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Os donos das quadras

Conheça histórias de jogadores que se dedicam a um esporte conhecido no mundo inteiro por exigir extremo preparo físico e mental

Rara Gente - Da redação
10/01/22 às 08h48

Muito mais do que bolinha para cá e para lá. O tênis, um dos esportes mais tradicionais e praticados no mundo é também sinônimo de técnica, tática e, claro, benefícios para o corpo. Tanto que, de acordo com os mais diversos estudos elaborados pela ciência esportiva, normalmente a modalidade entra como uma das mais completas atividades físicas para a nossa saúde, sendo indicada a todas as pessoas.

No Brasil, o tênis se popularizou depois que Gustavo Kuerten, o Guga, ganhou pela primeira vez Roland Garros, em 1997. Na época, o país do futebol viu suas crianças com uma raquete em mãos ovacionarem um novo ídolo. Antes era visto como um esporte totalmente elitizado, agora, conquista cada vez mais praticantes.

Seja homem, mulher, criança ou idoso, o tênis consegue se adaptar facilmente às necessidades e possibilidades de cada um, independente da idade. Praticado em partidas individuais ou em duplas, os golpes e os constantes movimentos das pernas durante a atividade mexem com diversas musculaturas do corpo, por isso, contribui diretamente no desenvolvimento físico e orgânico.

Segundo o professor de tênis Fernando Campos, este esporte é muito mais do que um jogo: “Com a prática desta modalidade, nós aprendemos a melhorar o nosso equilíbrio emocional, concentração, tolerância, perseverança, desempenho - sob pressão e sob adversidades, além de aumentar a autoconfiança, motivação e principalmente respeito ao próximo”.

Quer conhecer mais sobre o tênis e os seus benefícios? A Gente te conta em cinco histórias de tenistas que te darão um gás para começar a jogar!

GARRA PARA VENCER

A maturidade dentro de quadra contrasta a precocidade das vitórias. Aos 14 anos, Rafaela Ribeiro Bruzadin dá um show nas partidas de tênis. Incentivada pelo pai, o médico Marcus Vinicius Velasques Bruzadin, que também pratica o esporte, Rafaela treina rigorosamente desde os 10 anos de idade, duas vezes por semana intercalando partidas com o pai e a irmã de 17 anos.

“Não importa se você é jovem, adulto ou idoso. Crianças, homens e mulheres, tem a liberdade para aprender o tênis e se divertir. Os treinos são organizados de acordo com o perfil do praticante, ajudando na evolução da pessoa de forma gradativa”.

No tênis existem muitas estratégias que vão ser aprendidas e aplicadas, porém como é um esporte individual e de alta precisão, se a ansiedade não estiver sob controle, será difícil obtermos sucesso. Por isso desde as primeiras ‘raquetadas’ se aprende a respirar fundo e acalmar os ânimos para um golpe matador! E haja fôlego para aguentar uma partidinha de duas horas!

“Quando se joga tênis é preciso raciocínio, tática e pensamento exclusivo no jogo, ao mesmo tempo em que o ritmo do outro jogador é respeitado, permitindo que seu adversário recupere o fôlego”, diz. Para ela, o tênis também tem caráter educativo. “Além de garantir um bom condicionamento físico, ele promove o respeito ao tempo do adversário”, explica.

Rafaela afirma que o tênis a ensinou, inclusive, que a capacidade de raciocinar é muito importante, até mais que o seu condicionamento físico. Pensar e executar a jogada certa coloca o tenista em vantagem, por isso é tão importante o silêncio das arquibancadas em uma partida, para que o jogador possa se concentrar ao máximo e executar os melhores golpes.

NOVAS HABILIDADES

“O tenista deve pensar o tempo todo no que irá fazer na partida, como vai se comportar perante o adversário e o que será preciso para fazer um bom jogo”. Mas imagine agora fazer tudo isso em milésimos de segundos antes da ‘bolinha’ chegar para você rebater? “É difícil, por isso sou muito grata ao tênis por ter me ajudado a desenvolver essa habilidade de pensar antes de qualquer movimento e de tomar decisões rápidas”.

A idade para Rafaela nunca foi um empecilho, já que é comum os tenistas começarem tão cedo, além disso, este é também um esporte democrático. Um garoto de 16 anos pode facilmente ganhar de um adulto de 30, por exemplo, uma pessoa mais velha pode ganhar da mais nova, a garota pode ganhar do garoto e por aí vai. “É um esporte maravilhoso que faz com que pessoas de todos os tipos se envolvam com um único objetivo: jogar tênis e se divertir”, finaliza.

ESPÍRITO DE LUTA

O cirurgião plástico Bruno Nunes, 39 anos, é tenista há três anos, começou jogando com amigos e viu a necessidade de melhorar as suas técnicas, e assim ele fez! Dedicou-se profundamente para evoluir seu desempenho no jogo.

No tênis os objetivos têm que ser gradativos, um pouco de cada vez. O atleta começa querendo melhorar sua batida, depois a movimentação dos pés, o saque, voleio e assim por diante.

A cada evolução o tenista se aproxima mais do objetivo ‘vencer’, que apesar de ser o cerne de uma partida de tênis não é algo tão relevante assim, visto que há possibilidade de perder um jogo, mas sair de lá vitorioso consigo, e feliz com o desempenho. “Treino duas vezes por semana. Quando possível, jogo por lazer com familiares.  A prática para mim é muito boa para o combate ao estresse e para o condicionamento físico!”, diz Bruno reiterando que a prática também se baseia em usufruir de todos os benefícios para a saúde.

Ainda que a agenda do cirurgião esteja lotada, ele procura reservar um tempo para as partidas, pois é movido por desafios e neste esporte desafiar-se faz parte da rotina de quem o pratica. “Como adoro esportes, o tênis veio como mais uma opção, com a vantagem de ser um desafio em sua complexidade”.

Para além do condicionamento físico, trabalhar as emoções é outro ponto que merece destaque no hall dos benefícios do esporte. Se nós espectadores, sentimos emoção assistindo um jogo, imagine os protagonistas da partida.
Desenvolver o equilíbrio emocional é fundamental para um tenista, e esta é uma habilidade que pode ser diferencial - não só para ganhar os jogos, mas também uma habilidade para a vida.

DIVIRTA-SE

De todas essas lições, por último, mas não menos importante, Bruno lista a diversão como uma das principais lições, o cirurgião aprendeu que vencer é bom, mas se divertir é melhor.

Esse é o espirito do tênis, um esporte muito competitivo, mas que permite liberar grandes doses de serotonina - o hormônio da felicidade - em cada partida. Afinal, o que realmente importa é entrar em quadra e fazer um bom jogo com os amigos. “Fiz grandes amizades por lá e colho bons frutos desses relacionamentos até hoje. Sou muito grato ao tênis por ter feito bons amigos, pessoas que certamente vão agregar em minha vida”.

PELO AMOR AO JOGO

O que é o amor? Amor não tem cara, forma, volume ou densidade específica. Ao mesmo tempo, tem tudo isso e muito mais. Amor se manifesta no seu próprio tempo, nunca adiantado nem atrasado.

E para a juíza do trabalho Beatriz Maki Shinzato Capucho - 44 anos, amor é onde quer que haja uma quadra de tênis. Natural de Campo Grande ela começou a jogar tênis aos 10 anos de idade. “Naquela época meu pai e meus irmãos já jogavam e me iniciaram no esporte. Joguei até os 15 anos e cheguei a ganhar alguns campeonatos locais, mas com 16 anos fui para São Paulo estudar e acabei por abandonar o tênis”, conta.

Mas este não era o fim da sua história com o esporte. O recomeço surgiu 25 anos depois, quando se mudou para Três Lagoas. “Em 2018 uma amiga me convidou a fazer aulas com ela, foi quando conheci o professor Fernando. Ele me perguntou se eu já tinha jogado tênis e respondi que sim, mas que não jogava há uns 25 anos. Obviamente já não sabia jogar, mas o retorno somente me trouxe alegrias”, diz.

Desde então, ela treina duas vezes por semana, aproveitando cada segundo na quadra. “Com muita paciência, ao longo dos meses o professor Fernando foi consertando meus movimentos, que já eram ultrapassados, retirando vícios e me ensinando táticas e técnicas. Hoje acredito que tenho um bom nível de tênis, melhor até do que o da adolescência, sem aquele vigor físico, mas mais do que sufi ciente para um bom jogo com os amigos”.

HERANÇA FAMILIAR

Amar também é querer algo como intrínseco, inerente, inseparável. É lutar pelo que se quer como algo que se precisa. O tênis para Beatriz é muito mais do que um esporte ou uma forma de se exercitar: é uma paixão, uma diversão, uma válvula de escape para as pressões do dia a dia e um amor. Passado de pai para filha. “Quero seguir o exemplo do meu pai e jogar até quando puder. Meu pai tem 88 anos e continua ativo no esporte. Recomendo o esporte para todas as pessoas, mas é preciso ter paciência, porque sem saber o básico não se consegue jogar tênis, mas quando se aprende é tudo de bom, só tem benefícios, para o corpo e para a mente”, completa.

VIDA DEDICADA AO TÊNIS

A paixão dele surgiu desde a primeira vez que golpeou a bola na quadra. Há dezessete anos, o professor de tênis, Fernando Campos, 50 anos, criava uma ligação com o tênis, um esporte que até então era pouco praticado em Três Lagoas.

“Eu e mais três colegas de profissão, resolvemos fazer uma disputa da modalidade, e fomos pegando gosto pelo esporte. Até que eu resolvi incentivar a pratica do tênis na cidade. Fui atrás de estudos e capacitação pelo órgão maior, que é a Confederação Brasileira do Tênis - CBT, e outros cursos como a escola da Espanha - Academia de tênis Rafael Nadal. Antes o que era praticado por doze pessoas, hoje, na cidade tem mais de 200 praticantes”, diz.

Quando uma partida começa, a adrenalina vai a mil e o prazer de executar o repertório de golpes como: forehand, backhand, voleio, saque, e a deixada - que traz um êxtase inigualável. Segundo Fernando, toda essa energia que a prática proporciona é convertida em benefícios para a saúde, já que o tênis é uma ótima alternativa para trabalhar todo o corpo de forma saudável e eficiente e ainda reduzir o estresse do dia a dia. “Melhora a capacidade cardiovascular e respiratória, melhora a coordenação motora e o reflexo”, destaca o professor.

O que poucos sabem é que além do gasto calórico, o tênis possui um bom relacionamento com a saúde mental, na prática há redução dos níveis de cortisol e, como consequência, diminuição do estresse. De acordo com Fernando, este esporte também é indicado para o tratamento do TDHA - Transtorno de Défi cit de Atenção. “Esta é uma das enfermidades que vem recebendo atenção dos pesquisadores nos últimos anos, neste sentido, especialistas afirmam que jogar tênis ajuda no tratamento da TDHA, por exigir habilidades mentais, como a concentração”.

Para completar, ele também pode ser uma excelente maneira de estimular a socialização. “O tênis é uma forma interessante de promover a saúde mental e a socialização. Sendo um esporte individual, ele exige motivação e confiança. Entretanto, permite grupos maiores de treinamento, tornando a modalidade propícia à socialização”.

TÊNIS PARA TODOS

Antigamente havia uma visão de que o tênis é um esporte elitista e restrito a pessoas com uma situação financeira melhor. Se você está preocupado com isso, Fernando garante que a ideia é um mito. “O tênis ainda é visto como um esporte de elite, que só é praticado, em sua maioria, pela garotada em clubes particulares. O grande erro do tênis no Brasil é ele não ser democratizado. Precisamos tirar este estigma de elite para o tênis encontrar seu caminho novamente”. Vejo a cada ano mais pessoas praticando tênis, independentemente da sua situação financeira. Todavia, a falta de espaços que não sejam particulares para a prática do tênis ainda é um empecilho para o desenvolvimento ainda maior do esporte no país”, finaliza.

CORPO E MENTE SAUDÁVEL

Cada vez mais as mulheres dominam as quadras, seja no saibro, relva, cimento ou sintética... Elas mostram a que vieram! A servidora pública Simone Calisto Pissinatti, 38 anos, entrou para a estatística de mulheres poderosas e bem-sucedidas em bem estar. Começar a jogar tênis a ajudou a fortalecer sua rotina saudável, apesar de iniciante, ela já vê os resultados que o esporte proporciona.

“Sempre tive a curiosidade e vontade de aprender, mas nunca consegui encaixar na minha rotina. Comecei pela facilidade de ter quadra no condomínio em que moro, e consegui encaixar - finalmente - com horário que eu conseguiria fazer aula”.

“Faço aula duas vezes na semana, por enquanto, mas assim que me sentir preparada pretendo utilizar o tempo livre nos finais de semana, ou finais do dia para a prática do esporte - jogando efetivamente”. Simone conta que o tênis a ensinou que o nosso corpo é a nossa casa, portanto, é preciso se alimentar bem, cuidar da saúde, praticar esportes e atividades físicas, se divertir, descansar e manter um ‘lifestyle’ saudável para se sentir melhor.

Para ela, se o praticante quiser levar o esporte a sério é preciso se preparar física e mentalmente. “O tênis trabalha nossa capacidade de concentração e superação, além de resistência. Ele exige do atleta de maneira individual, por isso sempre buscamos a superação. Sem falar que em época de pandemia precisamos cuidar de nossa saúde. A atividade física é muito importante para esse auxílio, e o tênis bastante seguro”, aconselha.

ACREDITAR EM SI

Garra, atitude, intensidade, coragem, jogar a partida com energia, manter uma situação emocional construtiva quando as coisas vão mal, acreditar no seu potencial, é importante para ser uma guerreira não apenas nas quadras, como também na vida.

“Acredito que de um modo geral a prática constante do tênis - e de qualquer esporte - nos ajuda a mantermos a disciplina. E auxilia em todas as áreas de nossa vida. Vira um hábito tentar manter essa disciplina e foco que o tênis traz. Minha dica para quem quer iniciar o jogo é: se dedique, insista, que cada nova aula/treino é uma evolução e a chance de dar o seu melhor!”, finaliza.

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