Um exame de sangue comum nos laboratórios de análises clínicas pode ser hoje o principal marcador do processo de lesão decorrente da Covid-19: o Dímero D.
Este é um marcador de coagulação sanguínea que pode se elevar desde o estágio inicial da doença, momento em que os sintomas não são severos e que outros marcadores, como a contagem de plaquetas, tempo de protrombina - PT e tempo de tromboplastina parcial - PTT, ainda permanecem inalterados.
A identificação de alterações no Dímero D pode orientar a internação e o tratamento dos pacientes com anticoagulantes, e evitam a trombose. Isso porque o Dímero D é um produto formado no processo de degradação da fibrina - principal componente dos coágulos sanguíneos e o aumento de sua concentração, que está altamente relacionada ao grau de severidade da Covid-19.
Resumindo, este exame deve ser feito logo que houver um resultado positivo no teste RT-PCR. O aumento do dímero D é um achado laboratorial comum em casos de Covid-19, isso porque na tentativa do organismo de combater o vírus responsável pela doença, há liberação de grande quantidade de citocinas, o que provoca lesão nos vasos sanguíneos e ativa cascata de coagulação. Dessa forma, há ativação de grande quantidade de fibrina e, consequentemente, da via responsável por degradar essa proteína, aumentando os níveis de D-dímero circulantes.
Dessa forma o aumento dos níveis desse marcador no sangue podem ser indicativos de infecção e, dependendo dos valores, podem ser sugestivos de maior gravidade de Covid-19 e do risco de coagulação intravascular e trombose, sendo nesses casos necessário internamento. No entanto é importante também que sejam avaliados os níveis de fibrina, quantidade de plaquetas e tempo de protombina, e os sintomas apresentados pela pessoa.
(*) Isabela Xavier Mariano, bioquímica
