Saúde e Bem estar

Depressão hereditária: O papel da genética

Estudos revelam que familiares de primeiro grau com o transtorno apresentam um risco de duas até três vezes maior de desenvolver a doença.

Julia Rafaela - Rara Gente
02/07/24 às 17h30

"Isso é um problema de família - É assim que algumas pessoas explicam a causa da depressão. um transtorno mental que costuma começar com uma tristeza predominante e um desânimo intenso onde com o passar do tempo se associa a outros sintomas, dentre alterações de sono, mudanças no apetite, no peso corporal, baixa autoestima, ideação suicida, baixo pragmatismo, piora da higiene pessoal e humor mais irritado, como assim descreve a psiquiatra Dra. Larissa Ormeneze.

Segundo a médica, embora os sintomas característicos a depressão pode se manifestar de formas diferentes e quancio se avalia caso a caso é possível distinguir vários subtipos ou polimorfismos do transtorno - variações genéticas que aparecem como consequências de mutações.

"Não existe uma causa única para depressão, o que existe são fatores adversos que podem contribuir com o surgimento da doença, cujo a causa pode estar relacionada a fatores ambientais, como situações de estresse, doenças clínicas, reações inflamatórias, falta de luz solar ou até mesmo com a nossa genética, o que significa que descendentes de deprimidos tenham sim mais chance de desenvolver o transtorno ao longo da vida” - explicou.

Muitos estudos nesse campo revelam que familiares de primeiro grau, pais ou filhos com  depressão apresentam um risco de duas até três vezes maior de desenvolver a doença, em relação a quem não apresenta casos na família. Embora os dados, é incorreto dizer que uma predisposição genética ao transtorno seja uma condenação a um estado permanente de desânimo e tristeza, mas alerta para um cuidado maior em relação às formas de prevenção a doença.

A psiquiatra detalha que por meio de todas essas pesquisas, alguns genes já podem ser diretamente ligados à depressão, como o gene do receptor de ocitocina OXTR, o fator neurotrófico derivado do cérebro BDNF e o triptofano hidroxilase 2, uma isoenzima da triptofano hidroxilase encontrada en vertebrados TPH2. "Esses genes são importantes porque estão relacionados aos mecanismos neuroendécrinos da doença. Dessa forma, se aprimorados, esses estudos podem nos ajudar a compreender melhor as causas e sintomas mais específicos de alguns tipos de depressão".

PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA

Mesmo com a relação de alguns genes com a depressão, ainda não existem exames laboratoriais acessíveis para esse tipo de diagnóstico. Nesse sentido, pode-se desconfiar de predisposição, principalmente, quando há vários casos positivos para depressão na família consanguinea do mesmo sangue.

Embora a relação familiar com a doença cause um certo medo, a Dra Larissa salienta que isso não é uma herança, muito menos uma condenação, tendo em vista que muitas pessoas possuem os genes positivos para depressão e, até o momento dos estudos, nunca manifestaram doença ativa.

HÁBITOS DE PREVENÇÃO

A partir do momento em que o paciente obtém essa informação por meio da investigação do histórico familiar, é importante que ele coloque em prática algumas mudanças. comportamentais, como prática regular de atividades físicas para ativar e melhorar a perfusão cerebral, hábitos alimentares saudáveis evitando alimentos industrializados, dando preferência para vegetais, frutas e verduras frescas e mantendo uma rotina de atividades sociais, religiosas e laborais para melhorar a autoeficiência e a autoestima.

QUANDO A TRISTEZA REQUER AJUDA PROFISSIONAL?

A procura por ajuda médica pode ser basaada tanto na percepção de sintomas mentais, como a falta de esperança e sensação de estar sem saída. Ou com a apresentação de sintomas físicos de cansaço, dores, insonia, alteração de peso, queixas digestivas, dor no peito, taquicardia, e sudorese.

"Mesmo com esses sintomas que muitas vezes são definidos como sufocantes, é importante ter em mente que depressão tem tratamento, cujo com o acompanhamento correto é possível ter remissão total das sensações negativas, podendo o paciente levar uma vida normal e proveitosa”.

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