Saúde e Bem estar

Sabrina Cunha fala sobre pacientes que fazem uso da cloroquina

A médica dermatologista esclarece pontos importantes sobre a medicação, como efeitos colaterais e os riscos de uso sem orientação médica

Matheus Renary
22/04/20 às 11h30
Sabrina Cunha, médica dermatologista

Segundo a plataforma Google Trends, que monitora as tendências de busca, as pesquisas pela palavra 'cloroquina' na internet aumentaram 3000% nos últimos 30 dias. Ainda segundo a plataforma, o Brasil é país que mais pesquisa sobre o medicamento seguido pelo Equador, Moçambique, Venezuela e Nicarágua. O pico de buscas aconteceu no dia 22 de março, após a publicação do vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro fala sobre a ampliação da produção do medicamento. Com isso, a corrida de pesquisadores e cientistas das mais diversas áreas da saúde na tentativa de identificar um remédio capaz de combater o novo coronavírus ganhou ainda mais repercussão.

Conversamos com Sabrina Cunha, médica dermatologista, em uma transmissão ao vivo em nossa página no Facebook para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema. Durante a transmissão Sabrina alertou sobre o aumento da procura pelo fármaco e os pacientes que fazem uso prolongado em seus protocolos de tratamento. Os principais pontos da entrevista podem ser vistos a seguir.  

A hidroxicloroquina e a cloroquina são fármacos derivados da Aminoquinolina, classe de medicamentos que possui outros derivados que não são utilizados no Brasil. "Na dermatologia, a hidroxicloroquina e a cloroquina são medicações utilizadas no tratamento de doenças autoimunes, como o lúpus e a psoríase atrópica. São doenças que a gente trata de forma contínua ou prolongada com essa medicação", diz Sabrina. 

SOBRE O USO

Sobre a dosagem dos medicamentos, a médica dermatologista esclarece que a dosagem utilizada no tratamento de doenças autoimunes foi estudada elaborada para o uso contínuo e prolongado, visando a segurança e bem-estar do paciente durante o protocolo. "São realizadas avaliações com exames laboratoriais, avaliação de retina e exame ocular oftalmoscópico, porque a dificuldade de acomodação visual é um efeito colateral comum", diz ela. A acomodação visual é o mecanismo fisiológico que permite a adaptação necessária para que se tenha uma visão nítida em diversas distâncias.

Sabrina enfatiza que a hidroxicloroquina e a cloroquina jamais são usadas juntas, e esclarece que os pacientes que iniciam o tratamento com a hidroxicloroquina, são reavaliados, em média, a cada três meses para verificar os resultados e possível necessidade de troca de medicação, ou até mesmo de associação de outros fármacos ao tratamento. "É importante entender que esta medicação não foi estudada com segurança, não está descrito em bula que esta medicação foi feita para o coronavírus. É tudo muito novo. Usar a medicação sem orientação médica pode ser um tiro no pé", completa. 

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FALTA DO MEDICAMENTO

Pacientes que fazem uso da medicação começaram a relatar a dificuldade de encontrá-lo nas farmácias da cidade. "Aqui em Três Lagoas eu já tenho alguns pacientes que estão relatando a dificuldade de encontrar em algumas farmácias a cloroquina, infelizmente. As pessoas estão alvoroçadas, comprando todos os remédios que ouvem dizer e estão estocando em casa. Isso não faz sentido", diz a médica

Ainda sobre a grande procura pela medicação. Sabrina diz: "a cloroquina não tem uma receita específica para compra. Então as pessoas podem ir até a farmácia adquirir a medicação, e diante de todo o alvoroço não checam a informação e não se atentam para o mais importante: que é o autocuidado, o isolamento social, lavar muito bem as mãos, dentre outros cuidados".

Visando coibir o desaparecimento da medicação das prateleiras, a Anvisa enquadrou, no dia 20 de março, a hidroxicloroquina e a cloroquina como medicamentos de controle especial, proibindo ainda sua exportação. A medida visa frear a compra desnecessária dos medicamentos.

EFEITOS COLATERAIS

"A cloroquina e a hidroxicloroquina possuem vários efeitos colaterais e riscos de complicações, lembrando que todos estes foram estudados e documentados para doenças ao qual elas foram desenvolvidas para uso", diz. A médica dermatologista esclarece que a acomodação visual, a cegueira noturna e a retinopatia estão entre os efeitos colaterais causados pelas medicações no âmbito ocular. A Irritação gastrointestinal, o refluxo, a dor de estômago e os enjoos também são comuns, causados pela rápida absorção do medicamento, e podem ocorrer entre 30 minutos e 2 horas após a ingestão.

Para conferir os demais efeitos colaterais nos âmbitos dermatológicos e cardiológicos  clique aqui  e assista a entrevista completa. 

CONSCIENTIZAÇÃO

Quanto aos pacientes que apresentarem sintomas, Sabrina orienta que o atendimento médico deve ser procurado somente quando necessário. "É fundamental que o paciente que apresentar os sintomas, após dois ou três dias de progressão do quadro, e se não estiver bem, procure um atendimento médico. Pode ser online, ou em postos de saúde quando os sintomas persistirem causando mais desconforto. E assim, cada paciente, dentro da sua individualidade, será avaliado se existe ou não indicação de uso da cloroquina", diz Sabrina sobre o uso da medicação e alerta: "não é para comprar a cloroquina e ter em casa, como se fosse uma dipirona. Isso não deve ser feito de forma alguma, por ser uma medicação que tem repercussões clínicas".

Ao final da transmissão ela alertou sobre a importância da conscientização neste momento difícil. "Em relação a medicação é importante pensar no outro. A medicação existe porque tem pessoas que tomam ela todos os dias e precisam para controlar a doença. Tenham consciência, não se automediquem, verifiquem a veracidade das informações que chegam até vocês", finaliza.

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