A Covid-19 tem se mostrado uma doença com amplo espectro de gravidade, desde casos totalmente assintomáticos até quadros que cursam com Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG, e/ou outras complicações significativas que acometem diversos órgãos e sistemas.
Ainda não se sabe ao certo o que motiva a recuperação ser mais prolongada em algumas pessoas e mesmo pacientes com doença leve e sem história de hospitalização podem apresentar essa condição.
Alguns fatores, em trabalhos publicados, demonstraram situações que podem responder a recuperação ou pior desfecho clinico desses pacientes (GREENHALGH et al., 2020; MIKKELSEN e ABRAMOFF, 2021), sendo as causas que podem contribuir:
- Viremia persistente devido a resposta fraca ou ausente de anticorpos.
- Recidivas ou reinfecção.
- Reações inflamatórias imunológicas.
- Falta de condicionamento físico.
- Transtornos psicológicos e estresse pós-traumático.
- Idosos com doenças preexistentes.
- Casos com complicações médicas – pneumonia bacteriana e tromboembolismo venosos.
Embora as sequelas e as necessidade de reabilitação sejam mais evidentes nas pessoas que desenvolvem as formas graves da doença, os pacientes que apresentam forma leve e moderada podem apresentar sintomas persistentes mesmo após cessar a clínica respiratória, e podem também ter benefícios dos cuidados de reabilitação.
Estudos revelam que aproximadamente 10% das pessoas experimentam doença prolongada pós-Covid-19 (GREENHALGH et al., 2020). Essa porcentagem pode ser bem maior entre os que foram hospitalizados para tratamento, tendo sido relatado índices de até 80% (CARFI, A. et al. 2020; PAVLI A, et al., 2021) e 50% destes pacientes que necessitarão da continuidade dos cuidados após a desospitalização (MINAS GERAIS, 2020a; MINAS GERAIS, 2020b).
Foram identificados três grupos principais de pacientes com sintomas prolongados: Pacientes que tiveram SRAG - Síndrome Respiratória Aguda Grave, e persistem com sintomas predominantemente respiratórios, sobretudo a dispneia.
Geralmente, são aqueles com síndrome pós-terapia intensiva - ‘post-intensive care syndrome´ - PICS. Pacientes com doença multissistêmica, com acometimento cardíaco, respiratório, neurológico e/ou de outros órgãos, com manifestações clinicas diversas, sendo que alguns não chegaram a ser internados.
Pacientes com sintomas persistentes, muitas vezes dominados pela fadiga, mas sem evidências de lesões orgânicas (LADDS, et al., 2020). Os sintomas mais prevalentes em pessoas com Síndrome Pós-Covid são: fadiga ou fraqueza muscular, dispneia, necessidade de meio auxiliar de locomoção, algum grau de dependência para atividades de vida diária, dor, distúrbios do sono, disfunção cognitiva, ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.
A Covid-19 é uma doença com um padrão de sequelas crônicas que necessitam de acompanhamento especializado ao longo de semanas ou meses. A abordagem multidisciplinar é fundamental e de suma importância na reabilitação, com atuação de diversos profissionais a fim de somar a melhor estratégia de reabilitação para o precoce retorno do paciente às suas atividades habituais.
(*) Dra. Francielle Garcia Nascimento, infectologista
