Saúde e Bem estar

Conheça a prática milenar que transforma plantas e raízes em medicamentos naturais

Dicas da ciência e da vovó para melhorar a qualidade de vida

RARA GENTE - Bruna Taiski
02/10/19 às 08h11

A cura está na natureza. Quem segue esse lema de vida, sempre opta pela fitoterapia. Tanto em relação aos alimentos da terra, quanto às plantas medicinais - a prática é cada dia mais reconhecida pela ciência, como uma ação fundamental para o nosso bem-estar e qualidade de vida. Mas o que é, e quais são os segredos da fitoterapia? A fitoterapia é relativo a utilização de plantas para o tratamento de doenças. Todo produto farmacêutico, seja extrato, tintura, pomada, ou cápsula, que utiliza como matéria-prima qualquer parte de uma planta com conhecido efeito farmacológico, pode ser considerado um medicamento fitoterápico.

Apesar de algumas opiniões e informações desencontradas, e um certo caráter místico sobre o tratamento de doenças com fitoterápicos, a Organização Mundial de Saúde (OMS), divulga, que os medicamentos produzidos a partir da fitoterapia têm os seus benefícios comprovados pela entidade e a sua utilização é comum. "Aproximadamente 80% da população de países em desenvolvimento utiliza-se de práticas tradicionais na atenção primária à saúde e, desse total, 85% fazem uso de plantas medicinais", divulgou o órgão.

Medicamentos feitos a partir de folhas, sementes, cascas, frutos e flores são sucesso de crítica e público há milênios e constituem parte importante da cultura de diversos povos. Nosso país possui a maior flora do planeta, com mais de 43 mil espécies descritas e entres elas, 10 mil têm algum potencial terapêutico.

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NA SUA CASA

Mas vá com calma: o uso não está liberado para todo mundo. Grávidas, crianças com menos de três anos, idosos, epiléticos, cardíacos, pessoas com síndromes em geral e que tomam muitos remédios não devem recorrer à fitoterapia antes de passarem por uma avaliação criteriosa. Para não arriscar, convém dialogar com um profissional de saúde antes de experimentar os óleos essenciais para fins terapêuticos. E nunca abandone a terapia convencional antes de se consultar, combinado?

Se interessou? A seguir listaremos as principais plantas e raízes medicinais da categoria e seus benefícios extensamente estudados por instituições científicas. Antes de investir de vez, saiba que eles não operam milagres - e não se esqueça de procurar um profissional -, afinal, não é porque é natural que não faz mal.

LAVANDA

É especialmente indicada para quem tem dificuldade para dormir ou enfrenta quadros de ansiedade. De acordo com uma revisão de conduzida na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, a maioria das pesquisas incluídas nessa análise apontou um impacto positivo no sono de pessoas que utilizaram a lavanda.

O mecanismo responsável por esse efeito pode ser explicado por outro experimento, desta vez da Universidade de Miami, também em solo americano. Os cientistas descobriram que pingar o óleo em banhos de bebês reduz os níveis de cortisol tanto na criança quanto na mãe - com a queda do hormônio do estresse, as noites ficam mais tranquilas.

MELALEUCA

Ela tem demonstrado bons resultados contra uma condição em particular: a acne. Em um teste realizado pelo Hospital Royal Prince Alfred, na Austrália, pacientes que sofriam com esse problema aplicaram ou uma solução 5% de peróxido de benzoílo, uma das principais terapias contra as espinhas, ou uma loção com a mesma concentração de melaleuca.

Ambos os tratamentos foram eficazes - o alternativo agiu mais lentamente, mas gerou menos efeitos colaterais. Apesar de diversos estudos sugerirem que a substância soma forças contra os agentes infecciosos, faltam evidências de grandes pesquisas clínicas para que, de fato, a palavra final sobre as propriedades antimicrobianas do óleo seja dada. Ah! E ele também não apresenta contraindicações especiais.

ALECRIM

Mais de 60 pessoas se voluntariaram para testar uma nova bebida vitaminada na Universidade Northumbria, na Inglaterra. Chegando lá, dirigiram-se para três salas diferentes: a primeira fora aromatizada com óleo de alecrim; a segunda não tinha cheiro e a terceira exalava lavanda.

Ocorre que a história da água com vitaminas não passava de balela. Os investigadores queriam mesmo era avaliar a memória dos participantes em cada recinto — sem que os indivíduos soubessem disso.

Os resultados de provas preenchidas por esses participantes confirmaram a característica mais estudada do alecrim: a de turbinar o cérebro. A explicação para o fenômeno, segundo os especialistas, recai sobre o composto 1,8-cineol, que aumentaria a disponibilidade do neurotransmissor acetilcolina, importantíssimo para o sistema nervoso central.

Só tome cuidado para não achar que o óleo essencial de alecrim cura problemas psiquiátricos, ok? Ele pode até ajudar e melhorar seu raciocínio e a relaxar, porém não vai restabelecer a saúde de neurônios abalados.

GENGIBRE

Esta raiz pode ser utilizada no tratamento de problemas circulatórios, resfriados ou inflamações, como dor de garganta, por exemplo. Na fitoterapia é padronizado internacionalmente como antiemético – evita o vômito – e carminativo - utilizado na redução dos gases intestinais-, portanto tem comprovação científica para estes usos e há ainda trabalhos mostrando utilidade na diabete, na redução de plaquetas e em patologias respiratórias.

Não é recomendado para pessoas com cálculos biliares, sangramentos, e menstruação excessiva – pela atividade antiplaquetária.

GARRA-DO-DIABO

Disponível no SUS para esses tratamentos em específico, o nome um tanto sinistro dessa planta de origem africana vem do formato de seus galhos e folhas. A sua forma de uso é em cápsula ou comprimido, e a indicação é para dores moderadas nas articulações e incômodos agudos nas costas, com destaque para a região lombar da coluna.

Contraindicado para pessoas com cálculos biliares, menores de 18 anos, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos ou sensíveis a algum dos compostos.

ALHO

Enfim, um grande conhecido da cozinha dos brasileiros. Lembra quando sua avó fazia aquele chá de alho quando a gripe te pegava de vez? Nossas avós tinham toda razão, o bulbo que surge a partir da raiz é base de um dos fármacos com propriedades mais variadas.

O alho ajuda a combater bronquite, asma, sintomas de gripe e resfriado, colesterol alto, hipertensão e aterosclerose - lesões nas paredes dos vasos sanguíneos. É contraindicado para grávidas, indivíduos com gastrite, úlceras, hipertireoidismo, distúrbios na coagulação, alérgicos ao alho e antes ou depois de cirurgias.

CAMOMILA

A Camomila é uma planta medicinal muito utilizada no tratamento da ansiedade, devido a seu efeito calmante. Também serve para ajudar no tratamento de irritações na pele, resfriados, inflamações nasais, sinusite, má digestão, insônia, ansiedade, nervosismo e dificuldade para dormir, por exemplo.

As propriedades da Camomila incluem sua ação estimulante da cicatrização, antibacteriana, anti-inflamatória, antiespasmódica e calmante. O chá de camomila não deve ser tomado na gravidez, nem deve ser usado o seu óleo essencial porque pode provocar contração uterina.

CHÁ VERDE

O chá verde serve para melhorar as defesas naturais do organismo, emagrecer, combater a inflamação crônica causada pelo acúmulo de gordura corporal, ajudar no controle do açúcar no sangue glicose sanguínea, combater a osteoporose e manter o estado de alerta e atenção. Devido a presença de boa concentração de catequinas, o chá é capaz de prevenir o surgimento do câncer no estômago, intestino e pulmão.

O chá verde está contraindicado durante a gravidez e a lactação, assim como para pacientes com dificuldade para dormir, gastrite ou pressão alta.

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