Saúde e Bem estar

PÓS COVID - O tratamento e a prevenção de doenças oculares

Mesmo na pandemia, é preciso preservar a visão, mantendo as consultas, exames e cirurgias

Rara Gente - Da redação
03/01/22 às 13h00
Dr. Lucas Nunes Montechi, oftalmologista e cirurgião

O oftalmologista chinês, Dr. Li Wenliang, foi um dos primeiros médicos a alertar sobre uma nova doença no final de 2019, tendo tragicamente sido vítima da mesma.

Essa doença é caracterizada por ser uma síndrome respiratória aguda severa, causada pelo novo Coronavirus - COVID-19 e afeta todo o organismo, incluindo os olhos.
A superfície ocular é uma das principiais portas de entrada do vírus e seu contágio também pode se dar pela lágrima de uma pessoa infectada. Apesar disso, as manifestações oftalmológicas são pouco frequentes. 

A mais comum delas é a conjuntivite, que afeta entre 1 a 3% dos indivíduos contaminados e, em alguns casos, é o primeiro sintoma da Covid-19, segundo a Academia Americana de Oftalmologia. Estudos recentes apontam que o novo vírus é capaz de lesar a retina - importante membrana da parte interna do olho responsável pela captação da imagem e envio da informação ao cérebro; e a úvea - conjunto de estruturas que inclui a íris, que é a parte colorida do olho, e além disso, pode inflamar a córnea e ressecar os olhos.

Os sintomas da conjuntivite são vermelhidão, coceira, sensação de areia e ardência nos olhos, lacrimejamento e sensibilidade à luz. A forma viral é altamente contagiosa e, se não tratada por um oftalmologista, há risco de úlcera de córnea e danos irreparáveis à visão. Não deve ser feita a automedicação, seja qual for a origem.

Outro problema frequente que decorre do isolamento social é o uso excessivo de telas. Olho seco, irritado, cansado e até mesmo dores de cabeça são provenientes desse hábito. Isso se justifica pelo fato de os olhos piscarem cerca de 15 a 20 vezes por minuto em situações normais e, quando expostos a telas, o piscar reduz para duas a três vezes por minuto - o que altera a lubrificação fisiológica dos olhos. 

O excesso de telas na pandemia também pode desencadear ou agravar a miopia, principalmente em crianças. É importante lembrar que o impacto da doença se dá de duas formas: direta e indireta. A primeira pelo dano direto do vírus e, a segunda, pela falta de acompanhamento e tratamento de doenças. 

Estima-se que, no período da pandemia, houve uma redução de até 80% do volume de consultas, exames e cirurgias oftamológicas segundo dados americanos. No Brasil lidamos com o mesmo cenário. No SUS, houve aumento da fila de espera para cirurgia de catarata - principal causa global tratável de cegueira, pela paralização da cirurgias eletivas. Da mesma maneira, está dificultada a prevenção do glaucoma - aumento da pressão do olho, e principal causa de cegueira irreversível - de danos à retina, devido ao diabetes mal controlado - retinopatia diabética, e da degeneração macular, que danifica a visão central.

Portanto, mesmo na pandemia, é preciso preservar a visão, mantendo as consultas, exames e cirurgias, que estão sendo retomados seguindo rígidos protocolos de segurança. Somente o exame oftalmológico de rotina pode diagnosticar e tratar precocemente doenças e preservar uma boa visão por toda a vida. A saúde ocular nunca deve ser negligenciada.

(*) Dr. Lucas Nunes Montechi, oftalmologista e cirurgião

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