Saúde e Bem estar

Julgamento da Boate Kiss já é o maior da história do judiciário brasileiro

Até então o recorde, com duração de cinco dias, era do caso do menino Bernardo Boldrini, morto pela madrasta com conivência do pai

Rara Gente - Daniela Galli
07/12/21 às 10h01

O julgamento dos envolvidos no incêndio da Boate Kiss em Santa Maria no Rio Grande do Sul já completou uma semana de oitivas e questionamentos. A expectativa é de que ele ainda dure mais uma semana, até que testemunhas de acusação e defesa, informantes, sobreviventes e os réus sejam ouvidos. 

Este já é considerado o maior julgamento da história do judiciário brasileiro. Até então o recorde, com duração de cindo dias, foi do caso do menino Bernardo Boldrini, também do Rio Grande do Sul. O pai, a madrasta e um casal de irmãos foram condenados pelo assassinato do garoto que, na época, em 2014, tinha 12 anos quando foi morto. 

Os números da Boate Kiss impressionam até hoje, nove anos depois daquele fatídico 27 de janeiro de 2013. Foram 242 mortos, 636 feridos, muitos com sequelas até hoje. Há relatos de problemas respiratórios, marcas de queimaduras pelo corpo e até amputação de membros. 

De forma bem minuciosa, já foram ouvidas várias pessoas que se ligam direta ou indiretamente com o caso. Desde o engenheiro que apresentou o projeto de reforma da casa e que teria reprovado a aplicação da espuma no teto; até o dono da loja de fogos de artifícios onde foram comprados os artefatos para o show pirotécnico na Boate. 

Estão sendo julgados: Elissandro Callegaro Spohr (o Kiko) e Mauro Londero Hoffmann, empresários e sócios da casa noturna; Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira e Luciano Bonilha Leão, produtor musical da banda. 

Os quatro respondem por homicídio simples 242 vezes consumados (número de mortos) e 636 tentados (número de feridos).

ERROS

Já é sabido que uma sucessão de erros foi o que levou à tragédia:

  - O sinalizador usado pala banda não era o ideal para ser solto em ambientes internos;

 - Assim que as fagulhas atingiram o teto, queimaram a espuma, que também não era apropriada para estar ali;

 - A queima do material liberou cianeto, um gás tóxico que foi o responsável pela maior parte das mortes, causadas por asfixia e não por queimaduras;

 - Os extintores de incêndio falharam;

 - O local tinha somente um acesso para a rua;

- O alvará do Corpo de Bombeiros estava vencido;

 - A Boate estava lotada;

- As pessoas confundiram a sinalização que levava aos banheiros, com as da saída; por isso mais de 180 corpos foram retirados de lá asfixiados.

As oitivas estão acontecendo em Porto Alegre. Os réus deverão ser os últimos a serem ouvidos. O Ministério Público defende a tese de que os quatro envolvidos assumiram o risco de produzir a morte de todos que estava na Boate, uma vez que não havia segurança suficiente e nenhum controle sobre o risco criado pelas condições criadas em caso de incêndio.

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