Elas vivem mais tempo, adoecem menos e lidam melhor com a dor. Realmente, o estereótipo de sexo frágil para as mulheres está mais do que ultrapassado. Mas, isso não significa que elas não devam ter cuidado: existe uma série de doenças que afetam mais as mulheres, ou que são exclusivamente femininas e que merecem atenção especial.
No mundo todo, as mulheres têm uma vida mais longa do que os homens: cerca de sete anos a mais. As explicações para isso são várias; mas, a principal é que elas se cuidam mais do que eles e buscam mais os serviços de saúde. As mulheres também possuem um sistema imunológico mais forte - o que faz com que adoeçam menos do que os homens.
“Existem muitas teorias que vão desde o melhor cuidado com o corpo à relação com fatores hormonais. Alguns estudos revelam que os hormônios femininos são antioxidantes, protegendo-as dos radicais livres. Outros estudos afirmam que a testosterona apresenta um fator deletério na saúde, visto que homens que tiveram os testículos extirpados apresentam uma expectativa de vida maior” – afirma o Dr. Rodrigo Melão, cirurgião oncológico.Existem várias doenças que são muito mais frequentes entre as mulheres do que no sexo masculino. Uma delas é a fibromialgia - que afeta sete mulheres para cada homem. Segundo o Coordenador do Serviço de Ortopedia, Dr.Robson Otino, a fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor muscular generalizada, acompanhada de fadiga, alterações do sono, da memória e do humor. As causas são desconhecidas; mas, existem fatores que estão associados a uma maior incidência.
“O diagnóstico da fibromialgia é, essencialmente, clínico, baseado no histórico e no exame físico do paciente. Infelizmente, ela não tem cura; mas, tem tratamento - que visa minimizar os desconfortos e a dor. O tratamento envolve medicamentos, suporte psicológico e atividades físicas”.
Outra síndrome que as mulheres precisam ficar de olho é a sarcopenia – perda progressiva de massa muscular; a ligeira desvantagem feminina pode ser explicada pelo fato de que as mulheres, normalmente, têm menos massa que os homens. “Em pessoas saudáveis a diminuição da massa muscular se inicia após os 30 anos de idade - com perda de 1 a 2% ao ano. Na mulher ela se acentua na menopausa e, no homem, após os 60 anos. Cerca de 15% dos brasileiros terão sarcopenia a partir dos 60 anos, chegando a 46% de diminuição de massa após os 80 anos”.
“Tanto as mulheres quanto os homens podem prevenir a sarcopenia através de dieta balanceada e atividade física regular” - finaliza.Outra doença bem mais comum entre as mulheres é o câncer de mama. Apesar de muita gente achar que essa doença é exclusivamente feminina, ela acomete também os homens – só que em proporção esmagadoramente menor: apenas 1% dos casos, de acordo com o Inca - Instituto Nacional de Câncer.
Segundo Dr. Rodrigo, além do câncer de mama, o câncer de tireoide também é mais comum em mulheres do que em homens. “O câncer de mama atinge a glândula mamaria e o homem tem uma quantidade muito menor de tecido mamário; além disso, esse tipo de câncer é sensível a hormônios femininos, também com níveis muito menores no homem em relação à mulher” - explica.
E como todos sabem - e devemos sempre destacar – a prevenção é sempre a melhor solução. “As mulheres devem seguir os programas existentes de prevenção e detecção precoces como: mamografia anual, Papanicolau - colo do útero - por exemplo”.A enxaqueca não poderia ficar de fora desta lista: ela afeta três mulheres para cada homem. Diferente da dor de cabeça, a enxaqueca costuma ser latejante e vem acompanhada por náusea, vômito e sensibilidade à luz.
“O motivo do predomínio dos sintomas de enxaqueca nas mulheres ainda não foi definido; os hormônios podem ser o motivo - apesar de que as mulheres possuem uma modalidade de enxaqueca que não existe nos homens chamada enxaqueca menstrual” - explica o Neurocirurgião, Dr. Daniel Rodrigues.
As principais causas, segundo Dr. Daniel, são os fatores externos, alimentares e ambientais. “Dentre os fatores mais relacionados como deflagradores, podemos citar: jejum prolongado; noite mal dormida; stress; nervosismo; vinho tinto; chope; chocolate; exposição prolongada ao sol; comida gordurosa e fritura - entre outros”.
A estratégia de tratamento primeiro se deve a um diagnóstico preciso da dor. O tratamento dependerá do número de crises de enxaqueca. Conforme o neurocirurgião pode ser realizado um tratamento preventivo que faz uso de medicação diária ou apenas o tratamento das crises de dor com medicações específicas.
“Cada sofredor de enxaqueca deve, primeiramente, conhecer seu perfil de sensibilidade para fatores que desencadeiam suas dores e evita-los. Lembrando que hábitos de vida como atividade física aeróbica regular e vida sexual ativa contribuem, enormemente, para a redução dos sintomas”.
Por falar em enxaqueca, as mulheres lidam melhor com a dor ou não? Ele revela que somente em determinadas partes do corpo. “As mulheres possuem uma tolerância maior a dores na região do tronco e os homens toleram mais as dores nos membros e extremidades. Isso se deve ao número aumentado de receptores da dor nas respectivas regiões do corpo” – finaliza.
As doenças do sistema reprodutor feminino são outra ameaça constante na vida da mulher. Entre as mais comuns estão a vulvovaginite - inflamação ou infecção da vulva e vagina; a síndrome dos ovários policísticos - presença de pequenos cistos nos ovários; a fibrose uterina ou mioma uterino - pequenos tumores benignos no útero e a endometriose.
“Tudo isso acontece devido à mudança do pH vaginal - as mulheres estão suscetíveis a essa mudança ao longo da vida. Tudo que leva a uma mudança do pH vaginal, leva a um desarranjo na flora e proporciona o crescimento de fungo ou de uma bactéria” - afirma o Ginecologista, Dr. Enéias Cano.“Os fatores que influenciam na mudança do pH vão desde a alimentação até à questão hormonal. Existe uma harmonia entre fungos e bactérias na flora vaginal que, se por algum motivo desarranjar, acabará levando ao aparecimento de doenças”.
O órgão feminino também é o responsável pelas mulheres serem mais suscetíveis às doenças sexualmente transmissíveis - DSTs. De acordo com o ginecologista, a mucosa vaginal é um epitélio muito fino; durante as relações sexuais, praticamente sempre há algum grau de fissura da mucosa - o que facilita a entrada de diversos vírus.
A atenção especial ao público feminino no caso do HPV é que, nas mulheres, as lesões causadas pelo vírus podem espalhar-se por todo o trato genital e alcançar o colo do útero - podendo causar câncer. E o câncer de colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres – sendo o responsável pelo óbito de 275 mil mulheres por ano, de acordo com o Inca.
Para evitar problemas causados pelas DSTs, o principal é se prevenir. E, para se prevenir, a melhor atitude é usar proteção. “Usar sempre camisinha, do começo ao fim da relação sexual e também fazer exames, periodicamente” - conclui.
A gente adora amar alguém e adora cuidar de quem ama, não é mesmo? É tanto amor que, poucas vezes, paramos para pensar em cuidar de nós mesmos em longo prazo; mas, cuidar de nossa própria saúde é uma deliciosa prova de amor próprio. Estar bem é algo que vem de dentro para fora. Lembre-se sempre disso.