Você já ouviu falar no termo
“mankeeping”?
Essa expressão da língua inglesa une as palavras man (homem) e keeping (manutenção) para se referir ao cuidado direcionado aos homens, não apenas no sentido tradicional das tarefas domésticas ou práticas, mas especialmente à sobrecarga emocional que muitas mulheres assumem em relacionamentos heterossexuais.
O termo foi cunhado por Angelica Puzio Ferrara, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Stanford, e recentemente ganhou popularidade nas redes sociais. Apesar do nome ser recente, o comportamento em si está longe de ser novo.
Pesquisas sugerem que esse trabalho emocional invisível pode ser uma das razões pelas quais cada vez menos mulheres solteiras buscam relacionamentos. De acordo com dados do
Pew Research,
apenas 38% das mulheres solteiras nos Estados Unidos estão ativamente à procura de um relacionamento, enquanto entre os homens solteiros esse número salta para 61%.
Isso acontece porque, frequentemente, o apoio emocional tende a ser uma via de mão única:
as mulheres escutam, acolhem, aconselham, organizam e gerenciam as demandas do casal e da família.
Essa carga recai desproporcionalmente sobre elas.
Como aponta Angelica em seus estudos, outro agravante é a redução das redes de apoio emocional entre homens. Nos anos 1990, quase metade dos homens estadunidenses recorria a amigos ao enfrentar problemas pessoais. Duas décadas depois, apenas pouco mais de 20% respondeu o mesmo.
Enquanto as mulheres costumam dividir suas angústias com amigas, familiares e até profissionais, como terapeutas, ainda é socialmente esperado que elas
"maternem"
seus parceiros, gerenciando não só a logística, mas também o bem-estar emocional deles.