O leite é o primeiro alimento ingerido após o nascimento, não só pelos humanos, mas também por todos os mamíferos em geral. Antes mesmo da água, ele é o alimento que faz parte da nossa dieta, indicado como único necessário até os seis meses de idade.
Estima-se que, em todo o mundo, mais de seis bilhões de pessoas consumam leite e seus derivados. Esta informação é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. De acordo com o Ministério da Saúde, o aleitamento materno reduz em até 13% a mortalidade infantil até os cinco anos de idade. Além disso, a amamentação exclusiva com o leite da mãe evita diarréia, infecções respiratórias e ainda diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão. Os riscos de a criança desenvolver obesidade também diminuem. Tudo isso sem contar ainda o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e bebê.
A água é o que compõe cerca de 90% do leite. O restante é uma combinação de diversos elementos sólidos dos quais fazem parte os lipídios – que seria a gordura – carboidratos, proteínas, sais minerais e vitaminas.
Com certeza todo mundo já ouviu da mãe ou da vó que “É preciso tomar leite porque é um dos alimentos mais completos que existe”. Elas não estão erradas. A nutricionista Juliana Prado Moreira esclarece que nenhum alimento é completo em nutrientes, por isso todos eles são importantes para a composição de uma dieta. “Como estamos falando de um alimento muito rico em cálcio, proteínas e vitamina B12, em uma dieta é muito difícil fechar as recomendações diárias destas substâncias sem incluí-lo.
Apesar de toda a sua importância, há atualmente toda uma polêmica em volta do consumo do leite. Além de correntes de pensamento que são contra a ingestão de qualquer substância que seja de origem animal, algumas pessoas argumentam que os seres humanos são os únicos mamíferos que continuam consumindo leite mesmo depois de adulto e que isso não seria necessário.
Juliana explica que o leite é considerado também um dos alimentos mais alergênicos. A explicação é que tudo aquilo que é consumido diariamente, a longo prazo, pode contribuir para o desenvolvimento de uma sensibilidade alimentar.
Uma das dificuldades que o consumo prolongado de leite pode causar é a intolerância à lactose. Trata-se de um distúrbio digestivo que está associado à baixa ou nenhuma produção de lactase pelo intestino delgado. A lactase é uma enzima que está presente de forma natural no corpo humano e é responsável pela digestão da lactose, que é o açúcar presente no leite.
A principal consequência disso é que o leite chega ao intestino grosso inalterado. Ali ele se acumula, fermenta devido à presença de bactérias que fabricam o ácido lático e alguns gases. Tudo isso pode causar uma série de sintomas desagradáveis como: flatulência, cólicas, diarreia ou intestino preso, acnes, sinusite, enxaqueca e refluxo, segundo a nutricionista.
Algumas pesquisas apontam que pelo menos 70% da população brasileira apresenta algum grau de intolerância à lactose, que pode ser leve, moderada ou grave. A intolerância pode ser ainda dividida em tipos:
CONGÊNITA
- A criança nasce sem condições de produzir lactase devido a um problema genético. Esta é a forma mais rara de manifestação, porém é crônica.
PRIMÁRIA
- É a diminuição natural e progressiva na produção de lactase. Esta é a forma mais comum, pode se manifestar a partir da adolescência e ir até o fim da vida.
SECUNDÁRIA
- Causada quando a produção da lactase é afetada por algumas doenças intestinais como síndrome do intestino irritável, doença de Crohn, doença celíaca. A intolerância pode ser temporária e desaparece uma vez controlada a doença inicial.
O diagnóstico inclui, além da avaliação clínica, exame específico para a intolerância, teste de hidrogênio na respiração e teste de acidez nas fezes. O tratamento é feito através de mudanças na dieta e ingestão de alguns medicamentos. Inicialmente os alimentos que possuem lactose são retirados da alimentação e posteriormente reintroduzidos de forma gradativa para verificar a quantidade que pode ser digerida pelo organismo.
Para que o corpo não fique sem nenhuma fonte de cálcio, Juliana recomenda que sejam feitas algumas substituições com alimentos cuja absorção é mais fácil e que também são fontes destes nutrientes como: gergelim, couve, brócolis, espinafre, tofu, feijão branco, avelã, castanhas do Brasil, soja e amêndoas.
ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DA VACA
A alergia à proteína do leite - APLV, é considerada uma das causas mais comuns e a principal quando o assunto é alergia alimentar. O surgimento é muito mais evidente na infância, quando o sistema imunológico dos bebês reage contra as proteínas do leite.
Além de reações na pele - urticária, coceira e vermelhidão, este tipo de alergia causa ainda inchaço na boca, na língua e no rosto. Os sintomas costumam aparecer imediatamente após o consumo ou em até duas horas depois.
Algumas pessoas podem manifestar outros sintomas tardiamente à ingestão do leite ou de seus derivados e dentre eles estão: choque anafilático, rinite, tosse seca, vômitos e dificuldades para respirar.
Em geral, os primeiros sinais começam a surgir quando a criança passa a ingerir leite de vaca ou seus derivados em sua dieta. Porém alguns bebês manifestam sintomas ainda durante o aleitamento materno exclusivo, devido à dieta da mãe. Nestes casos é ela quem tem que restringir o consumo.
Diferente da intolerância, não há um exame específico para identificar a APLV com exatidão. É possível que o médico especialista solicite um teste de provocação oral, teste cutâneo ou exames de sangue, de acordo com o tipo de alergia.
O tratamento também consiste na suspensão da ingestão dos alimentos que contenham leite de vaca e a reinserção posterior em pequenas quantidades. Com o tempo e com o tratamento feito de forma correta, é possível que as pessoas voltem a ser tolerantes à proteína e possam inserir o leite de vaca definitivamente na dieta.
"EM UMA DIETA É MUITO DIFÍCIL FECHAR AS RECOMENDAÇÕES DIÁRIAS DESTAS SUBSTÂNCIAS SEM INCLUÍ-LO”
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