Bronnie Ware, uma enfermeira australiana que cuidava de pacientes em seus últimos meses de vida, escreveu um livro com os 5 arrependimentos mais comuns antes das pessoas morrerem, o nome do livro é Top Cinco: Arrependimentos Daqueles que Estão Para Morrer (The Top Five Regrets of the Dying, em inglês).
No livro, a enfermeira conta que os pacientes ganharam uma clareza de pensamento incrível no fim de suas vidas, a psicóloga Janaina Catolino explica o porquê desta clareza.
Enfermeira escreve livro após passar meses cuidando de pacientes terminais. A psicóloga três-lagoenses, Janaina Catolino explica o porque nos arrependemos.
“Desde muito pequenos nós somos condicionados a ser os melhores, a tirar as melhores notas, a ter o melhor comportamento e crescemos com essa ideia de que precisamos conquistar, ter e acumular bens. Em contrapartida, não somos educados a voltar nossos olhos a nós mesmos, para nossa vida, inclusive sobre a nossa finitude.
Nós sempre achamos que teremos tempo e acaba que jogamos nossa suposta felicidade para o próximo fim de semana, para daqui há 10 anos quando a aposentadoria chegar, para o próximo mês e nos esquecemos que o amanhã pode não chegar. Passamos grande parte da nossa vida tentando preencher expectativas que não são nossas e com isso nossos planos são deixados de lado, corremos em busca de uma felicidade idealizada e muitas vezes utópica sendo que a felicidade real está ao nosso lado diariamente nas pequenas coisas que não conseguimos enxergar, deixamos de falar, fazer ou sentir coisas por considerarmos uma fraqueza ou pelo medo do que vão pensar, queremos ter controle de tudo quando muitas vezes só precisamos deixar fluir.
Quando pensamos sobre nossa morte, inevitavelmente fazemos um balanço e a primeira pergunta que vem em mente é: ‘O que eu fiz da minha vida até aqui?’ E é nesse momento que nos deparamos com a dura realidade que o tempo é algo que não volta e que muitas das nossas escolhas não estavam em consonância com aquilo que desejávamos. Nós precisamos aprender a ser o mais fiel possível ao que sentimentos e ao que escolhemos, pois as vezes, pode ser muito tarde para perceber que nossa vida foi desperdiçada. Se a gente tivesse consciência de que nosso fim se aproxima, todos os dias seriam aproveitados como se fossem o último. Porque realmente pode ser.”
Confira os principais desejos que segundo a autora do livro mais aparecem:
“Gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim” —
Este foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás, percebem claramente que muitos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem metade de seus sonhos e morreram sabendo que isso aconteceu por causa de escolhas que fizeram, ou não fizeram. A saúde traz uma liberdade que poucos percebem
“Gostaria de não ter trabalhado tanto” —
Ouvi isso de todos os pacientes do sexo masculino que cuidei. Eles perderam a juventude de seus filhos e a companhia das parceiras. As mulheres também citaram este arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não se mantiveram no mercado de trabalho. Todos os homens lamentaram profundamente gastar tanto tempo de suas vidas no trabalho.
“Queria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos” —
Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, eles se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eles realmente eram capazes de ser. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que carregavam.
“Gostaria de ter mantido contato com meus amigos” —
Muitas vezes eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até que nas últimas semanas de vida percebem que não foi possível encontrar essas pessoas. Muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que deixaram amizades “de ouro” se perderem ao longo dos anos. Demonstraram arrependimentos profundos sobre não terem dedicado tempo e esforço às amizades. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo.
“Gostaria de ter sido mais feliz” —
Esse é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem que a felicidade é uma escolha no fim da vida. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões, o famoso “conforto” com as coisas que são familiares. O medo da mudança fez com que elas finjam para os outros e para si que estavam contentes quando, no fundo, queriam poder rir de verdade e aproveitar as coisas boas da vida