Saúde e Bem estar

PÓS COVID - DEPRESSÃO: o mal do século

Corpo e alma devem ser cuidados como um todo - devem andar juntos e em total sintonia

Rara Gente - Da redação
29/12/21 às 10h21
Sidnei Antônio Muniz, psicólogo especialista em Terapia Cognitiva Comportamental

A mudança brusca de rotina que a pandemia causou na vida e no trabalho das pessoas trouxe impactos também para a saúde mental. Quando antes a única preocupação era a saúde física, hoje se nota um crescente e evolutivo olhar para as doenças mentais.

Um levantamento feito pela UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com 1.460 pessoas em 23 estados, mostra que casos de depressão aumentaram 90% no intervalo de pouco menos de um mês, em meio as medidas de isolamento social e restrições para combater o novo coronavírus.  Embora os sintomas respiratórios sejam a face mais conhecida da Covid-19, também o estresse pós-traumático, depressão e ansiedade são problemas que acompanham as pessoas acometidas pela doença. 

Em artigo publicado na revista Frontiers in Immunology, pesquisadores do Instituto Oswaldo
Cruz - IOC/Fiocruz e da Universidade Federal Fluminense – UFF, discutem como o novo coronavírus pode afetar a saúde mental, apontando alterações neurais, imunes e endócrinas relacionadas à infecção e ao distanciamento social, o que pode contribuir para distúrbios psicológicos.

Há evidências de que o novo coronavírus seja capaz de infectar as células do sistema nervoso central, causando reações e sintomas ainda pouco conhecidos. A reação imunológica à infecção pelo vírus, marcada pela produção de grande quantidade de substâncias inflamatórias, pode ser um elo entre o patógeno e as manifestações psiquiátricas. 

Diversas evidências indicam que essas substâncias alteram a plasticidade neuronal - capacidade de formar novas conexões - sinapses, entre neurônios, e reduzem a produção de neurotransmissores – moléculas que enviam sinais químicos entre as células neuronais, funcionando como mensageiros. Além disso, o processo inflamatório intenso pode afetar a produção de alguns desses hormônios, como o cortisol, cujo desequilíbrio está associado a transtornos psiquiátricos, como ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão e outros.

A depressão pode afetar crianças, adolescentes, adultos e idosos, sendo a menor incidência nas crianças - cerca de 1% e a maior incidência em idosos na faixa de 60 a 64 anos 13,2%. As causas da depressão podem ser várias, sendo de natureza endógenas (fatores genéticos) e exógenas (fatores ambientais), como perda de um ente querido, problemas financeiros, perda de emprego, problemas conjugais, doenças graves, distanciamento social, sendo que a pandemia contribui para ao aumento dos transtornos psíquicos e mentais e outros.

É importante observar nos nossos entes queridos, as mudanças comportamentais e emocionais como: humor deprimido, isolamento social, descuido com a higiene, falta de interesse para fazer coisas que antes eram prazerosas, falta de energia e outras. Em situações assim, deve ser considerando a necessidade de auxílio de um profissional qualificado para proceder o devido diagnóstico e tratamento psiquiátrico e psicológico adequado. Cuidar da saúde mental de quem está ao nosso lado, é um ato de amor e respeito pela vida!

(*) Sidnei Antônio Muniz, psicólogo especialista em Terapia Cognitiva Comportamental

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