Saúde e Bem estar

Linda na menopausa

O guia definitivo para se sentir bem e radiante na pré-menopausa, na menopausa e depois dela

Rara Gente - Da redação
26/12/21 às 13h58

Ela é sorrateira, traiçoeira e adora uma surpresinha. A perimenopausa - fase que antecede a última menstruação da vida - costuma chegar de repente, instalar sintomas desconfortáveis, provocar mudanças musculoesqueléticas, além de castigar a pele do rosto, do corpo, das mucosas, urogenitais. 

E, apesar de a maioria relatar sintomas por volta dos 45 anos, pode começar bem antes, aos 35, e durar outros 15 até chegar à menopausa em si - decretada oficialmente após 365 dias sem ocorrência de menstruação.

Mesmo que ainda não sofra com os efeitos da menopausa, pode ser que já tenha observado algumas mudanças na sua beleza que acontecem em decorrência das variações hormonais que acompanham este período da vida da mulher.

Isso acontece, pois, os hormônios que influenciam durante toda a nossa vida deixam de ser produzidos aos poucos pelo organismo de forma natural. Com isso algumas características dos músculos, pele, unhas e cabelos se modificam, fazendo com que você precise se adaptar e escolher novos produtos e tratamentos para aproveitar o melhor da sua beleza. Mergulhe no universo da menopausa e descubra como manter a beleza - em todos os aspectos -nesta época de tantas mudanças no corpo.

HORMÔNIOS X BELEZA

Dr. Eneias Cano, ginecologista e obstetra, explica que com a diminuição da produção dos hormônios femininos, uma série de sintomas começa a aparecer, tais como insônia, alterações do humor, diminuição da libido, etc. 
E é aí que surgem as dúvidas quanto à necessidade da reposição hormonal. “Reposição hormonal, ou modulação hormonal, nada mais é que a tentativa de restabelecer o fisiológico dessa paciente antes da menopausa, ou seja, tratar aqueles sintomas que ela apresenta.

A reposição hormonal pode ser realizada por administração local - vaginal, ou sistêmica – oral e transdérmica. O médico lembra que a dose, o tempo de uso, a via de administração e os hormônios utilizados devem ser individualizados de acordo com a avaliação médica criteriosa e com base nas expectativas e queixas da mulher. “Algumas mulheres possuem patologias onde não podem usar determinada reposição com determinado hormônio. Durante as consultas elas recebem estas orientações”, diz o ginecologista.

Para o médico, o tipo e a intensidade dos sintomas é que definirão a necessidade ou não de tratamento. Por exemplo, se o principal sintoma for insônia, a mulher poderá usar um tranquilizante ou um indutor do sono. “Existem vários tratamentos para pacientes na menopausa, podemos encará-la e tratá-la de muitas maneiras. Usando tratamento medicamentoso, fitoterápico, implantes hormonais, tudo isso irá depender da intensidade da menopausa”.

Fundamental destacar que muitos dos efeitos adversos da TRH - Terapia de Reposição Hormonal, estão relacionados à dose hormonal; por isso, a tendência é que estas sejam cada vez mais baixas, para diminuir os riscos. “O hormônio só traz efeito colateral em duas situações: ou em caso de excesso ou em falta”, pontua o médico.

Mas afinal, como a reposição hormonal pode ajudar no fator beleza? Dr. Eneias é direto e diz que mesmo com as mudanças na beleza exterior, a maior renovação proporcionada pela terapia é o bem-estar emocional. “Muitas mulheres tem além da beleza física, uma beleza interior que elas infelizmente não veem.

A reposição hormonal auxilia na autoestima, onde ela se sentirá linda - física e emocionalmente outra vez. Nós restabelecemos os níveis hormonais que ela tinha antes de entrar na menopausa, teoricamente isso irá diminuir os sintomas que a incomodam e influenciar na sua beleza, sua autoconfiança”.

MUITO PRAZER, MENOPAUSA!

Antes de tudo, vale deixar claro que “A menopausa cessa a capacidade reprodutiva do corpo da mulher, mas não termina com a capacidade de ter orgasmo e prazer sexual”. Quem diz isso é a sexóloga Izabel Eilert, que complementa ainda com outra verdade: “saber manter e cuidar de sua vida sexual é um direito da mulher por toda a vida”.

Dito isso, soa estranho que a menopausa seja tão diretamente associada ao fim do desejo sexual. Acreditar nesse mito pode ser resultado daquele conjunto de mudanças que surgem durante o período: ocorrem modificações que refletem diretamente na vida íntima, como por exemplo, a mudança na lubrificação vaginal, o ressecamento da pele e o aumento de peso.

Dr. Eneias afirma que a falta de estrógeno pode comprometer o desejo, além de causar dificuldade para ter relações sexuais, devido ao ressecamento vaginal, que provoca dor. Todavia ele ressalta que “Todos esses aspectos podem aparecer na menopausa afetando diretamente a vida sexual da mulher, mas não significam o fim do prazer erótico, dos orgasmos e do prazer sexual”.

O importante nesta fase é não descuidar da saúde e manter as visitas ao seu ginecologista em dia - é ele quem diz se há necessidade de uma reposição hormonal, por exemplo. O ginecologista também lembra a importância de cuidar do seu próprio bem-estar: “Pratique exercícios físicos e invista na hidratação”.

GANHO MUSCULAR

As variações hormonais comuns dessa etapa biológica da vida da mulher afetam a saúde em diversos aspectos. São também comuns mudanças alimentares, menos disposição, a memória é afetada, queda de cabelo, alterações emocionais surgem e a saúde dos ossos fica comprometida.

Porém, a perda de massa muscular na menopausa afeta principalmente a mobilidade, força e qualidade de vida da mulher. Afinal, há maior dificuldade para executar as tarefas cotidianas. Ademais, a perda de massa muscular reduz o metabolismo e consequentemente, aumento da gordura abdominal e ganho de peso. Assim como se torna mais difícil gerenciar o peso e emagrecer.

Pode parecer repetitivo, mas os hábitos saudáveis como uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios podem trazer ótimos resultados. Além de frear a perda de massa muscular na menopausa, é possível ganhar massa magra. Confira essas e outras dicas dadas pelo Dr. Drauzio Varella, que podem trazer benefícios, antes, durante e após a menopausa.

ALIMENTAÇÃO BALANCEADA

Com a ajuda de um nutricionista, é possível montar um planejamento alimentar adaptado às necessidades do corpo que está prestes a entrar na menopausa. Assim como realizar as devidas alterações na alimentação da mulher que estiver nessa fase. A reeducação alimentar, muitas vezes, é a aposta dos médicos.

A soja e a linhaça, por exemplo, ajudam a amenizar os sintomas. Dietas nutritivas com frutas e legumes são essenciais. Assim como a ingestão de proteínas. Neste último caso, pesquisas demonstraram que é possível conseguir a manutenção da massa muscular com uma dieta rica em proteínas.

PRÁTICA REGULAR DE EXERCÍCIOS

A prática regular de atividades físicas estimula o ganho de músculos e a sua manutenção. A musculação pode ser combinada com exercícios aeróbicos. A rotina deve ser orientada por educadores físicos e profissionais da saúde. 
Outra opção que pode ser incluída são os exercícios de resistência - corrida, pular corda, polichinelos - que também têm a capacidade de prevenir a perda de massa muscular na menopausa.

PELE, CABELOS E UNHAS

O climatério causa dois efeitos muito evidentes sobre a pele que afetam diretamente a sua rotina de beleza. O ressecamento da derme e a perda de elasticidade. O resultado é que, muitas vezes quem passou a vida inteira tentando controlar a oleosidade passa a lidar com uma superfície ressecada e frágil, com mais tendência ao rompimento e sensação de repuxamento.

Para combater esses problemas é importante investir em hidratantes potentes, que dão mais maleabilidade à derme. Com isso você consegue diminuir a aparência das rugas e devolver o brilho e o viço à pele.

MUDANÇAS NOS CABELOS

Não é só a pele que se modifica com a chegada da menopausa. O cabelo também se transforma. Os principais efeitos são a intensificação da queda e o afinamento dos fios em função da perda da massa capilar. Tudo isso tende a trazer mais frizz e volume descontrolado aos cabelos, o que pode incomodar quem já sofre com fios rebeldes. As suas madeixas também sofrerão com o ressecamento, do mesmo jeito que a pele, deixando os fios ainda mais fragilizados.

Para combater estes problemas é essencial que você abuse das máscaras capilares com propriedades hidratantes e repositoras de massa capilar. Este cuidado ajuda a recuperar o volume, brilho e maleabilidade dos fios. Muitas mulheres também podem sofrer com a alopecia androgenética feminina, problema causado pela baixa dos hormônios femininos, responsável pela calvície. Tratamentos hormonais e tópicos podem ser aplicados nestes casos, mas consultar um médico tricologista ou ginecologista é essencial para a eficácia do tratamento.

Uma mudança especialmente incômoda é o surgimento de pelos no rosto e a queda hormonal também é responsável por este sintoma. Recorrer à depilação definitiva através de procedimentos como o laser ou a eletrólise é uma forma de contornar o problema.

UNHAS APÓS A MENOPAUSA

Não são só a pele e cabelos que apresentam mudanças em função da menopausa. As unhas também ficam enfraquecidas e ressecadas em função das mudanças hormonais que acontecem neste período. O resultado é visível: as unhas ficam mais quebradiças e frágeis, tornando cada vez mais difícil a missão de deixar as garras longas. 

Reforçar a hidratação e a alimentação, com alimentos ricos em vitamina A, C e E ajuda a fortalecer cabelos e unhas, melhorando a aparência de ambos. Além disso, é possível utilizar fórmulas fortificantes e hidratantes para ampliar as possibilidades de recuperação das unhas. Muitas bases e esmaltes já possuem essas propriedades.

Usar removedores de esmaltes sem acetona e deixar pausa de uma semana a cada troca de esmaltes - sobretudo os de longa duração - são formas de evitar o agravamento dos problemas
nas unhas causados pela menopausa.

NOVO SIGNIFICADO

Não podemos esquecer que mesmo com todas essas dicas, ainda é preciso ressignificar a visão que temos deste período. Quando se fala em menopausa, as primeiras coisas que vêm à mente são os calores, a perda de libido e o ressecamento vaginal.

Mas algumas mulheres têm olhado positivamente para outros pontos que também são parte do fenômeno: o fim da menstruação - e tudo que vem com ela - e da possibilidade de engravidar. Pesquisadoras - sim, no feminino mesmo - também têm se debruçado sobre o tema a partir desse novo viés. “A menopausa não é um problema médico, mas uma transição para um estágio de vida pós-reprodutivo que se configura em uma característica adaptativa quase única de nossa espécie”, explica a professora Susan Mattern, uma historiadora da Universidade de Geórgia, nos Estados Unidos, em entrevista à Revista AzMina.

A tese de Susan é de que, ao longo da evolução humana, as tribos de caçadores-coletores precisaram de membros capazes de colaborar para o bem-estar de toda comunidade e que, ao mesmo tempo, não trouxessem novos integrantes para o grupo. 

Essas pessoas eram, portanto, as mulheres em fase pós-reprodutiva, que, com sua experiência, podiam realizar tarefas essenciais ao coletivo e contribuir com a preservação de tradições e da cultura, sem estarem gerando filhos. “Se começássemos com essa premissa, que é a visão de consenso entre os antropólogos hoje, veríamos que a menopausa é uma solução, não um problema”, acrescenta ela.

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