Saúde e Bem estar

Insônia: O que fazer para se livrar desse mal?

Pelo menos 40% dos brasileiros sofrem com o mal

Gisele Mendes
16/08/18 às 07h23
O que fazer para se livrar desse mal?

Insônia. Palavra que está cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Atualmente, dormir uma noite inteira por pelo menos oito horas seguidas tornou-se uma tarefa quase que impossível para muitas pessoas. Levantamento feito pela OMS -  Organização Mundial da Saúde - mostra que 40% da população sofrem com o problema. As causas estão ligadas à rotina agitada, acesso permanente aos celulares e redes sociais. Tudo isso colabora para que o sono “vá embora”.

De acordo com a OMS, as mulheres são as mais afetadas pelo distúrbio e ele se torna mais recorrente depois da menopausa. A mudança no comportamento da sociedade - considerada natural e que envolve: a falta de rotina na hora de ir dormir; trocar o dia pela noite; a preocupação excessiva com as contas a pagar; compromissos de trabalho cada vez mais frequentes - causam distúrbios de sono. O alarmante é que não existe idade; pessoas cada vez mais jovens não conseguem dormir pelo menos oito horas por noite.

O problema é que, mesmo assim, muita gente deixa de buscar ajuda. Entre as justificativas está a falta de tempo - motivo esse que colabora com o distúrbio - além da dificuldade em aceitar que se trata de um problema que precisa de cura. Essa protelação agrava ainda mais a situação já que, quanto mais o tempo passar, maiores serão as chances de o paciente precisar do uso de medicamentos para dormir. Conforme a OMS, 7,6% da população brasileira usam remédios para dormir. O número representa 11 milhões de pessoas.

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O que acontece com o corpo quando dormimos mal?

Nervos à flor da pele; mau humor. Esses são um dos primeiros sintomas que surgem quando não dormimos bem - além da falta de atenção. Isso acontece porque o sistema nervoso simpático - associado à descarga da adrenalina e ao estresse - acaba mais ativo que o parassimpático - que promove o relaxamento.

Noites mal dormidas podem causar graves consequências às pessoas no decorrer do dia – como, por exemplo, acidentes de trânsito ou de trabalho. Imagine uma pessoa com sono, que precisa operar uma máquina em uma empresa? Ou um motorista? O resultado disso é bem óbvio, não é mesmo?

Mas, os problemas decorrentes da insônia vão muito além. Estudos comprovam que distúrbios do sono podem causar problemas cardiovasculares, obesidade, envelhecimento precoce, depressão, hipertensão e diabetes.

Quem não dorme o necessário costuma ter mais resfriados e gripes ao longo do tempo - já que a imunidade é mais baixa e faz com que essas pessoas fiquem mais suscetíveis a contrair doenças. Problemas gastrointestinais também são males de quem dorme pouco.

Além de tudo isso, os estudos mostram, ainda, que a falta de sono aumenta o apetite e a resistência à insulina, por conta da influência do sono no sistema endócrino. Isso justifica maiores chances de diabetes. E não fica por aí. O déficit crônico é fator de risco associado a alguns tipos de câncer, como o de mama e o de próstata.

Quando procurar um médico?

Quando dormimos menos do que o necessário, nosso corpo manda sinais de que não está bem. O sono é restaurador e promove melhoras significativas em nossa saúde física e mental.

Dormir bem, sem interrupções, evita o surgimento de algumas doenças e ajuda o corpo a se recuperar de algumas condições – como as gripes. Por isso, é importante ficar atento a qualquer alteração no padrão do sono.

Caso perceba que, mesmo com a mudança de hábitos, seu sono continua prejudicado, é hora de procurar um profissional para investigar as causas da insônia. Como dito, a insônia pode ser causada por distúrbios emocionais – como a ansiedade e a depressão.

Portanto, procure um profissional e converse abertamente com ele sobre as prováveis causas da insônia. É essencial compreender o seu corpo e a sua mente para recuperar um padrão de sono ideal, restabelecer a saúde plena e a rotina das atividades com ânimo e vigor.

Doenças respiratórias afetam o sono

Além da correria do dia a dia, das preocupações com as contas e com o trabalho, existem doenças que causam distúrbio do sono. Entre elas estão: desvio de septo nasal, aumento das amígdalas, bem como, a rinite alérgica.

De acordo com o médico otorrinolaringologista - Lucas Lara Hahmed - esses problemas prejudicam o sono de crianças e adultos e precisam ser tratados para não gerarem consequências - entre elas, baixa produtividade no trabalho ou baixo desempenho na escola.

O médico explica que essas doenças são percebidas com certa facilidade. No caso de crianças, que são mais propensas a terem amígdalas ou adenoide aumentadas, os primeiros sintomas são percebidos pelos pais durante o sono. “A criança sente falta de ar, emite som ao respirar - parecido com o ronco - e, geralmente, no outro dia fica sonolenta, sem muita disposição” - explicou.

Já nos adultos, a maior reclamação é acordar com dificuldade em respirar e roncar muito. “Casais chegam ao meu consultório reclamando que o parceiro ronca muito. Isso acontece com mais frequência quando o paciente sofre de desvio de septo” - disse.

Tratamento

Na maioria desses casos, o tratamento depende de procedimento cirúrgico - com exceção da rinite alérgica. Conforme Lucas, é importante seguir os protocolos médicos para que o paciente volte a ter qualidade de vida. Em longo prazo, essas doenças podem provocar sérias consequências como: prejudicar o desenvolvimento da criança a possíveis acidentes no caso de adultos - que dirigem, trabalham, estudam - independentemente se dormiu bem ou não.

Insônia comportamental em crianças

Pelo menos 30% das crianças brasileiras já apresentaram ou vão apresentar sintomas de insônia comportamental. Ela se resume à inquietação da criança na hora de dormir. Por exemplo, a criança pede para tomar água, para ir ao banheiro; pede algo para comer no momento em que está na cama. Apesar de, inicialmente, parecer birra, o pequenino pode ter dificuldade em dormir.

Entre os fatores que podem desenvolver a insônia comportamental está algo bem simples e que é praticamente cultural: balançar o bebê para dormir ou andar de carro para que isso aconteça. Esses são exemplos que - segundo especialistas - prejudicam a criança e, quando ela cresce, tem dificuldade em conseguir dormir sozinha.

O grande problema é que o sono é essencial para o desenvolvimento da criança e, se ela não dorme o suficiente, poderá apresentar consequências negativas que englobam o físico, o emocional e o cognitivo. Estudos mostram que a insônia em um cérebro ainda em desenvolvimento, pode acarretar em problemas como: o déficit de atenção e a hiperatividade - além de depressão e ansiedade.

O que fazer?

A orientação é para que os pais procurem um neuropediatra, já que a insônia está ligada ao sistema nervoso. Nestes casos, o profissional fará uma entrevista criteriosa com os pais para entender como é a rotina da criança e da família na hora do sono. “Regularidade, duração do sono, resistência na hora de dormir, dificuldade de iniciar o sono e despertares noturnos frequentes podem ser indícios importantes para fechar o diagnóstico - assim como sonolência diurna" - diz o especialista.

O neuropediatra irá descartar outras possíveis causas, como problemas respiratórios e outros distúrbios do sono. Também irá entender o impacto dos problemas do sono na criança e na família para propor estratégias e recursos que possam ajudar a gerenciar o problema.

O tratamento da insônia comportamental não envolve medicamentos, mesmo porque não há nenhum fármaco aprovado pelos órgãos reguladores para tratar insônia em crianças. Assim, é preciso usar os recursos de intervenção de comportamento para gerenciar a insônia.

Depiomento

Conversamos com a diretora de escola - Mariana Martins (nome fictício) - de 45 anos. Ela preferiu não ter sua identidade revelada. Conforme Mariana, noites mal dormidas já fazem parte da sua rotina; ela dorme, em média, quatro horas por noite.

As consequências da falta de sono são: irritabilidade, estresse, cansaço - principalmente entre 13h e 17h. “Acordo por volta das seis da manhã e fico bem durante esse período; porém, depois do almoço me sinto esgotada. Mas, curiosamente, ao entardecer, volto a ficar acelerada e só consigo pegar no sono depois de uma da manhã” - disse.

De acordo com Mariana, o seu sono é prejudicado por conta da preocupação com o trabalho. “Eu me cobro demais, pois sempre espero resultados excelentes no meu ambiente profissional; isso tudo deixa minha mente barulhenta - não consigo me desligar” - explicou.

Questionada se já procurou ajuda médica, Mariana disse que sim. Porém, ela se negou a seguir o conselho médico de usar medicamentos para dormir. “Eu não quero me tornar dependente de remédios; então, não aceito isso para minha vida. Eu acredito no autocontrole. Quando percebo que estou muito cansada, com muito sono, eu procuro orar, relaxar... Até que o sono chegue. Pelo menos, por enquanto, a estratégia tem dado certo” - completou.

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