Uma das características que mais desagrada a mulher - e alguns homens também - é a celulite. Muitos buscam tratamentos e dermocosméticos para reduzir a aparência ondulada que se forma em regiões como coxas, quadris, bumbum e barriga. Mas o que causa os temidos furinhos na pele? Para te ajudar a entender as causas e os tratamentos indicados para a celulite, a Gente conversou com a cirurgiã plástica, Dra. Suelen Melão.
O termo celulite é o nome popular da lipodistrofia ginoide, que é um depósito de gordura sob a pele. Conforme a doutora, afeta cerca de 95% das mulheres de todas as etnias, após a puberdade - embora seja mais comum entre as de pele branca - e é raramente observada em homens. “Ocorrem alterações no metabolismo das células adiposas - do tecido conjuntivo e da região subcutânea - provocando pequenas ondulações e retrações na pele, tipo ‘casca de laranja’, visualizadas em algumas áreas do corpo”, diz.
A celulite é frequente na população feminina, com incidência maior entre 15 e 45 anos - ou seja, na fase reprodutiva da mulher - e com o aumento da idade, uma vez que a pele vai perdendo sua elasticidade. Nessa perspectiva, 95% das mulheres apresentarão algum grau de celulite em algum momento da vida. Viu só? Até mesmo as supermodelos, atrizes, e outras famosas são ‘gente como a gente’.
Por falar em grau, existem quatro estágios deste problema - que podem não ser só estéticos -, os tipos podem ser classificados em leve, moderado e grave seguindo uma pontuação que avalia: aspectos das áreas elevadas da celulite; presença de lesões elevadas e presença de flacidez. “Existem vários graus de celulite, desde aquele em que as depressões só aparecem quando se pinça a pele com os dedos ou os músculos se contraem, até o aspecto acolchoado e nodulações sempre visíveis”.
Grau I: Os furinhos são visíveis apenas ao pressionar a pele ou por contração muscular. Não há comprometimento circulatório. As células do tecido gorduroso que se localiza abaixo da epiderme, estão volumosas e inchadas e as veias estão aumentadas. As toxinas estão começando a se instalar, mas o prognóstico de melhora é considerado excelente.
Grau II: Já começam aparecer os primeiros furinhos. A grande quantidade de gordura no interior das células, agora está acompanhada de fibrose (produção excessiva de tecido conjuntivo que “endurece” a pele). Aqui, os problemas circulatórios locais começam a aparecer, e a celulite pode estar visível pela modificação de movimentos do corpo ou mesmo da luz ambiente.
Grau III: Temos o aspecto casca de laranja e a presença de áreas em relevo e a formação de nódulos. O portador da celulite nesse estágio pode referir: dor; cansaço em membros inferiores; aumento da flacidez e aumento da sensibilidade ao toque.
Grau IV: Nessa fase as pernas tornam-se pesadas e a pele bem marcada pelo inchaço e pelos edemas, sendo que muitas mulheres sentem cansaço, dificuldade de locomoção e dores, devido à falta de circulação adequada na região das pernas e quadril, sendo que há a formação de nódulos que podem ser vistos sob a roupa com facilidade.
QUAL A CAUSA?
A causa da celulite não é plenamente conhecida e é pouco estudada; existem inúmeras suposições não comprovadas. Os fatores predisponentes parecem ser hereditários, tais como: sexo, etnia, biótipo corporal e distribuição de gordura. As “covinhas” da celulite ocorrem devido à saliência da gordura hipodérmica na pele. Entre os fatores de predisposição temos:
Hereditariedade: o fator genético é importante.
Problemas circulatórios: quando o sangue não flui bem, a drenagem das toxinas fica prejudicada e isso deixa o líquido que fica entre as células mais viscoso
Alterações hormonais: níveis de estrogênio (hormônio feminino) muito altos provocam disfunções no metabolismo que podem criar ou agravar a celulite. A pílula anticoncepcional também pode desencadear o problema, pois adiciona mais uma dose de hormônios circulando em seu organismo.
Também é importante analisar o estilo de vida. A má alimentação - excesso de açúcares e carboidratos; o sedentarismo; a tensão emocional e o excesso de toxinas no organismo contribuem para o aparecimento da celulite.
“O maior depósito de gordura na mulher ocorre em regiões de nádegas e coxas associado aos fatores hormonais, como os níveis de estrogênio muito altos, provocam disfunções no metabolismo que podem criar ou agravar a celulite”.
“É importante salientar ainda que diferenças anatômicas entre mulheres e homens determinam a maior prevalência no sexo feminino. Nas mulheres os lóbulos de gordura são maiores e fechados por paredes perpendiculares à pele, já nos homens os lóbulos são menores e fechados por paredes inclinadas em relação à pele”, explica.
TRATAMENTO
Conforme a cirurgiã, o sucesso do tratamento está intimamente ligado ao entendimento de suas causas. Contudo, até o momento não se tem uma única terapêutica efetiva para celulite, acredita-se que a associação de alguns tratamentos tenham mais benefício. Entre esses procedimentos destacam-se: radiofrequência invasiva, ácido poliláctico, subcisão, mesoterapia, drenagem linfática, radiação infravermelha, radiofrequência, ondas de choque ou ondas acústicas, ultrassom focado, entre outros.
“A mesoterapia consiste na administração de injeções de substâncias dentro da pele, com o objetivo de estimular a lipólise - quebra da gordura - causando a redução local de gordura e melhorando a aparência da celulite”.
“A subcisão é uma cirurgia de incisão subcutânea que vem sendo muito estudada e com bons resultados, contudo é indicada para celulite que tem retração - graus mais avançados -, não é para os primeiros graus”.
“O Ultra-som age por ondas ultrassônicas que tem a capacidade de aquecer em profundidade os tecidos podendo ser associados com enzimas”.
O Ácido L-Polilático (Sculptra) tem mostrado ótimos resultados na melhora da celulite. Ele é um bioestimulador, totalmente absorvido pelo organismo que age na formação de colágeno novo na pele, tratando a flacidez, aumentando a espessura da pele e sua elasticidade. Esse rejuvenescimento da pele ocorre de forma gradual, podendo ser realizada uma sessão a cada 30 à 40 dias (em média de 2 à 3 sessões).
“O Sculptra pode ser uma excelente alternativa para quem quer combater a celulite, uma vez que repõe o volume nas áreas mais deprimidas de forma mais efetiva e com o aspecto muito natural”.
Mas lembre-se, nenhum tratamento para celulite e flacidez funciona sem alterações nos hábitos alimentares e no modo de vida. É preciso reduzir o consumo de açúcar e gorduras, tomar muita água e praticar exercícios físicos, como os aeróbicos, que ajudam na redução da gordura corporal, ou a musculação, que auxilia na firmeza da pele.
MITOS X VERDADES
É muito comum o surgimento de verdades, afirmações e teorias sobre o como combater a celulite. A verdade é que já foram feitas tantas afirmações diferentes sobre o assunto que já não sabemos o que é verdade ou não. Com a ajuda de Dra. Suelen preparamos um “Mito ou Verdade” sobre a celulite com as dúvidas mais comuns sobre o problema.
‘A celulite é uma doença?’ – O principal mito é achar que celulite é uma doença. Na verdade é uma desordem influenciada por vários fatores entre eles: anatômicos, hormonais, circulatórios, linfáticos.
‘A cirurgia de lipoaspiração ajuda a reduzir celulite?’ - Mito, a lipoaspiração serve para remodelar o contorno corporal, ou seja, retirar a gordura localizada e não tratar a celulite.
‘Refrigerante dá celulite?’ - Verdade. Refrigerantes contém alta quantidade de açúcar, que é um dos maiores vilões causadores de celulite e a alta quantidade de sódio presente na bebida contribui para a retenção de líquido.
‘Perder peso pode acabar com toda celulite?’ – Mito, mulheres que perdem muito peso ainda podem ter celulite. Isso ocorre devido a anatomia dos lóbulos e feixes característicos do sexo feminino junto as células de reservatórios de gordura que não se alteram com a perda de peso.
‘Beber água ajuda a combater a celulite?’ - Verdade! A ingestão de água ajuda a desintoxicar o organismo e melhora as funções da pele. Procure consumir dois litros por dia.