Saúde e Bem estar

O que aprendemos com o ensino remoto?

Os ensinos à distância e híbrido nos trouxeram muitas lições, mas também muitos questionamentos. Como será a educação daqui para frente?

Rara Gente - Da redação
15/12/21 às 10h30

O ensino remoto caiu de paraquedas em boa parte das instituições de ensino durante a pandemia. Antes, as aulas eram totalmente presenciais, e mesmo que algumas escolas utilizassem meios tecnológicos para ensinar, esses meios ainda não eram uma regra geral.

Por isso, quando nos vimos em um distanciamento social, foi preciso mudar muitos aspectos para nos adaptarmos à novidade. Por exemplo, o Conselho Nacional de Educação aprovou um parecer que possibilitou o cômputo de horas não presenciais para cumprir a carga horária do ano letivo, e isso fez com que as escolas começassem o ensino remoto. 

Mas essa nova realidade trouxe cada vez mais questionamentos e transformações. E, agora, enquanto algumas escolas começam a reabrir as portas para as aulas presenciais, falamos sobre ensino híbrido. Ou seja: o ensino remoto se tornou uma realidade que veio para ficar. Entre benefícios e dúvidas, ele resolveu problemas importantes - e trouxe mais questionamentos.

NOVO EDUCADOR

Doutor em Comunicação pela UNIP – Universidade Paulista, coordenador dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da AEMS – Faculdades Integradas de Três Lagoas e professor de redação e Língua Portuguesa no Ensino Médio, Rafael Furlan Lo Giudice, possui mais de dez anos de experiência em sala de aula. 

Ele conta que nesse cenário de profunda transformação, a educação também exige um novo educador. “Já trabalhei em um curso de ensino à distância, porém, o ensino híbrido é diferente. Estar à frente deste sistema, conhecendo as novas plataformas foi desafiador no primeiro momento, porque eu não tinha essa experiência, tivemos que nos adaptar”.
“Deu medo? Claro, para todos, mas foi um processo enriquecedor que tirou os professores da zona de conforto e questionou a cada um: ‘o que você tem de novo para oferecer? ’”.

Nesse momento de profunda transformação, o novo educador deve atuar como peça central para permitir que o aluno se adapte de forma a acompanhar toda a dinamicidade pós-pandemia. Agir com coerência, envolver o estudante, adaptar as práticas pedagógicas e proporcionar experiências educacionais relevantes são algumas atividades essenciais para reduzir todas as eventuais lacunas no aprendizado que possam ter se originado com a pandemia.

Conhecendo novas ferramentas, utilizando sites diferentes e estudando sobre metodologias ativas, os professores começaram a repensar esse modelo de aula. De tal forma que, agora, muitos veem as grandes vantagens do ensino híbrido, especialmente para adolescentes.

“A minha maior adaptação nesse período foi a gestão do tempo, conseguir controlar o meu tempo, ‘prender’ a atenção do aluno na minha aula, principalmente nesse momento que ele é um protagonista. Inverteram-se os papéis, falavam-se muito em sala invertida, metodologias ativas. A pandemia veio para ressignificar muitas coisas”.

Além disso, conforme o educador, o acesso à informação ajuda a criar um ambiente de pesquisa e debate que desenvolve as competências mais importantes para o futuro, como o pensamento crítico e a criatividade. “Hoje você consegue perceber que o ensino híbrido, abriu oportunidades para conhecer cada vez mais o aluno: ele esta ali ao mesmo tempo acompanhando um site com você,  contribuindo, colaborando. Foram pequenas adaptações, mas grandes conquistas nessa área”, diz Rafael.

NA VISÃO DELES

Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Educação a Distância – ABED, sobre as atividades remotas na educação durante a pandemia mostra que essa adaptação não tem sido fácil. De acordo com o levantamento, 67% dos alunos se queixam de dificuldades em estabelecer e organizar uma rotina diária de estudos.

O levantamento, feito entre agosto e setembro de 2020 com 5.580 estudantes, professores, pais e/ou responsáveis e dirigentes de instituições de ensino públicas e privadas do país, mostra que 60,5% dos estudantes participam de quase todas as atividades do gênero oferecidas pela escola, mas 72,6% consideram que o estudo remoto é pior na comparação
com as aulas presenciais.

Os estudantes também relatam outros problemas no formato, como sobrecarga e saudade da rotina escolar. Para 82,6% dos alunos, a falta do contato presencial com amigos afeta os estudos e a aprendizagem. Para 58,3% deles, a escola manda muitos materiais e eles relatam que não estão dando conta de estudar.

Aluno do ensino médio de rede pública federal, Nathan Manssur, de 17 anos, diz que não se adaptou ao novo formato e era mais focado durante as aulas presenciais. “Não fui ensinado a fazer atividades e acompanhar aulas online, já fiz cursos de inglês que tinham um sistema de atividades remotas e eu não me dei bem. Preferia as aulas presenciais, pois lá conseguia focar mais, e quando se está na escola é difícil procrastinar, remotamente é complicado”, diz.

Para Emily Lima, de 20 anos, estudante de Biologia da UFMS - Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, a falta das aulas presenciais e aulas práticas deixaram uma defasagem no aprendizado. “Principalmente em relação às aulas práticas no laboratório, não tem como fazer uma preparação citológica em EAD nem nada do tipo. O ponto positivo é que a maioria dos alunos conseguiu conciliar a faculdade com algum serviço ou estágio, uma vez que nosso curso é integral e também a disponibilidade de recursos em plataformas para nos auxiliar. Mas no geral, acho que há poucos pontos positivos em relação aos negativos”, observa.

Quando perguntado ao Nathan se voltaria a fazer novos cursos remotos ou híbridos a resposta do estudante do ensino médio foi sincera: “Sinto falta do ensino 100% presencial, pois, gosto de tirar duvidas de maneira mais dinâmica, ouvir o professor e acompanhar com clareza, e depois ainda ter um tempo para conversar com os colegas. Acho uma responsabilidade grande aprender online, talvez algum dia eu fi que responsável o sufi ciente, o lado bom é que você tem mais liberdade, no meu caso eu uso dessa liberdade como forma de procrastinar”, confessa.

Quanto a Emilly, ela diz que investirá futuramente no modelo para ter mais tempo e poder conciliar com a carreira. “No geral não gostei muito do ensino online, mas tentaria uma pós-graduação online sim, já que conseguiria conciliar a vida pessoal/ trabalho com a pós”, finaliza.

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