O dia a dia da maioria das pessoas é sempre muito corrido. A rotina começa logo cedo. Quando o celular toca despertando para um novo dia, é hora de ir trabalhar; ou de levar os filhos para a escola; ou cuidar da casa; ou hora de fazer tudo isso de uma vez só. Contudo, muitas pessoas têm dado atenção especial à saúde - quando o assunto é exercício físico - apesar de todos os afazeres diários.
É possível observar que as academias estão cada vez mais cheias de pessoas que buscam melhorar a estética corporal ou, simplesmente, adquirirem melhor resistência. Há aqueles que “malham” com o intuito de aliviar o estresse - já que os hormônios que causam bem-estar são liberados a cada prática de exercício físico. Entre eles as endorfinas - substâncias bioquímicas analgésicas que ajudam a aliviar dores e a regular as nossas emoções. Ao serem liberadas, as endorfinas trazem relaxamento para o corpo inteiro - o que provoca a sensação de prazer e bem-estar.
Mas, o que muitos não sabem é que tão importante quanto exercitar o corpo é exercitar o nosso cérebro. Isso mesmo. O cérebro. Isso é possível através da prática diária de exercícios que o estimulam. O cérebro funciona como uma poupança - quanto mais cheio, “mais rico fica”. Essa prática tem nome: neuróbica - palavra que nos leva a lembrar de aeróbica, não é mesmo?
O termo neuróbica foi criado pelo neurocientista norte-americano - Lawrence Katz - e seu principal objetivo é prevenir atrofias cerebrais - bem como, panes - através de exercícios que podem ser praticados no dia a dia, sem que se leve muito tempo para isso. O cientista explica que, apesar de o cérebro não ter músculos, ele é, de certa forma, um “elástico” - o que permite a eficácia dos exercícios. Os resultados? Ele passa a funcionar melhor. A neuróbica trabalha: o foco, a disciplina, a atenção e, ainda previne doenças neurológicas - como o Alzheimer.
Na prática, a neuróbica consiste na inversão da ordem de alguns movimentos comuns do nosso dia a dia, alterando nossa forma de percepção e sem mudar a nossa rotina. Os exercícios são simples e existem várias opções - entre elas: ler ao contrário; olhar uma fotografia virada para baixo; andar para trás; trocar-se com os olhos fechados ou dar um bom-dia ao vizinho que nunca o cumprimenta. Essas pequenas ações mexem com os aspectos físicos e mentais do nosso corpo e ajudam a estimular a produção de nutrientes no cérebro, que permitem torná-lo mais desenvolvido e mais saudável.
A neuróbica pode ser praticada por pessoas de todas as idades - desde crianças que, porventura, não consigam prestar atenção em determinadas tarefas - a adolescentes, adultos e idosos.
Especialistas acreditam que, quanto mais cedo o cérebro for trabalhado, por meio de exercícios, menos chances o indivíduo terá de perder a memória ou desenvolver doenças. Cérebro fortalecido é quase que sinônimo de vida longa e saudável.
Contudo, a neuróbica sozinha não pode fazer milagre; é preciso associar os exercícios para o cérebro a uma vida saudável, com a prática de exercícios físicos e alimentação balanceada.
Já ouvimos muito falar que somos o que comemos. Essa frase, apesar de clichê, faz muito sentido. Estudos realizados pela USP - Universidade de São Paulo - mostram que, ter atenção ao que se coloca no prato também é um exercício diário que colabora com a saúde do cérebro. Gorduras boas, ovos, frutas roxas e vermelhas e vitaminas do complexo B são os ingredientes que fazem a festa das células cerebrais.
Conforme o estudo, um dos mais importantes grupos tem relação direta com a constituição do cérebro. Prova disto é que 60% dele são formados por tecido gorduroso e, é justamente por isso, que é de suma importância o consumo de ômega 3, encontrado no salmão, na sardinha e na linhaça.
Os ovos - que ganharam destaque no consumo saudável nos últimos tempos - também são considerados alimentos que fazem bem para o nosso cérebro. A colina, presente na gema, ajuda a sintetizar a acetilcolina - importante neurotransmissor responsável pela memória e cognição.
Frutas vermelhas e arroxeadas, como a amora, a uva e o próprio vinho tinto são antioxidantes e protegem o Sistema Nervoso Central do envelhecimento. Vitaminas do Complexo B, por sua vez, auxiliam no desenvolvimento dos neurônios. São encontradas no feijão, na lentilha, nos alimentos integrais e na carne vermelha.
Especialistas explicam que não é possível aumentar a capacidade do nosso cérebro; porém, os exercícios praticados no dia a dia ajudam a ativar áreas do órgão que deixaram de serem usadas por falta de treinos. A neuróbica não é capaz de devolver a uma pessoa de 40 anos o cérebro que tinha aos vinte; mas, pode ajudar a acessar o arquivo de memórias. Isso, porque, só é possível estimular o cérebro se ele for exercitado.
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