Em nossa rotina diária, produzimos uma enorme quantidade de resíduos. Embalagens e descartáveis dos mais diversos tipos, sobras de alimentos, dejetos sanitários e poluentes, sobrecarregam os aterros e causam enormes transtornos à população. Para evitar isso, precisamos produzir menos lixo, além de praticar o consumo consciente.
Para se ter uma ideia,
cada brasileiro produz, em média, pouco mais de 1 kg de lixo por dia
, de acordo com informações da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe. A empresa detectou que, anualmente, cada pessoa produz nada menos do que 387 kgs de resíduos no Brasil.
Fernanda Cortez, idealizadora do movimento Menos 1 lixo e defensora dos Mares Limpos pela ONU Meio Ambiente, explica que separar o lixo para a coleta seletiva é uma das atitudes mais comuns de sustentabilidade, no entanto, pontua que não quer dizer que este lixo irá desaparecer, pois “reciclável, não quer dizer reciclado”.
“O Brasil recicla menos de 3% de todo o seu lixo, enquanto São Francisco, na Califórnia, recicla 80%. A diferença é tão absurda que dá até vergonha, e leva à pergunta que não quer calar: o que acontece com o lixo que eu separo para coleta? A resposta é: depende de muitos fatores.
Mas o principal deles é o valor daquele resíduo e o mercado que existe pra ele ser reciclado. Não adianta a pessoa separar seu lixo se a cooperativa não tem pra quem vender.
Reciclagem não é filantropia, é um negócio como outro qualquer”, diz.
“O principal benefício para quem composta é se maravilhar com os ciclos da natureza, entender que somos parte daquilo”
Segundo Fernanda, a latinha de alumínio, por exemplo, é recorde no mundo, com uma taxa de 98% de reciclagem. Em 60 dias, a latinha que você descartou volta para as prateleiras. E como isso é possível? Graças ao valor do material e ao preço por quilo repassado para o catador, um dos maiores da cadeia de resíduos. Mesmo com a bitributação do material, ainda assim o alumínio tem valor. Conforme o Ecycle - marca que tem origem no interesse pelas relações de consumo-, o imposto sobre produtos industrializados - IPI, sobre a resina virgem é de 10%, enquanto que para uma matéria reciclável é de 12%, criando essa bitributação - dois impostos sobre o mesmo produto - que dificulta ainda mais a reciclagem de materiais ‘baratos’ como o plástico.
“Se não mudarmos nosso consumo de descartáveis, teremos mais plásticos do que peixes nos oceanos em 2050, e recentemente a ingestão de plásticos superou as redes de pesca na causa das mortes de tartarugas. E pensar que usamos um dos materiais mais resistentes que existem para produtos descartáveis e que 35% deles serão usados uma vez por até 20 minutos”.
Voltando à reciclagem, a taxa de plásticos no Brasil gira em torno de 20%, com a PET liderando o ranking - 51% de todo PET é reciclado. Ou seja: aquela embalagem de salgadinho, plástico filme e canudinho tem uma taxa de reciclagem baixíssima, muitas vezes próxima de zero, como é o caso do copo descartável no País. E mesmo assim consumimos 720 milhões deles por dia!
O vidro, por exemplo, é um material com potencial para ser infinitamente reciclado, mas existem apenas cinco fábricas no Brasil que reciclam vidro e o peso inviabiliza o transporte das cidades até elas. “Em Brasília, o vidro já não é mais um material classificado como reciclável, porque a fábrica mais próxima fica a quase 1000km da cidade”.