Saúde e Bem estar

PÓS COVID - MIOCARDITE: a síndrome que afeta o coração

É dever de toda a sociedade permanecer ligada aos sinais do corpo, manter a rotina diária de atenção e dedicação à saúde

Rara Gente - Da redação
28/12/21 às 14h17
Dr. Ulisses Calandrin, cardiologista

A Covid-19 foi inicialmente entendida como umadoença pulmonar, porém, logo se percebeu que o vírus podia causar alterações em todos os órgãos do corpo, inclusive danos graves a algumas regiões específicas, como é o caso do coração.

Dentre as manifestações cardíacas pós-Covid-19 destacam-se os sintomas persistentes que podem incluir palpitações, dispneia e dor no peito, além das sequelas que podem se desenvolver em longo prazo como o aumento da demanda do metabolismo cardíaco, a fibrose miocárdica, as arritmias, as taquicardias e a disfunção autonômica.

No músculo cardíaco, o Sars-CoV-2, vírus responsável pela pandemia atual, tem uma ação direta e indireta. Em primeiro lugar, o patógeno pode se alojar ali e devastar as células do órgão. Segundo, o contágio gera uma resposta desmedida do sistema imune. Para realizar esse combate à inflamação, os vasos sanguíneos se dilatam com objetivo de levar mais sangue e, com ele, mais células imunológicas ao local. 

Assim, quando o corpo reage de maneira muito vigorosa e desenfreada, corre-se o risco de destruir tecidos saudáveis do coração e, desta forma, prejudicar o seu funcionamento. Diversas pesquisas e estudos estão em andamento para esclarecer essas e outras questões sobre a relação da Covid-19 com o coração, mas o que já se sabe até o momento, é que o vírus pode atacar diretamente o miocárdio, causando uma inflamação conhecida como miocardite.

O miocárdio é responsável pela contração do coração e, consequentemente, pelo bombeamento do sangue para o restante do corpo e ao ficar inflamado pode gerar uma diminuição do aporte sanguíneo. A miocardite não é uma condição necessariamente grave, mas, em alguns casos, leva à insuficiência cardíaca e gera arritmias.

A arritmia nada mais é do que um descompasso nas batidas que permitem o coração contrair para bombear sangue pelas artérias. Num momento de esforço, o órgão precisa trabalhar com muita rapidez e eficiência, já que aumenta a demanda por oxigênio e nutrientes. É exatamente nessa hora em que esse desajuste cardíaco pode aparecer.

Estima-se que uma situação como essa possa acontecer até 60 dias após o diagnóstico e a recuperação do Coronavírus. Outro transtorno relacionado à exacerbada resposta inflamatória devido à infecção é a disfunção no endotélio dos vasos sanguíneos, aumentando a resposta pró-coagulante, o que associado a menor oferta de oxigênio, contribui para formação de trombos nas artérias, aumentando o risco de trombose e infarto.

Ainda não é possível concluir se esses abalos na saúde serão permanentes e se a lista de sequelas, tanto cardíacas como de outros sistemas, tende a ser mais longa do que já foi revelado. Por enquanto, é dever de toda a sociedade permanecer ligada aos sinais do corpo, manter a rotina diária de atenção e dedicação à saúde. Além disso, o recomendado é que todos os pacientes acometidos pelo Coronavírus sejam acompanhados por um cardiologista após a fase crítica, para garantir uma recuperação adequada e segura.

(*) Ulisses Calandrin, cardiologista

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