Saúde e Bem estar

PÓS COVID - Pacientes com sequelas na visão

A complicação neuro-oftálmica mais devastadora parece ser o acidente vascular cerebral agudo que afeta o córtex visual - região do cérebro responsável pela visão

Rara Gente - Da redação
21/12/21 às 13h00
Dr. Marco Antônio Bonini Filho, oftalmologista especialista em retina clínica e cirúrgica

Depois de quase dois anos do início da pandemia por Covid-19, muito ainda se discute sobre as manifestações oculares associadas à doença.

Depois de quase dois anos do início da pandemia por Covid-19, muito ainda se discute sobre as manifestações oculares associadas à doença. A prevalência das complicações varia de 2% a 32%, conforme a Stat Pearls Publishing - de janeiro de 2021 e, até o momento o que se sabe é: O contato direto com as membranas mucosas, incluindo o olho, é uma via de transmissão
do vírus; As manifestações oculares causadas pelos coronavírus em humanos são comumente leves e raras, mas existe um número crescente de relatos de lesões oculares em pacientes positivos para a doença.

Mais da metade desses casos manifestam-se durante a infecção como uma conjuntivite – olhos vermelhos, lacrimejamento e secreção. Em alguns casos, esta pode ser a única manifestação da doença; Fenômenos tromboembólicos localizados no nervo e/ou na retina também foram relatados durante e após a infecção por COVID-19.
Uma complicação grave é o acidente vascular cerebral - AVC, agudo quando afeta o córtex visual - região do cérebro responsável pela visão. Recentemente, observou-se que a incidência de AVC nesses pacientes é 7,6 vezes maior do que em pacientes com infecção pelo vírus influenza e acomete uma população de pacientes muito mais jovens e saudáveis, com perdas graves e definitivas do campo visual.

Um outro ponto que tem chamado a atenção dos pesquisadores e população, é sobre a existência de efeitos colaterais nos olhos após a vacinação. Ainda existem poucas publicações sobre esse tema na literatura científica.
No mês passado, por exemplo, foi publicada no JAMA - Journal of the American Medical Association – alguns casos na população de Abu Dhabi. Os autores identifi caram alguns sintomas oculares aproximadamente cinco dias após a primeira dose da vacina de vírus inativado. 

Dos nove pacientes relatados, dois apresentaram sinais focais de oclusão de vasos sanguíneos da retina. Mesmo assim, devido ao desenho do estudo, não foi possível estabelecer uma relação causal com a vacina. Outro estudo da revista Ophthalmology Therapy investigou uma possível relação entre pacientes com doenças oculares inflamatórias crônicas e/ou doenças auto-imunes e a frequência de efeitos colaterais oculares e eficácia da vacina.

Finalmente, a vacinação contra o Covid-19 foi um passo importantíssimo para o controle da pandemia. Conforme comprovado em ensaios clínicos fase 3, as principais vacinas disponíveis são seguras e efi cazes para proteger os pacientes das manifestações graves da doença. Entretanto, à medida que a produção e distribuição das vacinas aumentam, nós profissionais médicos precisaremos identificar grupos de pacientes vulneráveis para melhor aconselhamento e avaliações periódicas.

 

A prevalência das complicações varia de 2% a 32%, conforme a Stat Pearls Publishing - de janeiro de 2021 e, até o momento o que se sabe é: O contato direto com as membranas mucosas, incluindo o olho, é uma via de transmissão
do vírus; As manifestações oculares causadas pelos coronavírus em humanos são comumente leves e raras, mas existe um número crescente de relatos de lesões oculares em pacientes positivos para a doença.

Mais da metade desses casos manifestam-se durante a infecção como uma conjuntivite – olhos vermelhos, lacrimejamento e secreção. Em alguns casos, esta pode ser a única manifestação da doença; Fenômenos tromboembólicos localizados no nervo e/ou na retina também foram relatados durante e após a infecção por COVID-19.

Uma complicação grave é o acidente vascular cerebral - AVC, agudo quando afeta o córtex visual - região do cérebro responsável pela visão. Recentemente, observou-se que a incidência de AVC nesses pacientes é 7,6 vezes maior do que em pacientes com infecção pelo vírus influenza e acomete uma população de pacientes muito mais jovens e saudáveis, com perdas graves e definitivas do campo visual. 

Um outro ponto que tem chamado a atenção dos pesquisadores e população, é sobre a existência de efeitos colaterais nos olhos após a vacinação. Ainda existem poucas publicações sobre esse tema na literatura científica. No mês passado, por exemplo, foi publicada no JAMA - Journal of the American Medical Association – alguns casos na população de Abu Dhabi. Os autores identifi caram alguns sintomas oculares aproximadamente cinco dias após a primeira dose da vacina de vírus inativado. 

Dos nove pacientes relatados, dois apresentaram sinais focais de oclusão de vasos sanguíneos da retina. Mesmo assim, devido ao desenho do estudo, não foi possível estabelecer uma relação causal com a vacina. Outro estudo da revista Ophthalmology Therapy investigou uma possível relação entre pacientes com doenças oculares inflamatórias crônicas e/ou doenças auto-imunes e a frequência de efeitos colaterais oculares e eficácia da vacina.

Finalmente, a vacinação contra o Covid-19 foi um passo importantíssimo para o controle da pandemia. Conforme comprovado em ensaios clínicos fase 3, as principais vacinas disponíveis são seguras e efi cazes para proteger os pacientes das manifestações graves da doença. Entretanto, à medida que a produção e distribuição das vacinas aumentam, nós profissionais médicos precisaremos identificar grupos de pacientes vulneráveis para melhor aconselhamento e avaliações periódicas.

(*) Dr. Marco Antônio Bonini Filho, oftalmologista especialista em retina clínica e cirúrgica

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