O caso do Nego do Borel ganhou os holofotes nas últimas semanas, após o cantor ser expulso do reality, A Fazenda, acusado de estuprar uma outra participante a Dayane Mello. Na ocasião Nego do Borel se deitou com Dayane que estava embriagada.
Por causa disso, Nego do Borel foi expulso do programa. Sobre o assunto, na data do ocorrido, a assessoria do cantor disse que ele iria "provar mais uma vez toda a sua inocência".
Após a expulsão, o cantor chegou a publicar um vídeo nas redes sociais em que dizia não entender o porquê de ser expulso do programa, já que, segundo ele, a participante também demonstrava interesse. No vídeo, Nego apareceu desesperado com a repercussão negativa que vem recebendo nos últimos meses.
Mas afinal, essa superexposição do caso pode causar traumas as vítimas? De acordo com a psicóloga, Janaina Catolino, trata-se de uma via de mão dupla, a suspeita de abuso ter acontecido em um programa ao vivo pode ajudar mulheres a se enxergarem como vítimas de assédio sexual e procurarem ajuda. Porém, nenhuma vítima deveria ou precisa ser exposta para ter crédito em sua palavra.
"Precisamos parar urgentemente de naturalizar a violência contra a mulher. Não há motivo algum que justifique tais agressões", Janaina Catolino.
É comum a vítima ser julgada, culpada e até questionada sobre a veracidade da situação. Quando uma situação de abuso acontece em rede nacional, os julgamentos e questionamentos tomam uma proporção muito grande, fazendo com que a vítima se sinta mais culpada que o normal e inconscientemente, procure motivos nela mesma para justificar o abuso, fazendo com que sua compreensão sobre a violência, demore a acontecer. Infelizmente temos uma sociedade que subestima a violência contra a mulher.
Nego do Borel, já havia ganhado os holofotes com a acusação de sua ex-namorada, Duda Reis, a sua postura no reality segunda a psicóloga já era esperada, “O abusador possui uma conduta machista e dominadora, que é reforçada pela certeza da impunidade e da cultura machista. Duda Reis não foi a primeira vítima. Em uma rápida pesquisa, é possível verificar várias acusações, de várias mulheres contra ele, que de vítima em vítima vai se safando de seus crimes sem ao menos ser responsabilizado. Mas ele ter participado desse reality foi muito bom, pois se alguém tinha dúvidas de quem ele era, ele mesmo mostrou sua verdadeira face”, concluiu.
O MACHISMO E SUAS RAIZES
Segundo Catolino, vivemos em uma sociedade que objetifica as mulheres e naturalmente, nos desrespeita. Isso começa quando nasce uma criança na família e mesmo recém-nascido surgem as expectativas, se for menino vai ser pegador, "machão", se for menina, vai ser delicada e falar baixo. Inconscientemente nós mesmos reproduzimos conceitos machistas que perpetuam a sociedade patriarcal, através de atitudes como: quando existe a separação de mulheres pra casar x mulheres pra ficar; quando tentamos encontrar justificativas para o abuso, sendo que o único culpado é e sempre será o abusador; quando naturalizamos o assédio em forma de cantadas na maioria das vezes agressivas e inconvenientes; quando falamos que os problemas que as mulheres enfrentam poderiam ser resolvidos com um genital masculino, entre outros comportamentos e falas que repetimos sem nos dar conta do quão são problemáticos.
É necessário que eduquemos nossa própria conduta e que essa educação e mudança de comportamento se estenda as nossas crianças.
Se a mulher é livre, tem vida sexual ativa, fala sobre sexo abertamente, frequenta boates ou bares, bebe, usa roupa curta, fuma, tem tatuagens, fala palavrões ou de alguma maneira vai contra o padrão "princesa" que esperam, já é motivo suficiente para essa mulher ser julgada e vista como descartável pelas próprias mulheres. Precisamos parar urgentemente de naturalizar a violência contra a mulher. Não há motivo algum que justifique tais agressões.