A produção do momento na Netflix é a minissérie britânica "Adolescência", lançada em 2025. Dividida em quatro capítulos intensos, a trama acompanha o caso chocante de Jamie Miller, um garoto de 13 anos acusado de assassinar uma colega da escola, Katie, da mesma idade.
O roteiro prende a atenção ao mostrar o desenrolar do caso por diferentes pontos de vista: da família, da terapeuta e do investigador, até revelar o que realmente aconteceu.
Para o site Rara Gente, o Conselheiro Tutelar Paulo Molina deu um parecer sobre a série e os cuidados que devemos ter com os adolescentes. Segundo ele, embora ficcional, a minissérie espelha realidades já vividas em diversos países, inclusive no Brasil.
(Crédito: Reprodução/Netflix)
“É cristalino a confirmação no desfecho da minissérie que realmente Jamie assassinou por esfaqueamento a personagem Katie. O assassinato deve-se à ausência de autoestima e à violência do bullying sofrido na escola, fatores que contribuíram para a insegurança de Jamie”, afirma Molina.
Na trama, Jamie é apresentado como um adolescente retraído, que se isola e passa a consumir conteúdos tóxicos on-line, incluindo discursos misóginos. A tensão aumenta quando ele é acusado por Katie de ser um "incel" (abreviação de “involuntariamente celibatário”, termo comumente associado a homens que nutrem ódio por mulheres) em um perfil do Instagram, levando a uma série de acontecimentos que culminam no trágico crime.
Apesar de confessar à terapeuta que pensou em abusar da colega antes do assassinato, Jamie afirma que não o fez — o que, em sua mente distorcida, o tornaria "melhor" do que outros garotos como ele. Essa fala revela a fragilidade emocional e a construção deturpada de valores que o personagem desenvolveu.
“Jamie pode ser comparado a uma bomba-relógio prestes a explodir. O roteiro nos conduz constantemente ao risco iminente do personagem, até o momento em que Katie se torna a vítima trágica”, explica o conselheiro.
A série trata de temas delicados, como misoginia, masculinidade tóxica, violência juvenil e a falta de orientação emocional adequada. Mesmo inserido em uma família amorosa e presente, o personagem se vê à deriva em um mundo hostil e digitalizado.
E se "Adolescência" fosse ambientada em Três Lagoas?
(Crédito: Ben Blackall/Netflix)
A trama se passa no Reino Unido, onde a prisão perpétua é pena obrigatória para assassinos condenados, mas menores de idade, como Jamie, podem eventualmente obter liberdade condicional. Na série, ele aguarda julgamento internado em uma clínica psiquiátrica.
“Se fosse aqui, Jamie responderia por ato infracional análogo ao feminicídio. Se fosse apreendido em flagrante, seria encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário. Caso contrário, o Ministério Público poderia solicitar a internação”, explica Paulo Molina.
No Brasil, a legislação prevê que adolescentes em conflito com a lei podem permanecer internados até os 21 anos. Após essa idade, a punibilidade é extinta e o jovem deve retornar ao convívio social.
Ainda de acordo com o conselheiro, o processo inclui interrogatório com garantias jurídicas, acompanhamento de responsáveis legais, e possibilidade de atuação do Conselho Tutelar, que pode encaminhar o caso como Notícia de Fato ao Ministério Público e ao Juizado da Infância e Juventude.
"Adolescência" não é apenas uma série policial, mas uma análise profunda de como garotos como Jamie são moldados por um ambiente tóxico e desorientador.
A produção nos lembra que prevenir tragédias como essa começa com escuta ativa, acolhimento, educação emocional e vigilância digital. E, principalmente, com o compromisso coletivo de criar um ambiente mais seguro e saudável para o desenvolvimento de nossas crianças e adolescentes.
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