A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (26/10), a atualização da posologia do Implanon NXT, implante contraceptivo de etonogestrel. A decisão traz duas mudanças importantes: a ampliação do período de eficácia contraceptiva de três para cinco anos de uso contínuo do mesmo implante e a possibilidade de inserção imediatamente após o parto e após o aborto.
A aprovação representa um avanço significativo no acesso à contracepção de longa duração no Brasil, reduzindo a necessidade de procedimentos adicionais de troca do implante e ampliando as opções para mulheres que desejam evitar gestações não planejadas.
Eficácia ampliada para cinco anos
Com a decisão, uma única inserção do implante subdérmico passa a proporcionar proteção contraceptiva por até cinco anos, em vez dos três anos anteriormente aprovados.
A aprovação foi baseada em dados clínicos que demonstraram a manutenção da eficácia contraceptiva e um perfil de segurança favorável durante o quarto e o quinto anos de uso.
No principal estudo apresentado à Anvisa, não foram observadas gestações durante o período estendido de utilização do implante, corroborando a manutenção da proteção contraceptiva até cinco anos após a inserção.
Por que isso importa:
A ampliação reduz o número de procedimentos de troca, diminui custos e facilita a vida de quem usa o método — especialmente em um país onde o acesso a consultas e procedimentos médicos ainda é um desafio para muitas mulheres.
A medida acompanha uma tendência internacional. O implante de etonogestrel já teve sua duração de uso ampliada para cinco anos por autoridades regulatórias de outros países, incluindo Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.
Inserção imediata após o parto
A Anvisa também aprovou a possibilidade de inserção do implante contraceptivo imediatamente após o parto e imediatamente após o aborto, incluindo abortos de primeiro e segundo trimestres.
A medida pode ampliar o acesso ao método e reduzir o risco de gestações não planejadas decorrentes da perda de seguimento após a alta hospitalar — ou seja, quando a mulher não retorna ao serviço de saúde para a inserção posterior.
A avaliação considerou evidências científicas e dados de farmacovigilância analisados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que concluíram pela manutenção de um balanço benefício-risco favorável para essa nova condição de uso.
O etonogestrel é um hormônio sintético da classe dos progestagênios. Ele atua principalmente de duas formas:
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Inibindo a ovulação —
impede que o óvulo seja liberado pelos ovários
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Tornando o muco cervical mais espesso —
dificultando a passagem dos espermatozoides
Quando administrado por meio de implante subdérmico (inserido sob a pele, geralmente na parte interna do braço), o hormônio é liberado continuamente no organismo, proporcionando contracepção eficaz por período prolongado.
O método é considerado de longa duração e reversível, ou seja, a mulher pode engravidar assim que o implante for removido.