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Beijo de Karol e Bil: homens podem sofrer assédio de mulheres?

Cientista comportamental também analisa o tão comentado beijo que aconteceu no BBB 21. Afinal, foi assédio ou não?

Bruna Taiski
05/02/21 às 09h01
BBB 21: Arcrebiano e Karol Conká dão selinho na festa.

A última festa do "BBB 21" trouxe a cena em que a rapper Karol Conká insistiu para dar um selinho em Arcrebiano, que evitava e dizia que não. No fim da festa, ambos se beijaram e foram dormir juntos. Fora da casa e no plano da internet, alguns telespectadores disseram que Karol assediou Bil, uma vez que repetiu o comportamento mesmo ele dizendo não.

O cientista comportamental Ricardo Ventura fez uma análise, em seu canal Não Minta pra Mim, sobre o tão comentado beijo que rolou entre a cantora Karol Conká e o modelo. 

 “Ele fez de tudo para sair desse contato. Quando você se esquiva, se coloca para trás ou coloca objetos entre você e a outra pessoa, é um sinal de desconforto e desejo de sair da situação”, averiguou. Ventura frisou que Bill ria das falas e investidas de Conká, o que é um claro sinal de não saber como agir ou o que falar.

“Ele [Arcrebiano] parecia um João Bobão. Tirava a mão dela o tempo todo, fechava a mão e tentava mudar de assunto”, completou.

Ao analisar a puxada no pescoço que Bill Araújo sofreu por parte de Conká, Ricardo afirma que o brother não queria em momento algum que isso acontecesse. “Ele deu um selinho, mas demonstrou estar confuso e assustado. O sorriso dele é amarelo e mostra decepção. Quando ela percebeu que todo mundo estava gritando por causa do beijo, a Karol faz um sinal de não para ele, o empurra e ainda finge que ele é quem queria ter beijado”, pontuou.

Homens sofrem assédio?

Segundo o Senado Federal, assédio é uma conduta repetida que expõe a outra pessoa a um constrangimento. O assédio sexual, por lei, só é caraterizado quando há uma diferença hierárquica entre a vítima e o agressor.

O artigo 216 do Código Penal não específica os gêneros e se refere ao ato de "constranger alguém", bem como o artigo 215 sobre importunação sexual. Isso abre a interpretação de que a discussão — se foi ou não — não se limita às mulheres. 

Quando são alvo de assédio sexual, os homens são mais passivos do que as mulheres: não sabem como reagir e muitos deles preferem fingir que não aconteceu nada.

 Esta é uma das conclusões de um estudo sobre assédio sexual e moral apresentado e desenvolvido por uma equipe do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa.

 E embora seja verdade que o assédio sexual – e também o moral  – continua a atingir mais a elas do que a eles, ao longo dos anos muitas mulheres aprenderam a denunciar publicamente o que lhes sucede, o que não acontece com a maioria dos homens, que acaba por se remeter ao silêncio.

As mulheres são mais expressivas do que eles: 52% mostra imediatamente o seu desagrado com a situação, enquanto apenas 31% dos homens o faz. 

Eles não admitem

A pesquisa ainda diz que para os homens, admitir que são vítimas de assédio “pode ser entendido como manifestação de fraqueza afetando a sua masculinidade e mesmo a sua sexualidade”, tanto que em 35,4% dos casos são vítimas de outro homens. 

As mulheres sabem dizer muito bem por que razões foram atacadas, por atos, por gestos ou por palavras: “Porque certas pessoas não respeitam as outras”, responderam 58% das inquiridas e também 37,5% dos homens.

No entanto, mais de 31% dos entrevistados do sexo masculino não foram capazes de explicar por que lhes sucedeu isto, e 25% não  contaram nem à família nem aos amigos. “Os homens mais frequentemente do que as mulheres optam por ficar em silêncio e não falar com ninguém acerca do assédio sexual de que foram alvo”.

Chegam a responsabilizar-se a si próprios: “Racionalizam o episódio remetendo para o seu aspecto físico e para a sua simpatia – ocorreu por serem simpáticos e bonitos – retirando mais do agente de assédio a sua responsabilidade do que as mulheres.

Bil foi assediado por Karol?

Segundo a advogada Melissa Pescarini, em entrevista ao UOL, o ponto em que uma investida passa do ponto é quando uma pessoa diz que não quer se relacionar com a outra. "O limite é a demonstração de um não. Basta o assediado demonstrar que não quer ou não deseja", afirma.

Na percepção da advogada Jéssica Silva de Oliveira, é preciso distinguir o crime de assédio — que necessita de uma hierarquia — da importunação — que é configurada por ato libidinoso, sem o consentimento da vítima, para se satisfazer.

A tipificação dos crimes de assédio e importunação não faz menção a gênero, podendo homens e mulheres serem autores do fato ou vítimas. Na dúvida, o limite da investida, seja homem ou mulher, é o consentimento, desde que a pessoa não seja coagida a consentir.

Para ela, Karol pode ter importunado Arcrebiano no reality. "Entendo que dentro dinâmica do jogo, a conduta dela seria de importunação, uma vez que fica caracterizado que ele deu consentimento mediante coação, e não assédio", opina. 

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