Saúde e Bem estar

PÓS COVID - O coronavírus e seus impactos na saúde mental

A escuta analítica e o acolhimento do paciente são primordiais para trilhar o caminho da

compreensão de emoções e sentimentos

Rara Gente - Da redação
06/01/22 às 13h15
Denise Ribeiro Ribas, psicóloga psicanalítica comtemporânea e  especialista em avaliação psicológica

Em 2016, o psicanalista Moty Benyakar, nomeia como Síndrome Disruptiva, quando o psiquismo humano é afetado, com desestruturação e de forma violenta, direta ou indireta, caracterizando-se a presença da angústia - pois lidamos com algo que tivemos que interromper, como por exemplo a nossa rotina, nos desequilibrando emocionalmente.

Com a pandemia do Coronavirus a nossa rotina foi interrompida de forma abrupta, sem ao menos termos informações coerentes, e de como se (re)organizar à partir desse cenário.

Sentimentos como angústia, medo, preocupação, foram tomando proporções maiores com o passar do tempo, por não se ter as respostas pontuais, e a medida em que houveram respostas – dependendo de cada pessoa - elas poderiam ser sentidas como conforto ou como potencializadoras de todos os sentimentos e emoções, que já se apresentavam pela mudança radical de estilo de vida. 

O medo de ser contaminado pelo vírus invisível, somado à necessidade da redução e distanciamento do contato físico não é nada fácil... Deixar de se abraçar e de se tocar de forma súbita e inesperada gera um grande fator de estresse, onde são comuns as manifestações de desamparo, tédio e raiva, ocasionados pela perda da liberdade e sendo necessário uma reação de ajustamento à nova realidade.

Esse sentimento de desproteção gerado pela pandemia fez com que mergulhássemos por angústias primordiais, que promovem diferentes formas de sofrimento e sintomas psicopatológicos. “Nosso aparelho psíquico está mal para lidar com um mal invisível; então, ele tenta transformar o que é ausente e invisível em algo que seja visível e tangível para que possa se proteger. Sendo assim as pessoas transformam angústia em medo, pois contra o medo conseguimos criar defesas psíquicas”, conforme relata o psicanalista Joel Birman.

Nossas reações, ao lidarmos com o inimigo invisível, que está fora e dentro, o nosso corpo transforma em objeto de pavor. Nosso senso de interpretação para os sinais corporais o qual temos convívio, pode apresentar um excesso de percepções sobre ele, por essa busca incessante de tornar visível, de alguma forma, o que é invisível.

O indivíduo cria sintomas, acredita que está sendo acometido pelos sintomas do vírus, que pode não ser verdade e sim resultado de uma resposta psicossomática. Não podendo deixar de mencionar o aumento das angústias que levam as pessoas aos rituais obsessivos, através da neurose de angustia, ou seja, estamos diante de um aumento de casos clínicos da chamada neurose traumática que está na gênese de todas as dimensões sintomáticas características, como uma forma de instrumento para tentar regular essa angústia devastadora.

Sendo assim, a busca por ajuda profissional se faz necessária quando o indivíduo não está conseguindo lidar com seus sentimentos. Vale ressaltar, que cada pessoa possui sua particularidade e estrutura emocional para lidar com as diversas situações, e a escuta analítica e o acolhimento do paciente são primordiais em minha atuação para que possamos trilhar o caminho para compreensão de suas emoções e sentimentos.

(*) Denise Ribeiro Ribas, psicóloga psicanalítica comtemporânea e  especialista em avaliação psicológica

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