Com três semanas de programa, o BBB21 tem mostrado uma surra de humilhação e atitudes controversas de alguns participantes. Nas redes sociais, telespectadores e internautas acusam o reality da Globo de dar um show de tortura psicológica. A questão é: a edição atual é mais tóxica do que a anterior?
Com a promessa de proporcionar o maior Big Brother Brasil de todos os tempos e a missão de superar o sucesso da edição anterior, J.B. Oliveira, o Boninho, escalou diversas celebridades e militantes negros para seu elenco. Entretanto, houve o "cancelamento" entre os participantes.
Em 2020, a possibilidade de participar da primeira edição com celebridades do esporte, da TV e da internet atraiu o interesse de famosos com milhões de seguidores nas redes sociais. Sem medo de jogar, eles protagonizaram uma verdadeira guerra dos sexos na casa durante as primeiras semanas, o que também ajudou a engajar a audiência.
Já na temporada atual, os anônimos e famosos que entraram na casa mais vigiada do Brasil chegaram se baseando em tudo o que aconteceu no BBB20 e, no lugar da espontaneidade, entrou o discurso pronto para evitar polêmicas e bastante descompensação emocional.
Se no ano passado o que colocou fogo no reality foi o plano dos homens da casa de fazer as duas participantes comprometidas traírem seus então companheiros na vida real e, consequentemente, perderem a moral com o público, neste ano, aquilo que tem ficado no centro da discussão é "quem milita certo", "quem é negro de verdade", a "lacração" e o "cancelamento".
Conforme a socióloga Marília Mosch, não é de se espantar que mulheres reforcem o machismo, ou que pessoas negras reforcem o racismo, ou que pessoas mais pobres defendam os interesses de pessoas mais ricas, e daí em diante. “Como militantes, porém, temos duas formas de lidar com essa situação”.
“A primeira forma é um tanto contraditória, mas extremamente popular entre militantes de diversas causas, infelizmente. Frustrados com essa contradição gerada pelos próprios sistemas de opressão, muitos de nós acabam descontando a frustração nas pessoas que, em tese, estaríamos defendendo”
“Há algumas semanas, várias companheiras feministas compartilharam no Facebook uma imagem que apontava alguns motivos pelos quais as mulheres deveriam reconhecer o feminismo. No fim da imagem, um pequeno asterisco estragava todo o propósito de militância, com os seguintes dizeres: “Mas se você prefere continuar lavando louça, provavelmente você deve ser mais útil na cozinha. Então fique lá, enquanto outras lutam por você. Não precisa expor sua ignorância para toda a rede””.
Ainda para a socióloga, no caso do BBB, há militantes que sentem-se de alguma maneira superiores porque conseguem enxergar além do véu da ideologia dominante. “Esse ar de superioridade faz com que ele ou ela sinta-se no direito de falar por grupos dos quais muitas vezes ele/ela não fazem parte e, muito pior que isso, excluir as próprias pessoas em situação de opressão da luta contra essa opressão. Acham-se no direito de determinar que sua luta “serve” apenas para algumas pessoas – aquelas iluminadas como ele/a, que enxergam os mesmos grilhões. Que raio de militância é essa?”
Veja alguns tweets sobre o caso:
