Saúde e Bem estar

Nossa fome é de comida? Saiba quando uma atitude prazerosa se transforma em vício

Veja como não cair nas armadilhas da compulsão alimentar

Bruna Taiski
09/07/19 às 08h00

Não é difícil perder o controle diante da feijoada de sábado, do macarrão da mama ou da pizza com os amigos. No entanto, é comum depois do terceiro ou quarto prato, sermos tomados de arrependimento e prometer - a si mesmo, que iremos comer só saladinhas durante a semana inteira – Quem nunca?

Há indivíduos, porém, que perdem o controle quando começam a comer. Esses são capazes de ingerir 5 mil ou 6 mil calorias numa única refeição. São os comedores compulsivos, pessoas que precisam de ajuda profissional para superar tal dificuldade. Mas essa fome está relacionada apenas aos alimentos? Descubra nessa matéria e conheça os principais fatores que desencadeiam a Compulsão Alimentar.

FALTA DE CONTROLE

Diferente dos animais, nós não vemos os alimentos apenas como fonte de nutrientes - a comida está presente em nossas cerimônias culturais e tem muita relação com nossas emoções.

Assim, sair da rotina no fim de semana ou comer com exagero na festa de natal nem sempre significa compulsão. Quem enfrenta episódios de compulsão alimentar ingere grandes quantidades de comida em pouco tempo (menos de 2 horas), geralmente sozinho e sem fome. Depois, costuma sentir grande desconforto com o aumento no volume do estômago, e muita culpa em consequência do descontrole.

É muito importante reconhecer os sintomas da compulsão e saber como ela funciona, pois, se trata de um distúrbio cerebral com causas diversas. Embora muitas pessoas encarem esse problema como falta de disciplina ou força de vontade, essa não é a melhor abordagem para ajudar quem sofre com ele.

“Pacientes com TCA relatam que comem mesmo sem fome; tem dificuldades em parar de comer; sensação de culpa após o "assalto"à geladeira ou dispensa; consumo de alimentos estranhos como arroz cru, pote de manteiga, feijão gelado com queijo, etc. Comer muito rápido; se alimentar escondido, prazer imensurável ao comer; às vezes têm pouca preocupação com o peso, são alguns dos sintomas”, diz a Nutricionista Funcional, Pâmela Camargo.

Geralmente, não há apenas um fator relacionado aos distúrbios alimentares. Além da herança genética, aspectos ambientais e emocionais podem influenciar o desenvolvimento desses problemas. Pessoas do gênero feminino, principalmente adolescentes, costumam ser as vítimas mais frequentes. Isso acontece porque esses grupos são mais cobrados em relação ao padrão de beleza e à magreza.

“Fome é algo fisiológico. Nossa fome depende de diversos fatores, dentre eles são o gasto energético diário. O fato é que geralmente, sabemos quando estamos ansiosos, e para suprir essa necessidade comemos sem mesmo ter a tal fome fisiológica. Geralmente essa necessidade são por carboidratos ou por qualquer tipo de alimento”.

DIFICULDADES EMOCIONAIS

Diversas questões emocionais podem estar relacionadas à compulsão alimentar, pois, a comida muitas vezes é usada como suporte emocional. Assim, é comum que algumas pessoas descontem nos alimentos alguma frustração, tristeza, ansiedade ou estresse. Há também a ideia da recompensa, por exemplo: a pessoa comemora comendo coisas gostosas quando recebe uma notícia positiva ou consegue cumprir uma meta.

Segundo a nutricionista, a compulsão alimentar também pode estar relacionada com transtornos de imagem corporal e até disfunções hormonais. Patologias como: ansiedade, depressão e bulimia, podem a favorecer. Além disso, é comum em quem apresenta sentimentos de baixa autoestima ou vivenciou algum trauma na infância, ou adolescência.

Infelizmente, todos os dias surgem na mídia indicação de novas dietas milagrosas, medicamentos que prometem emagrecimento fácil e rápido. Além disso, é comum que essas matérias venham acompanhadas por fotos de modelos e atrizes famosas, associando a magreza ao sucesso e bem-estar. Com isso, muitas pessoas ficam obcecados em mudar o próprio corpo.

Esse é um risco ainda maior entre o público adolescente. Nessa idade, a estrutura emocional ainda está em formação. Com isso, as pessoas ficam mais vulneráveis à opinião dos outros e aos padrões impostos socialmente. A pressão excessiva por controlar a alimentação e o peso pode gerar episódios de compulsão.

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CICLO PSICOLÓGICO

.  Um evento, chamado de gatilho emocional, acontece. Pode ser uma briga com a amiga, um problema com os filhos, desentendimentos no trabalho.

. Começa uma resposta emocional intensa. Você fica muito triste, sente muita raiva, ou muito medo.

. O cérebro entende que precisa neutralizar esse sentimento a tudo custo e da forma mais rápida possível.

. Você recorre à comida, muitas vezes sem nem estar com fome, e nem percebe que comeu mais do que o necessário para te satisfazer.

. Apesar do alívio inicial, o comportamento pode gerar o sentimento de culpa, que provavelmente fará você comer ainda mais. Ou mascarar a emoção intensa, o que pode fazer com que ela volte com tudo quando você menos esperar.

HORMONAL

Muitos também têm sistemas hormonais alterados por hábitos errados cronicamente, resultando em mau funcionamento metabólico, vícios e compulsões compensatórias como fonte de prazer e energia. É o caso do estresse, outro fator importante. A pessoa come para ficar menos estressada, acaba ficando mais estressada por ter comido demais e volta a comer para diminuir o estresse. Administrar o estresse é uma parte bem importante para o controle da compulsão alimentar.

“O fato é que a sensação de fome é rigidamente controlada por hormônios e neurotransmissores no organismo. Existem três importantes hormônios: Grelina, leptina e insulina. Todos agem na fome/saciedade e de forma direta e indiretamente estão ligados com a TAC”.

E como tudo isso funciona no nosso corpo? A ‘nutri’ explica. “Grelina: o hormônio da fome ou mesmo hormônio da satisfação – é liberada a partir do trato gastrointestinal. A insulina pode ter um efeito estimulante ou de supressão do apetite, isso depende do ambiente. Já a leptina modula uma cascata de hormônios do apetite e é muito importante para o equilíbrio hormonal. Sendo assim, caso algum desses três principais hormônios estejam desregulados, podem aumentar ou até mesmo auxiliar no surgimento da compulsão alimentar”, conta.

Com as consequências, conforme ela, vem o ganho de peso, as patologias associadas como problemas cardiovasculares, hipertensão, diabete e dentre os problemas mentais a bulimia e depressão.

PROCURANDO AJUDA

Se você se identificou com o ciclo, talvez seja a hora de recorrer a um especialista. Somente ele poderá ajudar a entender por que isso ocorre e qual a melhor forma de resolver. Na terapia, a pessoa compreende o que está por trás da sua relação com a comida e aprende novas formas de lidar com suas demandas emocionais.

“A cura depende de diversos fatores. Pacientes com TCA precisam tratar a causa do problema, que geralmente é psicológica. Por isso é imprescindível o auxílio de uma equipe multidisciplinar. Além do tratamento psicológico, a prática de atividade física, dieta sem restrições excessivas e a suplementação adequada de nutrientes podem auxiliar no tratamento e cura da TCA”.

“Além dos exercícios mentais prescritos pelo profissional psicólogo/psiquiatra, fazer caminhadas ao ar livre e andar de bicicleta são exercícios associados ao tratamento. A compulsão alimentar é um grande desafio, mas não é impossível vencê-lo”.

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