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Quando o medo da morte atrapalha a vida

A tanatofobia exige atenção profissional especializada, garantindo que a pessoa viva com melhor qualidade, diante do destino inevitável

Joana Raspini - Rara Gente
30/04/24 às 10h15

Os seres humanos crescem com uma única certeza: a de que a morte chegará, para si e para aqueles a quem ama. Essa, no entanto, é uma verdade que parece incômoda, sobretudo nas sociedades ocidentais, ao ponto de o assunto não ser tratado como uma preparação, um evento natural.

Aliás, muitos entendem como algo “nada natural”, que pauta a condução da vida e, em muitos casos, assusta ao ponto de se tornar patológico.

O medo excessivo da morte é classificado como tanatofobia e exige atenção profissional especializada, principalmente quando afeta diretamente a saúde mental.

Esse tipo de fobia é frequente e influencia o desenvolvimento de diferentes quadros depressivos. Além disso, se não for adequadamente tratado, o medo da morte pode desencadear outras complicações emocionais.

Psiquiatras e psicólogos destacam que temer a morte é algo normal e desejável, pois pode ajudar na preservação da vida, evitando-se riscos desnecessários de acidentes e doenças, por exemplo. Entretanto, quando começa a atrapalhar o fluir da vida, deve se redobrar a atenção e oferecer apoio aos outros ou buscá-lo para você mesmo.

PERDER ALGUÉM

Vista como uma perda indissolúvel e irreparável, a morte é considerada um evento assustador e doloroso para aqueles que estão perdendo alguém que amam. Diante da falta real, do luto e da dor que a perda causa, os temores podem refletir não somente numa pessoa, mas ser passado a seus dependentes, com situações de superproteção aos filhos, por exemplo, cerceando as opções de vida, criando restrições e sufocando.

O medo da perda pode envolver ainda a transferência do medo, ou seja, pais acabarem criando filhos inseguros com as questões práticas e cotidianas.

PERDER A PRÓPRIA VIDA

Outro aspecto é o medo da própria morte. São muitas formas de temor. Medo da dor ou do sofrimento que sentirá no momento ou até chegar ao fim, medo de morrer sozinho e sem apoio, insegurança sobre o desconhecido após a morte ou de consequências e implicações religiosas e espirituais, medo de ter vivido sem propósito, de deixar responsabilidades e filhos ou pais idosos.

Caso isso comece a interferir significativamente na vida de uma pessoa, impedindo-a de realizar suas atividades diárias ou causando sofrimento emocional excessivo, pode ser indicativo de um transtorno de ansiedade, como pânico, transtorno de ansiedade generalizada ou transtorno de estresse pós-traumático, que ocorre após uma situação real de risco à vida.

Nessas circunstâncias, os episódios de fobias podem se elevar a um nível tão severo ao ponto de prejudicar as atividades sociais e profissionais de forma acentuada. Alguns tendem a desenvolver certa obsessão pela morte, por isso, vivem angustiados e temerosos em todos os lugares e contextos.

Se você está sentindo medo intenso ou ansiedade em relação à morte e isso está afetando negativamente sua vida, é importante buscar ajuda profissional. Um terapeuta ou psiquiatra pode ajudá-lo a trabalhar em seus medos e encontrar maneiras saudáveis de lidar com eles.

"PSIQUIATRAS E PSICÓLOGOS DESTACAM QUE TEMER A MORTE É ALGO NORMAL E DESEJÁVEL".

SINTOMAS

A intensidade do medo da morte pode desencadear até mesmo sintomas físicos que, muitas vezes, acabam sendo confundidos como uma situação iminente de risco de morrer. Calafrios, sudorese, boca seca, taquicardia, palpitações, dor de estômago, náuseas e vômitos, tremores nas mãos e sensação de asfixia estão entre eles.

Além disso, o mais comum são as manifestações mentais e emocionais. As mais observadas são ansiedade persistente, crises de humor ou de depressão, perda de sensibilidade e controle, incapacidade de distinguir entre realidade e irrealidade, repetição de pensamentos violentos ou de episódios sangrentos, medo de enlouquecer e não conseguir controlar as próprias reações, desejo muito forte de fugir para escapar de certas situações, como foi o contexto da pandemia de Covid-19.

COMO LIDAR COM O INEVITÁVEL

Enfrente os medos, identificando-os e trabalhando as sensações que provocam, por meio de terapias e até tratamento com medicamentos; mantenha-se ocupado e procure ter atividades que foquem mais na vida do que na morte; busque conectar-se com amigos ou pessoas da família, expressando seus temores e até mesmo una-se a comunidades de apoio espiritual; foque naquilo que você pode controlar - sua saúde, qualidade de vida, alegria de viver e de conviver - e não no inevitável; e não descarte auxílio de profissionais da saúde mental, os quais ajudarão a encontrar estratégias para apaziguar seus sentimentos ou prescreverão tratamentos medicamentosos até que a paz chegue e seja possível lidar com este turbilhão de medos.

"O MEDO EXCESSIVO DA MORTE É CLASSIFICADO COMO TANATOFOBIA E EXIGE ATENÇÃO PROFISSIONAL."

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