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Por que criticamos tanto?

Não importa se as críticas já se tornaram um hábito, o que nos importa é que a maioria continua destrutiva

Rara Gente - Beatriz Rodas
10/01/18 às 07h35
As redes sociais potencializam o juízo crítico das pessoas sobre coisas e situações (Divulgação/Rara Gente)

A vida é cíclica. Estamos em constante movimento e isso é irrefutável. O dia de hoje já não é o mesmo de ontem, amanhã será outro dia e assim sucessivamente... Que atire a primeira pedra quem nunca tomou uma conclusão precipitada sobre algo ou alguém e, no fim das contas, viu que não era bem o que pensava.

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Conjugar o verbo ‘julgar’ em todas as suas formas é uma realidade no ciberespaço, nas ruas, conversas, rodas de amigos, fofocas e diálogos é fácil encontrar comentários ofensivos, disseminações de ódio e julgamentos que, na maioria das vezes, machucam as pessoas - alvos de diferentes pontos de vista.

O médico e psicanalista, Dr. Antônio João, afirma que: “As pessoas têm, naturalmente, a tendência de querer ter a razão. Faz parte do ser humano a sensação de deter o poder. E fazer a crítica observando a sua ideia, o seu conceito sobre algo, é muito natural”.

Precisamos, então, de um denominador comum entre a nossa tendência natural, enquanto seres humanos, e o livre-arbítrio para fazermos nossas escolhas. Assim, o médico acrescenta: “As pessoas têm um conhecimento muito superficial dos fatos e querem emitir críticas, sem antes fazer um julgamento baseado no conhecimento sobre a situação ou a vivência. E como o assunto fica na base da superficialidade, não se chega a um consenso. Todas as pessoas querem ter razão, sem nenhuma razão propriamente dita”.

Sobre as redes sociais...

“As redes sociais têm um valor incrível na disseminação de ideias, de notícias em tempo real... Mas, ela tem pouco valor na configuração dessas ideias, do juízo crítico que se deve fazer. Ela acaba ficando superficial demais nos assuntos. Então, ressalvada a sua importância, ela também tem pontos que não são tão benéficos”, comenta o médico.

Alguns dos pontos não tão benéficos são que elas potencializam o hábito crítico. As redes sociais fizeram com que todos se tornassem autores. Acentuam a vaidade e a submissão à vaidade, à exposição e à aparência. O filósofo e historiador Leandro Karnal diz que “nós vivemos dias em que a felicidade deixou de ser vivida para ser postada e, se não é postada, é como se não tivesse existido. As pessoas sentem a necessidade de ter, ser e viver aquilo que as telas mostram. Mas a vida vai além daquilo”.

Como dissolver o que recebemos de ruim?

“Tá ok, mas como eu não vou ligar para as coisas ruins que falam de mim?” Olhamos para um lado e nos deparamos com insultos. Olhamos para trás, condenação. Para frente, medo.

E agora? O que eu faço? Leandro Karnal diz o seguinte: “Veneno só faz efeito se você beber”. Nós precisamos do autoexame.

Coloque a crítica em frente o espelho, e em primeiro lugar veja se é válida, se é verdadeira ou só uma invenção para baixar sua autoestima. Em segundo veja se vai lhe fazer bem, se vai ser produtivo para a sua personalidade, gerar alguma mudança produtiva. Terceiro, olhe para o autor da crítica. Se quem disse quer o seu bem, é plausível. Se não, é inadmissível – assim como uma árvore, que deve ser julgada não pelo que vemos, mas pelos frutos que ela produz.

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