A fisioterapia tem atuado na linha de frente nos tratamentos da covid-19, desde o desenvolvimento da doença ao pós-covid. Assim que o paciente é avaliado de maneira global pela equipe médica, é encaminhado para a fisioterapia, e com base no estado clínico, é estabelecido um protocolo para o tratamento.
Entre as sequelas de pacientes que vivenciaram as limitações físicas, cognitivas ou psíquicas após a Covid-19 estão: fraqueza muscular e respiratória, fadigas, alterações de sensibilidades, lentificação do raciocínio e dos movimentos, estresse pós-traumático, entre outras complicações.
É importante ressaltar que essas sequelas independem da idade. Segundo a iniciativa do Reino Unido, Coro-Nerve Group - grupo de pesquisadores que investiga as características neurológicas da Covid-19, no prontuário médico dos pacientes de Pós-Covid que deram entrada em hospitais, ambulatórios e consultórios, foi possível notar sintomas e quadros avançados de acidentes vasculares, hemorragias intracerebrais e trombose no seio venoso.
Sabemos que os portadores de doenças cardiovasculares infectados pelo coronavírus são um grupo de risco que merecem um acompanhamento de perto. Caso estes não recebam a orientação adequada podem desencadear alterações graves, e isto ocorre em consequência do estado inflamatório ocasionado pelo vírus - levando à instabilidades vasculares e miocárdicas.
A contribuição da fisioterapia nos tratamentos desta doença tem sido fundamental para a reabilitação destes pacientes e outros com complicações cardiorrespiratórias, fraquezas musculares, neurológicas e etc. As atividades propostas para o tratamento envolvem o uso de aparelhos específicos para trabalhar as musculaturas respiratórias, aliado aos exercícios físicos leves. Se o caso for grave poderá ter um protocolo com movimentos articulares, alongamentos e estimulação elétrica neuromuscular - FES.
Desse modo, é importante lembrar aos familiares dos pacientes acometidos pela doença, que é preciso buscar, e ter acesso às informações necessárias, e assim detectar os sintomas nos primeiros sinais, para que haja o encaminhamento à uma equipe multidisciplinar, não só para fisioterapeutas, mas a outros profissionais de saúde como: fonoudiólogos, neurologistas, cardiovasculares, entre outros.
Por fim, é necessário frisar, que a classe médica em geral e cientifica, trabalham com evidências, não sendo possível estabelecer um diagnóstico e um tratamento concreto para a Covid-19, pois, apesar de lidarmos com a doença há quase dois anos, ela ainda encontra-se em objeto de estudo.
(*) Tancredo Araújo, fisioterapeuta, especialista em reabilitação e RPG
