Folclore brasileiro é a junção de lendas, contos, mitos e histórias sobre criaturas e seres fantásticos que habitam o imaginário de povos tradicionais de diversas regiões do país.
É formado com base na mistura de tradições típicas das várias culturas que formam a identidade na nação, com destaque para a portuguesa, indígena e africana.
Além das histórias, costumes e lendas de personagens criados a partir da cultura popular desses povos, o folclore brasileiro também é composto por festas, brincadeiras, crenças, comidas típicas e outros costumes que eram transmitidos oralmente entre as diferentes gerações.
Devido a diversidade cultural do país, o Brasil tem um folclore muito rico. No entanto, apenas a partir do século XIX é que começou a ganhar importância e destaque por parte de autores e intelectuais.
O Brasil celebra o Dia do Folclore em 22 de agosto, por esta razão conversamos com o arqueologista e historiador, Rodrigo Fernandes que explicou um pouco mais sobre o assunto.
“O folclore é algo tão rico que seus movimentos e relatos atravessam milênios e ainda se encontram em nosso meio. Um exemplo são os personagens místicos brasileiros como o Boitatá, a Iara, o Saci ou Curupira que é uma entidade indígena milenar criada pela zoomorfia do homem primitivo e em um determinado momento se misturou com as crenças e divindades africanas vinda com os escravos e que sobreviveu até os dias atuais se transformou como elementos imutáveis da nossa cultura e, ainda hoje, está no nosso imaginário”, disse.
Fernandes explicou de que as crenças em seres místicas surgiram nos primórdios das civilizações, nas sociedades mais primitivas como os caçadores coletores ou popularmente como dizemos os homens das cavernas, todas as forças da natureza e da existência eram atribuídas a deuses antropomorfos ou zoomorfos que eram os deuses com formas animais ou naturais como o raio, o fogo etc.., essas crenças existem há mais de cinquenta mil anos e caminharam pelos continentes.
Sua origem quase se perde na história e hoje temos ainda esse personagem permeando nosso imaginário e construindo e fortalecendo nossa identidade. as crenças populares caminham entre as gerações e o tempo é a nossa gênese cultural ancestral, mas temos outras construções imaginárias que não são tão antigas assim e que são importantíssimas para nossa identidade e para a nossa memória.
Em nossa cidade também possuímos antigas lendas como cita Rodrigo, “Dois exemplos em Três Lagoas é o soldadinho que morreu de sede e de fome e foi enterrado na cidade e á ele é atribuído graças e curas, e o outro é o pretinho aleijado que seu espirito impediu que um homem de bem e cristão cometesse o pecado da vingança.
Acontece que o soldadinho foi um rebelado da revolução de 1924 que ferido em uma batalha com as tropas do governo nas proximidades do córrego da moeda e fugindo ferido em direção a cidade morreu a alguns poucos quilômetros da estação, o pretinho aleijado existiu apenas na música sertaneja que foi escrita pelo cantor e compositor Teddy Veira, nos anos 1960 e ficando conhecida com as gravações do Sérgio Reis e da dupla Tião Carreiro e Pardinho.
Atualmente a população acredita como verdade a existência do pretinho aleijado e nos milagres do soldadinho”, explicou.
Os personagens folclóricos representam a alma eterna do exemplo da fé e da conduta humana por meio de elementos que são valorizados no imaginário coletivo. Os personagens se materializam em um tempo e um espaço preciso onde pessoas os ressuscitam e os cultuam como base de sua memória coletiva e de sua identidade local.
Rodrigo lembrou de outro personagem folclórico que “assombrou” a cidade, o lobisomen que assombrou Três Lagoas, principalmente as pessoas em pecado ou as ausente de fé e de religião, esse lobisomem não nasceu nos anos noventa em uma cidadezinha do Mato Grosso do Sul, mas sim milênios a fio onde a força da natureza ditava a busca pela sobrevivência entre o homo sapiens e os caninos e que agora se manifesta nas crendices populares como o elemento norteador da conduta e da fé.
Atualmente com o novo mundo do consumo e da tecnologia há especulações sobre a sobrevivência cultural do folclore, mas algo que tanto a máquina quanto a informação superficial são impotentes e incapazes de aniquilar “é o imaginário humano”, um infinito de Curupiras, Sacis Pererê, Iaras e tantos outros aparecerão com uma nova roupagem e ainda assim serão os grandes norteadores da cultura e da construção da psique humana.
Todas essas manifestações é a materialização do imaterializável é a maneira de se dar origem física à espiritual intocável pela materialidade. As músicas, as danças, as literaturas, as religiões jamais atingirão um estado de inércia pois assim como a busca cética do materialismo científico ainda serão base para sustentação do significado da existência humana.