Após um longo período de muitas incertezas, tristeza, angústia e medo, finalmente, uma calmaria começa a apontar no horizonte. A pandemia do Covid-19 parece estar chegando ao fim e, com a imunização da população, diminuindo a sua intensidade e letalidade.
Estudos apontam que aproximadamente 90% dos sobreviventes apresentaram os mais variados sintomas pós-infecção, e a intensidade deles estão diretamente relacionados à gravidade da infecção.
Naqueles que necessitaram de internação hospitalar, os danos ao organismo e o número de queixas foram maiores. Estes, devem ser tratados e acompanhados por médico especialista para que a doença aguda não se transforme em doença crônica.
Dentre os sintomas mais comuns destacamos: cansaço (falta de ar), dor de cabeça, dor torácica, dor muscular, além de perda de memória, paladar, olfato, audição, queda de cabelo, tromboses, ansiedade e depressão. A resolução destes sintomas pode demorar dias ou meses. Estudos preliminares demonstram que aproximadamente 20% dos indivíduos internados, tiveram que ser novamente hospitalizados e destes, 10% destes evoluíram para o óbito.
Na infecção pelo Covid-19 ocorre uma resposta inflamatória sistêmica, e em alguns casos, essa inflamação é extremamente grave, lesando órgãos vitais . Esta tempestade inflamatória acomete os músculos, promovendo dores, fraqueza e fadiga, e durante o período mais grave, o consumo de energia (catabolismo) é exagerado, promovendo uma rápida perda ponderal. Nos casos mais prolongados ocorre também a perda de massa magra (muscular), comprometendo significativamente a mobilidade diária no período de recuperação.
Os vasos sanguíneos são diretamente afetados por essa inflamação, podendo ocorrer a formação de trombos intravasculares que elevam o risco de entupimento destes, causando infarto do miocárdio, cerebral e pulmonar. O cérebro é um dos órgãos mais sensíveis à esta inflamação sistêmica, e quando associada a queda nos níveis de oxigênio, pode sofrer danos irreversíveis às células nervosas ocasionando cefaléia, tonturas, perda de memória, déficit motor e cognitivo.
Sintomas psiquiátricos também são relatados com frequência, sendo a depressão e a ansiedade os mais comuns, caracterizando o estresse pós-traumático. Nos pulmões- alvo principal do vírus - os danos tendem a ser mais graves e a inflamação inicial, se não tratada precocemente, pode evoluir para um quadro de insuficiência respiratória aguda, sendo necessário a internação em UTI, para monitorização geral e suporte ventilatório. Pneumonia bacteriana, embolia pulmonar, bronquite e, mais tardiamente a fibrose pulmonar, são as complicações mais comuns.
O retorno às atividades rotineiras deve ser gradual e, se possível, com acompanhamento médico e fisioterápico, para uma boa reabilitação respiratória e motora. Se a intensidade de algum dos sintomas forem mais evidentes, isso poderá ser um alerta do organismo, um pedido de socorro. Assim sendo, procure assistência médica imediatamente. Cuide-se, afinal, pulmão sadio é vida com qualidade!
(*) Dr. Douglas Henry Borges, pneumologista
