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Mulher, mãe, Monya

Olhos vibrantes, personalidade forte, falas objetivas e certeiras. Conheça um pouco mais sobre Monya Padovini Lopes, que emprestou toda a sua força e história para brilhar junto com a Gente.

Rara Gente - Daniela Galli
09/05/22 às 08h00

Para conceber uma matéria de alto calibre, sobre a pessoa que está na capa desta publicação, o ideal seria que a entrevista fosse realizada com tranquilidade, em um local neutro, mas com infraestrutura, porém sem hora certa para terminar. Afinal de contas, estamos falando de quem emprestou a sua própria face para, literalmente, abrir a revista.

Mas não: Monya Padovini Lopes recebeu a nossa equipe nas novas instalações do Hospital de Olhos de Três Lagoas, em sua sala, na área administrativa. Apesar da máscara, foi reconhecida pela foto do aplicativo de conversa. Uma mulher de olhos brilhantes, bastante educada com todos ao redor, inclusive com a equipe.

Uma executiva de salto alto, maquiagem, com uma saia lápis e um tailleur cuidadosamente bem cortado e de alta costura; uma pessoa um tanto seca que chegaria a ser um pouco fria. Novamente, não: Monya nos recebe de calça jeans, uma camisete branca confortável que é o uniforme da empresa, com o nome do hospital bordado do lado esquerdo. 

Dois olhos cor de mel bem brilhantes, um par de brincos pequenos e discretos. Somente no acessório que ela coloca e tira a todo momento, os óculos, é que ela deixa escapar um pouco a personalidade vibrante que estamos prestes a conhecer: ele é grande, colorido e com bastante brilho.

A sala estava incompleta e ainda sem muita decoração. Nossa entrevista aconteceu exatamente uma semana depois da mudança do Hospital para o prédio novo. A mesa, grande e espaçosa, não esconde o tanto de trabalho que ela tem; são muitos papeis, boletos, lembretes entre outras coisas.

Mais uma pista do que viria a seguir: na parede dois desenhos feitos pelos gêmeos Branca e Mathias. Depois de bem acomodada, deu-se início ao que seriam três horas de bate papo, entre ligações de celular, telefone e recados de funcionários. Neste exato momento a impressão da executiva se desfaz como uma nuvem e começa a tomar forma na cabeça a imagem de todas as mulheres fortes e admiráveis das quais se tem notícia, entre outras palavras, um milhão de mulheres em uma só.

FAMA DE BRAVA

Monya é filha da Marize e do ‘Dunga’. É irmã da Rayssa e da Mavye. O nome das três tem um significado importante para a família. Rayssa foi tirado de um livro e era o nome da esposa do ex-presidente da extinta União Soviética, Mikhail Gorbatchov; Mavye, na verdade é mavie, ou ‘minha vida’ em francês. “Venho de uma família de mulheres fortes”.

O nome de Monya surgiu de uma música italiana que a mãe ouvia no rádio quando ela nasceu. Natural de Bauru, no interior de São Paulo, foi lá que ela cresceu e estudou. Ela conta que foi com a mãe que ela aprendeu a ser ‘homem e mulher’ ao mesmo tempo, ou a ser aquela pessoa que ‘veste as calças’, expressão muito utilizada por sua mãe. “Meu pai tinha uma serralheria e permanecia quase que o tempo todo na produção. Minha mãe cuidava da parte administrativa de tudo”.

Formada em Direito, seu plano inicialmente era ser delegada. Somente durante o curso é que ela resolveu mudar de ideia e jamais chegou a exercer qualquer profissão na área jurídica. “Depois de formada morei um ano e meio nos Estados Unidos e trabalhei bastante por lá”. Quando voltou, tornou-se professora de inglês para adultos ministrando, ainda com pouca idade, aula para cerca de 20 pessoas regularmente.

Foi a personalidade organizada que fez com que ela chegasse ao trabalho que exerce hoje: a administração geral do Hospital de Olhos. “Minhas irmãs brincam que eu sou a doida das caixas organizadoras, das tupperwares e dos post-its”.

A imagem que as pessoas fazem dela não condiz em nada com o que ela faz hoje em dia. Muitos pensam que ela é uma ‘dondoca’ que somente cuida dos negócios do marido, que é oftalmologista. Mas, claro, não é bem assim.

“Eu não sou uma pessoa frustrada. Adoro o que eu faço. Não cuido das coisas dele, cuido das nossas e do que é meu também, daquilo que vai ficar para os meus filhos. Somente por acaso e por escolha eu sou esposa do Rodrigo, porém quero que todos respeitem o meu trabalho por que não é fácil desempenhá-lo”.

É nesta hora que ela justifica a fama de brava a que todos lhe atribuem também. “Na verdade eu sou uma pessoa exigente. Não se trata de brabeza, mas de pedir para que as pessoas façam o melhor que puderem. Se algo não foi feito, eu quero saber o motivo. Penso que nós só evoluímos quando fazemos além das nossas atribuições”.

FAMÍLIA

A ‘brabeza’ dela é uma das características das quais o marido, Rodrigo Verzola Lopes fala sempre. “Somos duas pessoas de personalidades bastante fortes”. Monya recorre aos versos da canção ‘Facas’, interpretada pelas duplas Bruno & Marrone e Diego & Victor Hugo para descrever a relação. “Somos como se duas facas se riscassem procurando o corte. Dois corações disputando quem é o mais forte”.

Tudo começou, na verdade há 13 anos em Bauru, onde Monya morava e Rodrigo fazia residência médica. “Eu estava em um ‘esquenta’ com alguns amigos e quando a porta abriu eu vi um homem de dois metros de altura, forte, com um sorriso enorme, usando uma camisa azul com a gola branca. Imediatamente fiquei encantada”.

Na balada ela cortou o pé e foi levada para a emergência no hospital onde Rodrigo trabalhava. “Ele ficou sabendo que eu passei por lá por causa do ferimento e conseguiu entrar em contato comigo. Na mesma hora o convidei para um show no final de semana e foi ali que aconteceu nosso primeiro beijo, no dia 9 de julho de 2010 e estamos juntos até hoje”.

Nesse momento a voz dela embarga e ela vem às lágrimas. “Somos como yin e yang que se complementam. A gente briga, discorda em muita coisa mas ao mesmo tempo eu não imagino a nossa história ter um fim”.

Monya explica que nenhum dos dois é romântico, daqueles que fazem declarações de amor o tempo todo. O pedido de casamento aconteceu pelo telefone quando ela já estava com sete meses de gravidez e ambos moravam juntos há três anos. “Nós íamos fazer um chá de bebê para os gêmeos e convidamos toda a família e os amigos. Quando faltavam 15 dias para a data que havíamos marcado, ele me ligou e disse: ‘vamos aproveitar o chá e casar?’ Tive que organizar tudo naquele intervalo de tempo”.

O HOSPITAL DE OLHOS

Monya é responsável pela administração do Hospital de Olhos. O antigo endereço ficou pequeno para atender toda a demanda de consultas, exames e cirurgias oftalmológicas. Em um rápido passeio pelo prédio é possível perceber o tamanho de todo o crescimento. A recepção impressiona pelo tamanho e pelo conforto.

O Hospital conta com sete médicos que realizam todos os procedimentos de oftalmologia que vão desde a colocação de óculos até cirurgias. O prédio demorou pelo menos quatro anos para ficar pronto. Assim como uma boa parte dos empreendimentos iniciados nos últimos dois anos, a construção foi afetada pela pandemia.

Somente este ano que eles puderam, de fato, mudar para o novo local. A estrutura comporta um centro cirúrgico com duas salas, vestiários para os funcionários e para os pacientes, consultórios médicos, salas de exames, apartamento para internação, além de lavanderia, brinquedoteca e lanchonete.

O caminho percorrido até chegarem ao que tem hoje não foi nada fácil. Antes da mudança definitiva para Três Lagoas, quando ainda moravam em Bauru, ela e Rodrigo vinham pelo menos uma vez por semana com a agenda lotada de atendimentos para absorver a demanda da cidade.

FUTURO

Para os próximos anos que estão por vir, Monya já sabe muito bem o que quer. “Quero chegar aos 50 anos e pensar que, além do Senhor me ajudar, eu conquistei mais do que eu pretendia. Sou uma senhora feliz, com filhos tratados com respeito e crescendo saudáveis. Há alguns anos as mulheres lutavam muito para ter valor e reconhecimento. É muito bom saber que hoje em dia é diferente. Nós merecemos isso”.


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