Entrevista

"Agosto Lilás": Como podemos combater a violência contra a mulher

O que fazer quando ver uma cena de violência contra uma mulher? Devemos intervir? Do ponto de vista psicológico o que leva um homem a agressão? Quem responde essas perguntas é a psicóloga Janaina Catolino

Thais Dias  - Rara Gente 
24/08/21 às 14h42

A cada minuto, oito mulheres sofrem algum tipo de violência no Brasil. Os dados preocupantes divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam uma dura realidade vivenciada por aproximadamente 17 milhões de brasileiras somente no último ano de 2020. Partindo da campanha Agosto Lilás, mês que representa a conscientização e combate à violência contra a mulher.

Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que a violência contra mulheres aumentou em 41,9% das cidades brasileiras durante a pandemia do novo coronavírus. 

A psicóloga Janaina Catolino, nos traz algumas colocações sobre este comportamento agressivo de alguns homens “Infelizmente esse comportamento se deve ao fato da cultura patriarcal, em que o ‘maior’ se sente no direito de dominar o ‘menor’. Esse comportamento começa na infância, quando os pais estimulam o filho a ser pegador e não demonstrar sentimentos porque é fraqueza, mas também pode ser um comportamento aprendido quando essa criança vive em um ambiente de violência, pois ela cresce acreditando que agressividade e violência são coisas normais e que tudo se resolve dessa maneira. Por isso ainda é tão frequente agressões a mulheres, por essa ideia passada de geração a geração de que as mulheres devem ser submissas e aceitar tudo caladas”.

Nesta semana cenas chocaram os internautas três-lagoenses, onde em um bar da cidade uma jovem é agredida por um homem. O vídeo casou revolta na população, Catolino dá algumas dicas de como acolher essas vítimas de violência.

“A melhor maneira de auxiliar alguém é através do acolhimento, do não julgamento e da orientação, pois através da orientação é possível abrir o campo de visão da vítima, fazendo-a enxergar a situação que ela está inserida e que existe um mundo de possibilidades. Quando ela sente que existe uma rede de apoio, ela se fortalece e se encoraja a tomar decisões que dificilmente ela tomaria se se sentisse sozinha e desamparada”, afirmou.

Muitas mulheres chegam a se separar de seus agressores, porém algumas delas acabam voltando por acreditar no amor de seu parceiro, “O amor é um sentimento nobre que envolve respeito, liberdade e confiança, justamente o que as vítimas não recebem nesses casos. Infelizmente elas acabam voltando por dependência emocional, as vezes financeira, muitas vezes por acreditarem que cabe a elas a ‘reabilitação’ desse agressor e principalmente, por terem baixa autoestima, fazendo com que não se sintam capazes e até merecedoras de alguém melhor, que as ame e respeite”, explicou Janaina. 

Afinal um agressor pode mudar seu comportamento? Para a psicóloga a mudança pode ocorrer sim, desde que esse agressor reconheça suas atitudes negativas e queira mudar. Ninguém muda o outro, a mudança deve acontecer internamente. E é justamente nesse ponto a maior dificuldade, pois reconhecer nossas atitudes e fazer toda dinâmica de mudança, é um processo difícil e até doloroso, concluiu Catolino. 

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