Saúde e Bem estar

PÓS COVID - Odontologia na prevenção e recuperação da saúde

O novo coronavirus trouxe a tona uma realidade jamais vista por profissionais da saúde nos tempos atuais

Rara Gente - Da redação
27/12/21 às 14h29
Célia Tosta Fernandes, especialista e mestre em prótese dentária

A cavidade oral representa um importante alvo da infecção, não só como via de transmissão por meio das gotículas de saliva, como pela possibilidade de agravar o quadro da doença quando se negligencia a higiene oral, sendo que, quando não há um controle de bactérias e focos de infecção, presentes na cavidade oral, estes podem acabar indo para o pulmão, podendo agravar o quadro do paciente.

Isto tem sido comprovado inclusive com a atuação crescente do cirurgião dentista dentro das
UTIs, que tem contribuído na recuperação dos pacientes intubados por causa da doença. Quanto maior o tempo de intubacão, mais lesões e infecções na boca podem aparecer, agravando o quadro do paciente.

Por isso torna-se importantíssimo o comparecimento ao dentista para manter o tratamento
preventivo, evitando focos de inflamação e infecção na boca e assim proteger a saúde de
todo o organismo.

Após diversos estudos que visaram entender a fisiopatologia da doença e seu tratamento, atualmente as pesquisas se voltam também para a compreensão de certos sintomas não associados apenas a questões respiratórias, mas evidentes após a cura do paciente, sendo alguns destes identificados no sistema mastigatório, tais como:

 - maior sensibilidade dentária, fraqueza muscular ao mastigar; 
 - ectasia de glândulas salivares
- glândulas inchadas;  - 
- infecções fúngicas como a candidíase oral; 
- úlceras e boca seca.

Estes sintomas podem estar associados a uma resposta hiperinflamatória ao vírus, ou mesmo serem decorrentes do uso de medicamentos para tratar o Covid. Altas doses de antibióticos e corticosteróides podem, por exemplo, precipitar infecções fúngicas.

Há o relato também, do aumento de casos de bruxismo - ranger dos dentes, e DTM – Disfuncão Temporomandibular, que podem ser consequência do distúrbio de ansiedade, em consequência da internação, do isolamento, ou até mesmo pelo medo de se contaminar novamente. Estes fatos revelam a importância de uma reabilitação multiprofissional e interdisciplinar dos pacientes pós covid. 

Além disso torna-se importante salientar que enquanto a vacinação se amplia e a ciência progride na análise destes casos e na compreensão da fisiopatologia da doença e de seu enfrentamento, devemos continuar fazendo a nossa parte adotando medidas que diminuam nossa exposição ao vírus: manter o distanciamento social e o uso de máscaras; a higiene de forma geral, como lavar bem as mãos e evitar tocar no rosto, nariz e boca - já que são portas de entrada para o vírus; manter a higiene oral: escovar os dentes, usar fio dental e fazer bochechos com enxaguatório bucal antisséptico.

(*) Célia Tosta Fernandes, especialista e mestre em prótese dentária

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