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Quanto lixo você produz?

Conheça o impacto que sua produção diária de resíduos causa no planeta e saiba como diminuir essa estatística

Daniela Galli
15/12/22 às 08h00

Em nossa rotina diária, produzimos uma enorme quantidade de resíduos. Embalagens e descartáveis dos mais diversos tipos, sobras de alimentos, dejetos sanitários e poluentes, sobrecarregam os aterros e causam enormes transtornos à população. Para evitar isso, precisamos produzir menos lixo, além de praticar o consumo consciente.

Para se ter uma ideia, cada brasileiro produz, em média, pouco mais de 1 kg de lixo por dia , de acordo com informações da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe. A empresa detectou que, anualmente, cada pessoa produz nada menos do que 387 kgs de resíduos no Brasil.

Fernanda Cortez, idealizadora do movimento Menos 1 lixo e defensora dos Mares Limpos pela ONU Meio Ambiente, explica que separar o lixo para a coleta seletiva é uma das atitudes mais comuns de sustentabilidade, no entanto, pontua que não quer dizer que este lixo irá desaparecer, pois “reciclável, não quer dizer reciclado”.

“O Brasil recicla menos de 3% de todo o seu lixo, enquanto São Francisco, na Califórnia, recicla 80%. A diferença é tão absurda que dá até vergonha, e leva à pergunta que não quer calar: o que acontece com o lixo que eu separo para coleta? A resposta é: depende de muitos fatores. Mas o principal deles é o valor daquele resíduo e o mercado que existe pra ele ser reciclado. Não adianta a pessoa separar seu lixo se a cooperativa não tem pra quem vender. Reciclagem não é filantropia, é um negócio como outro qualquer”, diz.

“O principal benefício para quem composta é se maravilhar com os ciclos da natureza, entender que somos parte daquilo”

Segundo Fernanda, a latinha de alumínio, por exemplo, é recorde no mundo, com uma taxa de 98% de reciclagem. Em 60 dias, a latinha que você descartou volta para as prateleiras. E como isso é possível? Graças ao valor do material e ao preço por quilo repassado para o catador, um dos maiores da cadeia de resíduos. Mesmo com a bitributação do material, ainda assim o alumínio tem valor. Conforme o Ecycle - marca que tem origem no interesse pelas relações de consumo-, o imposto sobre produtos industrializados - IPI, sobre a resina virgem é de 10%, enquanto que para uma matéria reciclável é de 12%, criando essa bitributação - dois impostos sobre o mesmo produto - que dificulta ainda mais a reciclagem de materiais ‘baratos’ como o plástico.

“Se não mudarmos nosso consumo de descartáveis, teremos mais plásticos do que peixes nos oceanos em 2050, e recentemente a ingestão de plásticos superou as redes de pesca na causa das mortes de tartarugas. E pensar que usamos um dos materiais mais resistentes que existem para produtos descartáveis e que 35% deles serão usados uma vez por até 20 minutos”.

Voltando à reciclagem, a taxa de plásticos no Brasil gira em torno de 20%, com a PET liderando o ranking - 51% de todo PET é reciclado. Ou seja: aquela embalagem de salgadinho, plástico filme e canudinho tem uma taxa de reciclagem baixíssima, muitas vezes próxima de zero, como é o caso do copo descartável no País. E mesmo assim consumimos 720 milhões deles por dia!

O vidro, por exemplo, é um material com potencial para ser infinitamente reciclado, mas existem apenas cinco fábricas no Brasil que reciclam vidro e o peso inviabiliza o transporte das cidades até elas. “Em Brasília, o vidro já não é mais um material classificado como reciclável, porque a fábrica mais próxima fica a quase 1000km da cidade”.

Heloisa Schurmann e a família a bordo do veleiro Kat

O que fazer?

Olhando pra tudo isso você deve estar se perguntando: o que fazer? Fernanda explica que em primeiro lugar, deve-se reduzir a produção de lixo.

“Reduzir o lixo está em primeiro, segundo, terceiro lugar, etc. Aí repensar nosso consumo, adotar melhores práticas. Para o processo da reciclagem acontecer, gasta-se água, energia, emissão de gases de efeito estufa - para o transporte desse material até a separação e reciclagem. E esses são só alguns dos impactos desse processo. Claro, é melhor reciclar do que despejar o lixo em aterros e lixões - esses deveriam ter sido extintos do Brasil há mais de 3 anos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Existem sites como o eclycle, onde você pode achar o que é de fato reciclado onde você mora - sim, isso também varia. E, com base nisso, você pode trocar alguns materiais por outros”.

“Por último, pratique a autorresponsabilidade. O lixo que você produz é, sim, problema seu. Repense, recuse, reuse, reduza e por último recicle”, aconselha. 

E o lixo orgânico?

É um ciclo vicioso: comprar comida, cozinhar, comer e jogar fora os restos. Mas o que é feito com o lixo depois que ele sai de casa? A responsabilidade individual acaba no momento da coleta? Não para o meio ambiente. O Brasil vive hoje uma das piores gestões de resíduos do mundo e se consolida como o 4º país que mais produz lixo no planeta. Do montante, 37 milhões de toneladas anuais são de lixo orgânico. Um problema que poderia ser minimizado pelo aumento da prática da compostagem nos lares do País.

A compostagem é o processo de reciclagem de materiais orgânicos que os transforma em adubo. Não compostar é um mau hábito ainda muito frequente no Brasil e com uma série de consequências. “Cerca de 50% dos municípios despejam os resíduos em lixões, sem separação, e mais da metade desses resíduos gerados em residências são orgânicos, ou seja, restos de comida. Se cada pessoa ou família tivesse uma compostagem em casa, essa quantidade cairia para menos da metade” , explica.

Para Fernanda, as melhorias ultrapassam questões ambientais e refletem em impactos pessoais: “O principal benefício para quem composta é se maravilhar com os ciclos da natureza, entender que somos parte daquilo e ressignificar a responsabilidade em relação ao nosso resíduo”. 

Evelyn Araripe, educadora ambiental

Como começar a compostar?

A compostagem doméstica pode ser feita em casa ou em apartamento, tudo vai depender do tamanho da composteira escolhida. Aqui, o passo a passo dos principais métodos de compostagem:

Vermicompostagem

Segundo o Projeto Comporta São Paulo, a mais tradicional das técnicas consiste em usar minhocas para ajudar no processo. É necessário uma composteira doméstica de três caixas, matéria seca - que pode ser serragem, grama e folha seca, uma camada de terra e um pacote de minhocas.

O primeiro passo é forrar a caixa de cima com terra e minhoca. Depois disso, tampe a caixa e deixe-a protegida do sol. Conforme for juntando restos de alimentos orgânicos, vá colocando na composteira sobre a terra e as minhocas. Não é necessário espalhar. Feito isso, cubra com matéria seca. Com a caixa cheia, troque-a de posição com a do meio. Assim, a caixa vazia vai para cima ser cheia e a já abastecida descansa por um período de 30 a 60 dias.  Esse é o tempo que a compostagem leva pra acontecer. O resultado é o adubo e, na última caixa, a água dos alimentos com o ‘xixi’ de minhoca, que também é uma mistura ótima para plantas. O processo não dá cheiro.

Compostagem Seca

Um pouco mais demorada, a compostagem seca usa apenas os microrganismos presentes no solo, como fungos e bactérias, para decomposição da matéria orgânica.  Nela é possível que a mistura libere algum tipo de cheiro. O processo é praticamente o mesmo: forre a caixa com matéria seca, coloque terra, acrescente o lixo orgânico e, em seguida, a matéria seca novamente. Quando cheia, troque a disposição das caixas e deixe a que contém material descansando.

Nara Guichon, artesã

O que colocar, ou não, na composteira

Ainda de acordo com o Projeto Comporta São Paulo, a composteira exige alguns cuidados quanto ao que colocar de matéria orgânica. Atente-se:

Pode colocar: frutas, verduras, legumes, grãos, sementes, sacos de chá sem etiqueta, erva de chimarrão, borra e filtro de café e casca de ovo.

Coloque com moderação: frutas cítricas, alimentos cozidos, laticínios, flores e ervas medicinais ou aromatizadas, guardanapos e papel toalha.

Não coloque: carnes, limão, temperos fortes, líquidos, óleos e gorduras, fezes de animais domésticos, papéis.

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