Com o passar dos anos, os usuários das redes sociais ficaram mais críticos e passaram a tolerar cada vez menos comportamentos que ferissem movimentos de minorias sociais. Hoje, qualquer gesto, comentário ou like pode provocar um ataque virtual em massa, o qual não necessariamente apoia uma ação real e efetiva.
De acordo com informações da Forbes, Barack Obama, chegou a se manifestar sobre o assunto durante o Obama Foundation Summit, em 2019. O ex-presidente dos Estados Unidos afirmou que o cancelamento não passa de uma forma de se vangloriar por estar política ou socialmente mais consciente que alguém.
“Se eu tuitar ou fazer uma hashtag sobre algo de errado que você fez, ou uma palavra ou verbo que usou errado, então eu posso sentar e me sentir bem comigo mesmo, porque ‘Cara, você viu o quão consciente eu estava? Eu te chamei a atenção’. Isso não é ativismo”, disse Obama.
Conforme o mestre e doutor em Neurociência Cognitiva pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Yuri Busin, em entrevista a Rolling Stone, muitas vezes, as intenções dos cancelamentos são boas, porque buscam justiça, porém o movimento em massa de cancelamento contínuo gera uma superficialidade , além de criar uma projeção de que é possível simplesmente deletar alguém da vida real sem ao menos ter um diálogo com ela.
“Eu simplesmente posso falar, mas, se eu não quero ouvir nada, eu vou lá, mando um block e está tudo certo. Vida que segue. Só, que a vida não é assim [...] É muito mais fácil digitar e cancelar na internet do que fazer uma denúncia e investigar”.
“O cancelamento também pode aparecer como condição para fazer parte de um grupo. Muitas vezes o cancelamento é mais sobre ‘ser visto cancelando alguém’ do que necessariamente o efeito que aquilo pode gerar”, completou.
Conforme o doutor, a cultura do cancelamento veio para dar um basta em comportamentos inaceitáveis, preconceituosos ou de assédio, mas é importante pensar o que (ou quem) se cancela e quais são as reais mudanças alcançadas com esse cancelamento. “Devido aos malefícios do cancelamento, como a perda da vida social, prejuízo no trabalho, nos meios físicos e virtuais, fica claro que essa prática precisa ser seriamente repensada”.