, o pai que o acompanhava, chamou os médicos que iniciaram o coma induzido. Com os exames em mãos o caso foi confirmado: Meningoencefalite.

“O Samuel estava nas mãos de Deus, pois 90% dos casos são mortais, 9% que sobrevivem ficam com sequelas para o resto da vida e, 1% pode voltar a ter uma vida normal. Fomos fortes e a partir daí começamos com incentivos em casa e os tratamentos com fisioterapia e fonoaudióloga. Ele começou também acompanhamento com a neuropediatra, pediatra, otorrino e ortopedista, também teve acompanhamento com nutricionista e dentista. Nesse tempo ele foi internado quatro vezes por convulsão febril e uma vez por convulsão sem febre”.

PORQUE O CANABIDIOL?

Quando tinha 4 anos, dois anos depois do diagnóstico, Samuel começou a ser acompanhado pela neuropediatra doutora Letícia Yanasse Trajano dos Santos.

“O Samuel já fez uso de várias medicações sem melhora no quadro clínico e mantém crises convulsivas diárias, mesmo usando anticonvulsivante. Com a medicação e controle das crises convulsivas poderá ter uma tranquilidade com relação as quedas por crises, para uma possível melhora do desenvolvimento neuropsicomotor”, nos explicou a médica.

A situação das quedas com as convulsões é tão séria que desde o início do ano Samuel usa capacete. Ele não é o primeiro paciente que a neuropediatra trata com Canabidiol, sendo que na cidade de Andradina - SP, há duas crianças acompanhadas e com bons resultados.

“As pesquisas continuam nos grandes centros do mundo e já existem algumas doenças com comprovação científica de melhora, como epilepsias refratárias. O Brasil tem uma contribuição pequena, mas não menos importante, em pesquisas com o Canabidiol”, explicou a doutora Letícia, que complemetou:

 “O preconceito vem da origem da medicação. O Canabidiol é extraído da planta Cannabis Sativa, e que é diferente da Cannabis Índigo, sendo que esta última espécie cresce apenas em campos muito grandes e em média atinge dois metros de altura. Na ponta de cima da planta, existe maior concentração de Canabinoides - substância usada na fabricação do Canabidiol - e baixa concentração de THC, que é a parte tóxica da planta e que causa vício. O Canabidiol industrial permitido para ser usado no Brasil tem no máximo 0,3% de concentração de THC, mas em crianças, como no caso do Samuel, é apenas permitido zero THC. O canabidiol dele é puro”.

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