Não é raro se deparar com situações adversas entre familiares. Às vezes, apenas uma das pessoas de um núcleo familiar percebe que a energia entre seus membros está conflitante, o que pode interferir, diretamente, no relacionamento em geral. Diante de tal situação, existe a possibilidade de estender o problema indefinidamente ou procurar por ajuda especializada.
Um dos caminhos para solucionar ou entender esse tipo de problema, além da terapia familiar, é a constelação familiar – uma terapia alternativa, criada nos anos de 1970 pelo psicoterapeuta alemão, Bert Hellinger, que ganha, cada vez mais, popularidade no Brasil e que, inclusive, está fazendo parte de práticas integrativas do SUS (Sistema Único de Saúde).
A constelação familiar é uma técnica psicoterapêutica que tem como base o pensamento sistêmico. Pode ser descrita, ainda, como uma ferramenta para autoconhecimento e desenvolvimento do ser humano.
De acordo com Rosaria N Catanante Fayad - de 62 anos - Master Coach e Consteladora Familiar Sistêmica, Hellinger condensou todos os conceitos da técnica em três leis principais que regem todos os relacionamentos, denominadas por ele como “Ordens do Amor”. São elas:
Pertencimento - que é gerado pelo vínculo, tanto pelos laços de sangue - família de origem; como também pelos laços do destino como parceiros - antigos e atuais; doadores de órgãos; heranças; vítimas e perpetradores.
Dar e Receber - que necessita equilíbrio nas relações entre os iguais. “Quando eu recebo algo - reconhecimento, salário, estabilidade, coisas - preciso dar algo de volta para compensar. Porém, no caso dos pais é diferente; eles dão e os filhos tomam/recebem. Os filhos dão para os seus filhos e, assim, vai acontecendo o equilíbrio através das gerações, da continuidade da Vida” - explicou Rosaria.
Por último, a Ordem Hierárquica - considerada muito importante de ser preservada em qualquer sistema - seja ele familiar, empresarial, educacional ou governamental. “Quem chegou primeiro, precede quem chegou depois, mesmo na ausência do corpo físico. Por exemplo, se o pai morre - um filho não deve ocupar o seu lugar. Se não houver a preservação da Ordem, muitos emaranhamentos podem ocorrer e criar dificuldades na vida de muitos. Quando a ordem é respeitada, o sistema fica forte e equilibrado” - poutou.
Conforme Rosaria, o principal objetivo da constelação familiar é levar luz a esse movimento inconsciente e perceber a conexão entre um destino e seus efeitos. É compreender que o pertencimento, o equilíbrio entre o dar e receber e a ordem ou hierarquia precisam ser respeitados dentro do seu sistema, para que o amor flua livremente, proporcionando a reconciliação com a própria história. “É colocar em ordem as relações e abrir caminhos para novas atitudes que estimulem o crescimento e o desenvolvimento” - explicou.
A prática da constelação familiar pode ser realizada em sessões individuais ou em grupos de pessoas. Na individual, o constelador utiliza ferramentas como bonecos e outros objetos para as representações relacionadas com a questão trazida pelo paciente. Já na constelação em grupo, “pessoas” são os representantes desses elementos. Essas pessoas, os representantes, poderão ou não saber sobre a questão do paciente.
Conforme Rosaria, os participantes das sessões em grupos são instruídos a se manterem presentes, esvaziados de pensamentos e julgamentos, a fim de entrarem em sintonia com o “campo em questão” - que foi apresentado pelo paciente. “Nesses casos, o constelador ou facilitador observa as percepções dos sentimentos e emoções que afloram e as sensações no próprio” - pontuou.
A Master Coach e Consteladora Familiar Sistêmica explica que, normalmente, o paciente chega à sessão com uma imagem da questão levada e termina com uma totalmente diferente e, é justamente essa que precisa ficar registrada para seguir a psicoterapia.
A constelação familiar pode ser aplicada nas mais diversas áreas: pessoal, familiar, profissional, organizacional, já que se trata de um processo de autoconhecimento. Por isso, não atua como uma terapia; atua como uma luz sobre o que está acontecendo e sobre o que cada pessoa precisa perceber e agir para solucionar os seus problemas.
O método, segundo Rosaria, apesar de recente, já é reconhecido e aplicado em vários países. No Brasil, a constelação familiar possui boa reputação e, recentemente, passou a ser mais visualizada com sua inclusão nas práticas integrativas do SUS, que têm como objetivo prevenir, integrar e complementar tratamentos de doenças. Para ter acesso a esse benefício, é necessário que a Prefeitura faça a solicitação ao Ministério da Saúde.
De acordo com Rosária, a constelação familiar é sempre bem-vinda e não existem pré-requisitos para participar das sessões; porém, é necessário que a pessoa seja capaz e tenha maturidade para responder por si mesma. A constelação pode ser praticada, inclusive, por pais e filhos ou cônjuges juntos, desde que todos os envolvidos estejam dispostos a ampliar a consciência sobre uma questão ou situação que os envolvem, para que cada um tome para si a responsabilidade de lhe caiba.
A mudança acontece em parceria com o paciente. Para que isso aconteça, é preciso que ele coloque energia extra através do “fazer”; pois, qualquer mudança só acontece quando há disposição em mudar o comportamento a fim de se criar novas possibilidades e responsabilidades. “O processo de cura e desenvolvimento é muito mais afetivo. Por isso, na minha metodologia, após uma constelação eu recomendo alguns exercícios de ‘lição de casa’, a fim de que esses novos comportamentos e conexões favoreçam as mudanças desejadas e sejam desenvolvidos” - explicou.
Rosária disse ainda que não existem durabilidade nem prazos determinados para aplicar a constelação. Isso porque, a vida é um processo cíclico, em movimento constante, onde qualquer um de nós está sujeito a passar por problemas e situações difíceis a qualquer momento. “Uma pessoa pode fazer uma constelação para um determinado tema e, depois de algum tempo, achar necessário fazer outra para outro problema diferente” - disse.
Ela orienta a todos que, porventura não consigam resolver determinados problemas - a ponto de eles refletirem de forma negativa no dia a dia – que busquem ajuda. Até porque, assuntos mal resolvidos podem gerar uma carga emocional ruim que pode, inclusive, colaborar com o desenvolvimento de doenças. “É claro que, cada ser humano é único e s nenhum fator deve se aplicar uma regra geral, uma padronização. Mas, é sim, muito importante, cuidar das emoções” - destacou.
A constelação familiar pode ser indicada para os mais diversos temas voltados para o desenvolvimento pessoal e profissional, tais quais: dificuldades de relacionamentos com a família, com o cônjuge, com os amigos, com os colegas no trabalho, para gestão de mudanças, para as situações de crise, de desmotivação, padrões repetitivos, etc.
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