Saúde e Bem estar

Síndrome de burnout e sexo, o que essas duas coisas tem em comum?

A síndrome que acomete mais mulheres afeta também a vida sexual

Redação 
16/03/22 às 09h39

Cansaço, enxaqueca, insônia, dores musculares, sensação de fracasso generalizado… Desde 2015, quando o assunto começou a se popularizar, nos acostumamos a identificar os sintomas da cada vez mais famosa síndrome de burnout (ou síndrome de esgotamento profissional, oficialmente inclusa na Classificação Internacional de Doenças – CID em 2019). Para além do trabalho, a doença, que acomete principalmente mulheres —de acordo com a pesquisa Woman in the Workplace de 2021, 42% delas apresentam sintomas—, afeta também a vida sexual. Falta de libido, dificuldades para excitar-se, para ficar lubrificada e atingir o orgasmo são frequentes em quem padece desse mal pós-moderno. “Nesse estado de tensão e fadiga é praticamente impossível para corpo e mente funcionarem bem para o sexo”, diz a psicóloga e sexóloga Gabriela Daltro, que tem atendido cada vez mais pacientes nessa situação.  

“O isolamento causado pela pandemia também provocou outros impactos, como tensões nos relacionamentos e convivência constante, sobrecarga com filhos, trabalho e casa. Tudo isso contribuiu para a diminuição do desejo sexual e um aumento da dificuldade em relaxar e experimentar prazer“, continua ela. Os efeitos colaterais de uma crise de abstinência de desejo sexual são baixa autoestima, diminuição do humor até aumento de risco de transtornos emocionais. Por isso, Gabriela recomenda procurar ajuda especializada. 

Para quem está num relacionamento estável, a falta de desejo causada pelo burnout afeta toda a relação, gerando um afastamento não apenas sexual, mas sobretudo emocional. “Isso acaba impedindo a pessoa de expressar ao outro quando sente ou não desejo. A solução para esse tipo de situação é o diálogo sincero para saberem lidar de forma equilibrada e vencerem juntos o distanciamento”, recomenda a sexóloga Cátia Damasceno.

A consultora em relacionamentos e sexualidade Sofia Menegon ressalta que a sensação de esgotamento potencializa a baixa libido também devido à própria concepção que a sociedade tem do sexo. “Quando uma mulher com burnout precisa de relaxamento, dificilmente será no sexo que ela vai buscar isso, porque as mulheres são socializadas para o sexo como uma obrigação, com uma série de expectativas e necessidades de performance para satisfazer a outra pessoa”, explica. Outro obstáculo é a ideia de que intimidade sexual tem a ver, necessariamente, com intimidade genital. “Isso faz com que todos, homens e mulheres, façamos menos sexo e tenhamos menos prazer na prática”, acrescenta Sofia.

Gabriela concorda: “A relação sexual é todo contato íntimo entre pessoas, mas muitas pessoas não veem assim. O foco excessivo na penetração, por exemplo, pode gerar ansiedade, sensação de pressão e obrigação, e diminuir o investimento do casal na excitação, preliminares, orgasmo femino e criatividade na relação.” A sexóloga explica que o maior prejudicado nesses casos é o “desejo responsivo” da mulher, aquele que começa a aparecer à medida em que o corpo começa a ser estimulado. Segundo ela, oito em cada 10 mulheres experimentam desejo responsivo em seus relacionamentos estáveis. 

As especialistas ouvidas por CLAUDIA são unânimes em dizer que “o sexo não é tudo” em uma relação e que nem sempre é verdadeira essa ideia de que um casal que não transa deixa de ser um casal. “Perder totalmente o interesse sexual pode ser um sinal de que a relação não faz sentido, mas nem sempre. Na verdade, a maior queixa dos casais em consultório costuma ser a de que se amam, se dão bem em todas as áreas da relação, querem ficar juntos, mas não conseguem se aproximar sexualmente. É preciso investigar o que acontece e investir no lado erótico da relação”, diz Gabriela. 

Como superar a crise
Para quem está num relacionamento com alguém, ainda vale a velha receita de sair da rotina, fazer e descobrir coisas novas com a outra pessoa para se reconectar com o lado mais jovial e divertido da relação e, assim, incentivar o desejo. Também é importante separar um momento específico para isso. “É preciso colocar, sim, na agenda, horários para que as pessoas que estão numa relação se dediquem uma a outra, mesmo que não seja necessariamente para o sexo, mas para uma troca de diálogo, cumplicidade, carinho…”, recomenda Sofia. 

Gabriela também orienta buscar um tempo e um lugar para o sexo, com calma e privacidade, usando estímulos como música, toques, cheiros e tudo que possa aguçar os sentidos e ajudar a focar no aqui e agora. “Também é importante trabalhar a auto permissão para sentir prazer, observar como você lida com momentos teus, de prazer e autocuidado ao longo da vida. Permitir-se é o primeiro passo”, diz. 

Embora alguns digam que quando a paixão desaparece não há retorno, as especialistas acreditam que, enquanto houver cinzas, sempre há esperança de “reacender a chama”. “Com um pouco de esforço e preocupação, você pode detectar a tempo quando seu relacionamento está esfriando e voltar a amar e ser amada, desejar e ser desejada”, garante Cátia. 

(*) Claúdia.com

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