Entrevista

Sexta-feira 13: Dia comum ou possui energias estranhas?

A data é popularmente conhecida como o dia do azar, mas será que é mesmo um dia de má sorte? A taróloga Lunna, nos contou tudo sobre os mistérios que cercam o dia

Thais Dias  - Rara Gente
13/08/21 às 07h13

A data que carrega um misticismo a milênios pode ocorrer em qualquer mês e em qualquer ano, várias histórias e lendas são contadas para tentar justificar o surgimento desta fama. 

Para alguns nada mais é que um dia comum, para outros o dia é marcado por “maus agouros” e acontecimentos negativos. Para entender um pouco mais sobre a magia que cerca este dia entrevistamos a taróloga Lunna que nos contou algumas curiosidades. 

Os mistérios que rondam a sexta-feira 13 remontam a Idade Média Ocidental. Com o advento do cristianismo na Europa, por volta do século XI, as religiosidades pagãs dos germânicos foram envoltas por superstições a fim de incutir nas pessoas o imaginário católico como forma de dominação social.

O NÚMERO 13 NA MITOLOGIA NÓRDICA 

Os germânicos convertidos tinham que abdicar do culto às suas divindades, principalmente às deusas femininas. A principal delas Freya ou Frigga, deusa da fertilidade. Os cristãos espalhavam a ideia de Freya queria se vingar dos mesmos devido à conversão ao cristianismo.  Em razão dessa "vingança" diziam que Freya, o diabo e mais 11 mulheres se reuniam para rituais que amaldiçoariam os cristãos.  

Disso vem a associação negativa que fizeram da imagem da "bruxa" e do "gato preto", animal preferido da bruxaria segundo os processos inquisitoriais, onde mulheres eram forçadas a dar falso testemunho de bruxaria, a fim de sacramentar a moral cristã da época. 

Daí também vem a superstição sobre o dia da semana. Em inglês, a sexta-feira é "friday", nomenclatura que se refere a Freya, a Deusa pagã.

RELAÇÃO COM A BIBLIA 

Essas interpretações se devem também à falta de leitura simbólica dos textos bíblicos, gerando preconceitos que perduram no imaginário social até hoje. No livro do Apocalipse, o número 13 seria a marca da "besta". Essa ideia negativa se deve ao fato de que, segundo algumas interpretações, a Última Ceia aconteceu numa quinta-feira onde participavam Jesus e os 12 apóstolos, 13 pessoas portanto, mas entre eles estava um traidor: Judas. Dessa forma, o número 12 é reverenciado, enquanto que o 13 tido como número do anticristo. A Bíblia menciona ainda as 12 tribos de Israel, que comprovam essa análise. Ainda acerca do dia da semana dizem que Adão e Eva comeram do fruto proibido numa sexta. Mesmo dia em que Caim matou Abel.

A taróloga Lunna, conta de onde surgiu as supertições da sexta-feira 13 (Foto:Arquivo Pessoal)

O TAROT E A SEXTA-FEIRA 13

Numa outra associação, as pessoas temem o arcano 13 do Tarot: a morte. Mas devo dizer que a leitura do tarot é simbólica e que a morte se refere a transformações que passamos em determinados momentos da vida. Como um rito de passagem, deixamos morrer falsas crenças, paradigmas e visões de mundo ultrapassadas. Assim como passamos por vários ritos de passagem para uma vida nova. Nesse sentido, morrer e renascer fazem parte da vida.

Aproveitando o arcano 13 do tarot, a Morte nos ensina a não ver a Sexta-feira 13 como dia de mal presságio, dia em que recorrentemente dizem que "a bruxa está à solta" e sim, de transformação e atração de boas novas. Podemos começar mudando nossas crenças sobre a própria data, uma vez que já temos conhecimento histórico e simbólico suficientes para não perpetuar preconceitos e misoginia. Por isso, não maltratem os gatos pretos! E deixem as bruxas em paz.

MAS ENFIM, NADA QUE UM BANHO NÃO RESOLVA

“Para os supersticiosos, sugiro na sexta-feira 13 rituais simples para atrair coisas boas, usando alecrim ou louro. O banho de uma dessas ervas é ótimo para manter a positividade. Principalmente o alecrim, que eu chamo de “erva da alegria". Se você estiver tristinho, se quer ter boas notícias: banho de alecrim. Se é de dinheiro e abundância financeira que precisa, banho de louro. Você também pode queimar folhas de louro, para o mesmo fim. Uma ótima sexta 13 de transformações a todas e todos. Beijos de lavanda”, finalizou Lunna.

O filme Sexta-feira 13, um dos clássicos do cinema (Foto:Reprodução)

A TRADIÇÃO DOS FILMES DE TERROR  

Quem nunca assistiu, ou pelo menos ouviu falar da série de filmes de terror Sexta Feira 13 que teve o seu início na década de 80.

O filme tem como figura principal Jason Voorhees, um implacável serial killer que usa uma máscara de jogador de hockey amaldiçoada.

A franquia de filmes inspirou muitos outras, como é o caso da produtora, Larissa Anzoategui, de Campo Grande MS, ela conta de onde surgiu o amor por filmes de terror. 

“Eu comecei minha produção no meu trabalho de conclusão de curso de Artes Visuais, na UFMS. Minha pesquisa foi sobre filmes trash e eu também tinha que entregar uma obra, assim nasceu uma maluquice chamada Zumbis do Espaço de Lá. A verdade é que eu tinha vontade de fazer filmes há muito tempo, uma vontade que cresceu depois que assisti Toxic Avenger do Lloyd Kaufman - um filme feito de forma bem independente que é maravilhoso. 

Hoje eu sou casada com o cara que me apresentou este clássico. Cresci em uma casa em que todo mundo ama cinema: meus pais, meus irmãos, principalmente meu irmão e foi ele quem me apresentou aos filmes de terror que na nossa infância bombardeavam as prateleiras das locadoras Boa parte das minhas principais inspirações vêm desse período de formação, são produções dos anos 80 que muitas vezes estavam mais preocupadas em divertir do que em assustar ou chocar. Alguns cineastas que me influenciam: David DeCoteau, Brian Yuzna, Stuart Gordon, John Carpenter, Charles Band, José Mojica Marins, Lloyd Kaufman, Jess Franco e Jean Rollin”.

Larissa contou um pouco como é processo da produção dos longas, “Produzir filmes do gênero horror é divertidíssimo, ainda que trabalhoso como qualquer produção de audiovisual. Na verdade, a maioria dos bons filmes de terror são feitos com baixo orçamento, então a equipe tem que se desdobrar, todo mundo acumula funções o que no final das contas deve resultar em equipes mais cansadas se comparar com as que tem mais grana. Mas são essas equipes que formam os times mais respeitosos, amorosos e compromissados com o resultado final. 

Faço filmes de terror despretensiosos. Filmes para divertir, filmes para sentir. Antes o foco era o terror e a diversão, agora eu estou em um caminho meio de experimentação. Gravei dois longas que não têm diálogo. Um deles, Domina Nocturna, foi lançado no final do ano passado e está sendo exibidos em festivais”.

Larissa afirma que sua marca registrada é gelatinas coloridas (acessório para projetar luz colorida) e a nudez.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM ENTREVISTA
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.