A primeira referência e fotografia impressa de Três Lagoas - no álbum gráfico de Mato Grosso de 1914
Por mais distante que parece, a história está presente em nossa vida somos os diretores de nosso roteiro de vida e estamos constantemente “fazendo história”, em razão disso conversamos com Rodrigo Fernandes, arqueologista e historiador.
Rodrigo está a mais de 25 anos desenvolvendo pesquisas sobre Três Lagoas e a estrada de ferro Noroeste do Brasil, além disso ele esteve durante 10 anos na diretoria de cultura da cidade onde foi coordenador de patrimônio histórico e cultural e atualmente está como diretor de turismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Ciência e Tecnologia – SEDECT.
Quando falamos sobre história/historiadores nos remetemos a história ensinada nas escolas dos egípcios e povos antigos, assim nos esquecemos que a história se faz presente em nossa vida como o bairro que vivemos, as ruas, seus nomes e etc.
Conhecer a história de sua cidade, de sua família, de seu local é reconhecer-se como exclusivo. É assim que podemos contribuir para uma conduta cívica que tem a capacidade de mudar a nossa realidade local para melhor com mais respeito e qualidade de vida.
Conhecer a história de nossa cidade também é um processo, não podemos abraçar toda a história das coisas e do mundo, por isso, é com o método que nos auxilia a conhecer, a analisar os períodos de grandes transformações que contribuíram para a nossa realidade atual que podemos conhecer o que nós somos em nossa cidade.
Rodrigo nos dá um bom exemplo, “Nossa cidade de Três Lagoas foi planejada pela companhia Machado de Mello, responsável pela construção da estrada de ferro Noroeste do Brasil, o maior empreendimento ferroviário em sua época, abrangendo mais de 1600 quilômetros em território nacional.
A necessidade de se construir uma ferrovia rumo as margens do Oeste do Brasil se efetivou necessária após a guerra do Paraguai, pois a grande fronteira oeste não era povoada e existia pouca demografia, ficando suscetível à novas invasões. Desde a chegada dos europeus Ibéricos no século XVI que havia a necessidade de ocupar as terras pois não se sabia onde terminava o mundo Hispânico e começava o Lusitano.
A ocupação do Oeste foi fruto da necessidade de mais de trezentos anos da ocupação da terra. Três lagoas foi a única cidade planejada para ser construída e ser sede regional.
Nesses três séculos, paulistas e mineiros utilizavam os rios para chegar às terras mais longínquas do Mato Grosso. Vemos que é uma série de eventos que dependem de várias pessoas e sociedades que transformam nossa realidade atual. Pois, se os europeus não tivessem vindo, a guerra do Paraguai não tivesse acontecido e o império e a república não decidissem construir uma ferrovia, Três Lagoas não existiria e a nossa realidade seria outra neste exato momento. E assim vai...”, disse ele.
De acordo com Rodrigo, atualmente possuímos poucos materiais historiográficos sobre nossa cidade, grande parte das informações ainda precisam ser pesquisadas em fontes primárias que são documentos, depoimentos e materiais iconográficos - como fotografias por exemplo. Esses materiais se encontram em museus, cartórios, arquivos, poesias, culinária local, bibliotecas e departamentos públicos, monumentos, bairros, construções civis etc, tudo já nos mostra o quão rica é nossa história.
“Nos últimos anos com a pesquisa nesses lugares avançamos muito principalmente nos arquivos ferroviários da Noroeste do Brasil, mas ainda não foi literatizado, (escrito nos livros), muito foi preservado e muito foi pesquisado, mas temos que trazer à tona com a restauração de prédios e monumentos históricos, edição de livros, documentários etc, a importância museográfica e arquivística local é a base para a continuidade da preservação histórica e um grande centro de pesquisa para pesquisadores de todos os locais.
Esses dispositivos não são meros antiquários empoeirados onde se guardam peças antigas e velhas, mas centros didáticos e de pesquisa que dinamizam a produção e o conhecimento e solidificam a memória e a identidade local”, enfatizou Rodrigo.
A IMPORTÂNCIA DE UM MUSEU LOCAL
Infelizmente em Três Lagoas não possuímos um museu local, onde a população possa acessar a história de forma rápida. De acordo com Rodrigo Três Lagoas apenas terá este local se a gestão pública e a sociedade civil organizada compreender sua real função e concebê-lo com o respeito e o intelecto merecido. Espaço com peças antigas não passam de antiquários, a dinâmica de um museu é mais ampla, pois além de àreas de exposições didáticas sazonais e permanentes temos que ter estruturas como reserva técnica onde são condicionados objetos e documentos do acervo, sala de assepsia onde são limpos restaurados revitalizados todo o acervo, salas de estudo e palestras para que possa ter vida.
Atualmente exposições eletrônicas e mediáticas com atividades pedagógicas lúdicas e recreativas, além de dar vida ao museu ainda educam, intelectualizam e despertam o interesse.
“Temos tudo para preservar nossa memória, apenas nos faltam que as entidades responsáveis realmente valorizem e se interessem e respeitem a metodologia necessária. Lembrando que, com tudo isso ainda incentivamos novas cadeias produtivas por meio da transgênica turística e das atividades econômicas por meio da economia criativa”, concluiu Rodrigo.