Você aceita o café, espera alguns minutinhos e, quando a xícara chega, acompanhada da pergunta “açúcar ou adoçante?”, o raciocínio acelera. E agora, qual escolher? Pense rápido, pense rápido. O mais saudável, o mais gostoso, o mais em conta, o mais caro, o mais indicado... Aquele que a musa fitness do Instagram consome ou o que a avó usava e deixava o café maravilhoso? O convencional ou o que apareceu na propaganda? E a pergunta continua sem resposta...
Reunimos diversas dúvidas que cercam a dubiedade “açúcar x adoçante” para que até o final desta matéria você saiba quais são os benefícios e prejuízos de cada um; por que o açúcar é tão restrito em alguns meios; por que o adoçante é tão condenado em outros e, claro, qual escolher na hora de comprar. Quem esclareceu tudo por aqui foi a nutricionista Pamela Camargo - especialista em emagrecimento e nutrição funcional - e, antes de prosseguir a leitura, a Gente frisa: sim é sim; não é não.
“Não tem diferença entre o açúcar demerara, o açúcar branco, o açúcar mascavo... O que os diferencia é o processamento de cada um até chegar à prateleira do supermercado, mas o produto final dele é o excesso de carboidrato na corrente sanguínea - e é isso que levamos em consideração.
É fato que o consumo em excesso faz com que o paciente ganhe peso. Mas, o ganho de peso em relação ao consumo do açúcar é o menos importante; o problema está nos prejuízos em relação à saúde – diabetes, problemas cardiovasculares, dependência, entre outros” - explica a nutricionista.
Agora... Entre açúcar e o adoçante, Pamela bate o martelo: “nenhum dos dois”. Sim... Acredite. Nenhum dos dois. Ambos têm seus pontos negativos à saúde e, em excesso, prejuízos ainda maiores. O ideal é não consumir nenhum dos dois sempre que puder. Aproveitar o açúcar das próprias frutas; passar um tempo sem consumir essas substâncias, para promover uma desintoxicação ao organismo... Mas, por via de conhecimento, você concluirá esta leitura sabendo tudo sobre os dois.
O intertítulo aqui não poderia descrever melhor. Que saudade dá de um “docinho” quando passamos muito tempo longe, não é? E esse é o primeiro sinal de alerta: o vício. O que você pensa ser apenas uma vontade momentânea, ou consequência do estresse e da TPM, é, na verdade, a dependência do açúcar. Segundo um estudo publicado no artigo “Saúde pública: a tóxica verdade sobre o açúcar” - pela Associação Americana de Diabetes - o açúcar vicia até 13 vezes mais do que a cocaína.
A questão é que “comida” é cultural. Vai além do simplesmente “comer para sustentar o corpo”. Reunir amigos, se divertir, cultivar momentos em família, satisfazer desejos, dar prazer... E, na maioria das vezes, quem entra nesta jogada sociocultural é, justamente, o açúcar – naqueles bolos, tortas e doces maravilhosos que vemos nas redes sociais e sentimos vontade de fazer, ou marcamos um amigo nos comentários para marcar de cozinhar um dia; naquele chocolate para “curar” a dor e a angústia do momento de tensão; ou naquele sorvete para comer de colher e amenizar os sintomas da TPM.
Como Pamela explicou, açúcar é açúcar. Por mais que um seja mais saudável – como o açúcar de coco – e outro mais processado – como o açúcar cristal – o que importa, por fim, é o índice glicêmico na corrente sanguínea e a dependência que o consumo causa.
Depois de ler todos os sintomas que pontuamos aqui, com certeza você se lembrou de alguém dependente, ou se identificou. Agora... Por que 13 vezes? O estudo foi realizado com ratos - um viciado em açúcar e outro em cocaína - que foram acompanhados durante um período.
Exames regulares comprovaram, então, que os sintomas de dependência manifestados pelo rato dependente do açúcar eram 13 vezes mais fortes do que no outro. Às vezes, no dia a dia e tratando-se de humanos, não percebamos isso porque os doces são lícitos e estão à nossa mercê o tempo todo.
Adotando hábitos saudáveis. O começo de tudo é sempre mais difícil. Afinal, uma vida toda de hábitos alimentares precários não será mudada do dia para a noite, mas os resultados são esperançosos e aparecem em pouco tempo.
Comece trocando os doces por frutas; insira alimentos amargos na rotina alimentar – para dar um “choque” nas papilas gustativas e adaptar o seu paladar; assim, o sabor do doce de frutas e alimentos naturais será mais valorizado – e reforce, a todo o momento, em sua mente, as consequências dos hábitos que levar em sua vida, tanto os bons quanto os ruins.
A dica é, a princípio, tomar o cafezinho diário sem nenhuma forma de adoçante nem açúcar e suco de limão sem adoçar também. É claro que, no início, será péssimo; mas, aos poucos, seu paladar irá valorizar mais os gostinhos doces daquilo que você comer. Pode notar: as frutas parecerão mais doces e, se você adotar os adoçantes em sua rotina, pouquíssimas gotas serão necessárias para adoçar o que você for consumir. Dica de ouro da Gente!
Já falamos tudo sobre a dependência para deixá-lo preparado para o que viria a seguir. Se os açúcares são calóricos e viciantes, adoçantes dietéticos parecem ser a solução para todos os nossos problemas, não é? São zero calorias, não mandam açúcar para o sangue, adoçam mais com quantidades menores... Porém, causam dependência na mesma proporção e ainda aumentam os riscos de câncer em longo prazo.
“Quando eu consumo algo adoçado com adoçantes dietéticos, envio para o meu cérebro a mensagem de que está entrando açúcar no meu organismo. Mas, esse açúcar não entra. E aí, o que acontece? O meu cérebro entra num círculo vicioso por pedir mais açúcar - e o resultado disso é a compulsão por doces e carboidratos.
Quanto mais você consome, mais você quer consumir. Por isso, quando eu tenho um paciente que está com muita vontade de comer um doce, eu indico que vá e coma. É bem mais saudável ele comer dois quadradinhos de um chocolate convencional, do que se entupir daqueles doces diets ultraprocessados” - explica Pamela.
Depois de todo o processo de desintoxicação alimentar que o paciente passa quando procura um nutricionista em busca de uma vida saudável – pois alimentação interfere em todas as áreas da vida – começa a parte da escolha. Pamela indica, como adoçantes, o stevia – que é natural – o xylitol e o eritritol.
Ambos adoçam muito com uma quantidade muito pequena e auxiliam na perda de peso - caso esse seja o objetivo do paciente. Mas, há casos e casos - e cada um de nós tem sua individualidade. Para ela, “é melhor adoçar o café com uma colherzinha de açúcar do que ter a mania de colocar muito adoçante em tudo. O equilíbrio é a chave para uma vida saudável. Nem muito de um, nem zero de outro. Prefiro o equilíbrio”.
Seriam opções melhores? Depois de adotar o termo “menos pior” para falar dos adoçantes durante nossa entrevista, Pamela faz um alerta sobre produtos diet e zero. “Os produtos ‘zero’ são sempre ‘zero alguma coisa’ - não necessariamente do açúcar.
Podem ser zero sódio, zero gorduras, zero lactose e, também, zero açúcar. A princípio parecem muito bons, como escolhas melhores. Mas, se formos analisar a tabela nutricional e os ingredientes, observamos que no lugar das substâncias ‘zero’ do produto há muitas outras que podem ser até piores”.
Então, siga o lema da Nutrição: “descasque mais, desembale menos”. Em casos que os rótulos sejam a única saída, escolha os que possuem menos linhas na lista de ingredientes. Aquela composição mais simples, sabe? Afinal, é muito mais fácil correr atrás dos prejuízos do açúcar – que já conhecemos – do que de inúmeras substâncias que podem gerar consequências maiores.
E lembre-se: ainda que tenhamos disponibilizado informações completas sobre o tema por aqui, e que possam ajudá-lo muito, nenhuma dica substitui a consulta com um profissional e o acompanhamento individual, feito especialmente para você.