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"Estar em paz - onde o amor e a compreensão prevalecem é a melhor coisa que podemos ter no nosso dia a dia"

O cotidiano da família Pereira tem uma forma simples e delicada, traduzindo um novo olhar para a vida e seus afluentes: maternidade, amor, saudade, fé, felicidade e recomeços.  


Bruna Taiski em 25 de dezembro de 2019 - 18h00
Anderson, Juliana, Helena e o pequeno Heitor – muito aguardado por toda família. (Foto: )

Uma das realidades mais importantes da vida de cada um de nós é a família: a família de que proviemos, a família em que vivemos, a família que gostaríamos que nossos filhos constituíssem. A raiz do que acabamos de elencar é o casal. O casal não acontece sem empenho. A escritora, Lya Luft, já dizia: casal feliz é aquele em que ele e ela se escolheriam novamente, a cada dia.


Os empresários Juliana Zonta Pereira, 36 anos, e Anderson Luís Pereira, 40 anos, vivem esta virtude. Para eles, o casamento também é uma conquista diária, onde a admiração move a vontade de continuar a conhecer cada vez mais o outro, e assim, apaixonar-se todos os dias, pela mesma pessoa.


Sabe aquelas histórias que nos inspiram a viver um grande amor? Que logo sentimos vontade de abraçar quem amamos e dizer ‘Ainda bem que eu tenho você na minha vida’? Bom, é sobre isso que iremos contar... Não hesite em demonstrar seus sentimentos até terminar de ler a matéria de capa desta edição, a fascinante história da família Pereira.


DOCE, DEDICADA E DECIDIDA!


 Juliana é natural de Araçatuba, interior de São Paulo, filha de João Mauro Zonta - pai dedicado e presente, e Iracema Fávaro Zonta - “uma italiana forte, ‘como uma rocha’”. Morava com os pais e a irmã Luciana em uma casa de quintal extenso, cheio de memórias boas da infância.


“Tive uma infância deliciosa, haviam muitas crianças na vizinhança e brincávamos no nosso quintal. Meu pai era comerciante e tínhamos uma fábrica de calçados no fundo da nossa casa - muito participativo, ele entrava na brincadeira; a minha mãe era do lar e também nunca ligou pelo fato de sempre ter gente em casa”.


“Lembro que todos os meus colegas queriam fazer trabalho de escola lá, porque ela fazia bolos e doces. Meus pais moram na mesma casa até hoje, tanto que quando vamos para lá nossa filha Helena se diverte - o quintal é enorme”.

Formada em Administração de empresas no Centro Universitário Toledo, UniToledo, no ano de 2016, Juliana não aceitava notas menores que dez, passava horas estudando, empenhava-se em todas as atividades acadêmicas - havia um motivo maior para o seu esforço.


 “Meus pais pagavam a minha faculdade, e por isso eu a valorizava muito. Quando meu pai foi diagnosticado com depressão, consegui um estágio e passei a pagá-la sozinha. Eu me dedicava muito e quando me formei recebi o Prêmio de Mérito Acadêmico. Um reconhecimento ao esforço do aluno destaque do curso”.


COMPANHEIRO E PRESTATIVO


Próximo a virada dos anos oitenta, em 1979 e também em Araçatuba, nascia Anderson, um virginiano nato - ligado ao equilíbrio, excelência e organização. O pai Joaquim Januário Pereira é contador aposentado e a mãe Nizete Pereira é uma talentosa artesã. Assim como a família de Juliana, os pais vivem até hoje na mesma casa em que ele e os irmãos André, Andrea e Andressa, cresceram.


“O quintal também é grande, e na época haviam plantações de seriguela e de goiaba; e ali era nosso recanto de brincar...Onde fazíamos cabanas e subíamos nas árvores. Na frente de casa também tinha um campo de futebol onde passávamos o dia todo brincando de futebol e skate”.


Os amigos que compartilhavam as marcas de ‘ralado’ dos galhos da goiabeira, e as cicatrizes das quedas de skate, ainda seguem na vida do Anderson, afinal, o tempo não os afastou, só consolidou a bela amizade que cultivaram.

“Hoje é raro ver pessoas conviver e ter contato com os amigos de infância, eu tenho este privilégio, até porque meus pais moram no mesmo lugar. A casa mudou, mas o lugar é o mesmo”.


POSSO SEGURAR SUA MÃO?


Mas como o casal se encontrou? Vamos agora rebobinar a história para 2002. Aos 19 anos de idade Juliana começou a trabalhar na empresa de financiamentos da família de Anderson em Araçatuba, enquanto ele administrava a filial em Penápolis.


O cupido é Andressa - a caçula dos Pereiras - que se tornou uma grande amiga da irmã de Ju, e com sutileza ela os uniu pouco a pouco. “Nós saíamos juntas e eu frequentava a casa dela. Ela estava empenhada em apresentar o irmão, e quando comecei a trabalhar na empresa estreitamos esse laço e criei uma amizade com ele também”.


Meses depois, Anderson retornou para a sede araçatubense e foi conquistando a amada, de maneira romântica...e inusitada. “Ele deixava recadinhos na gaveta da empresa, e quando eu chegava no trabalho já tinha um bilhetinho na minha mesa. Até que um dia - em um dos bilhetes - ele finalmente me chamou para sair”, diz Juliana.


Eles nos contam, trocando olhares, sobre o primeiro encontro. Revivem o momento como se fosse de uns dias atrás...Quem ouve, sente que é um amor renovado, maduro, mas com o mesmo brilho nos olhos dos tempos adolescentes. “Me lembro de tudo, bem nítido. Chegamos ao restaurante, e na hora que descemos do carro ele me perguntou ‘Posso segurar sua mão’? - risos - sentamos, lembro até que pedimos peito de peru com bacon”.


“Me lembro de tudo, bem nítido. Chegamos ao restaurante, e na hora que descemos do carro ele me perguntou ‘Posso segurar sua mão’?
—  Juliana

Como todo relacionamento há suas desavenças - vamos aos fatos, porque nem tudo é perfeito - Anderson e Juliana romperam no segundo ano de namoro.


“Foi como se toda a família tivesse terminado junto, de tão apegados que já estavam. Ficamos um mês sem contato e com na época não tinha WhatsApp, ou era telefone ou e-mail, depois deste tempo ele começou a me enviar e-mails e a me encontrar na igreja”.


“Logo, dei o ultimato: Ou nós reatamos - para casar - ou cada um segue sua vida. De prontidão, ele saiu de onde estava, veio conversar comigo e reatamos o namoro. Foi uma nova era, viajamos bastante juntos, conhecemos novos lugares, nos conhecemos mais e aprendemos a conviver também”.


Em 2008, Ju sonhava mais forte com o casamento, deu até um prazo para ele decidir -e ele decidiu - planejaram o casamento durante um ano, e se casaram no dia 18 de abril de 2009.

“Sempre me preparei para me casar aos 30 anos, coisa de numerologia. Até pedi para ela esperar um pouco, mas não teve jeito. Faltando cinco meses para completar 30 anos eu me casei. Foi no ano dos 30 pelo menos”, diz Anderson, sorrindo.


“Brincadeiras à parte, foi a melhor escolha que fiz na minha vida...Vê-la entrar como noiva no dia, não era meramente Juliana e Anderson casando, e sim um casamento entre famílias. No altar, conseguimos ver o macro, não fixei somente nela mas no olhar emocionado de todos. É o momento que cai a ficha ‘Meu Deus estamos casando mesmo!’”, relembra.


Vê-la entrar como noiva no dia, não era meramente Juliana e Anderson casando, e sim um casamento entre famílias. 
—  Anderson

Anderson abre o coração - não há como não se emocionar com a sensibilidade do momento...Como um abraço pode ter tantos significados, não é mesmo?


“Nós seguramos as lágrimas, mas no abraço dos pais não tem como, é o momento da separação daquele ‘cordão umbilical’ com pai e mãe, é o amor que divide: ‘meu filho agora está indo para uma nova vida’”.


A nova vida começou em Três Lagoas, em 2009, local onde Anderson já residia desde 2003.


Ao mudar-se, Juliana sentiu que o mercado de trabalho a chamava, fez várias entrevistas e passou no teste de uma agência bancária e imobiliária, no entanto, um outro projeto mudou o rumo da sua carreira. Apaixonada por crianças e seus universos, em julho de 2010 abriu a ‘My Toy’ na cidade.


O marido não seria diferente, o espírito empreendedor junto com a vontade de ter mais tempo com a família cresceu em Anderson.


“Trabalhei em uma financeira do grupo Votorantim, depois fui para o ramo imobiliário. Pelo bom trabalho desempenhado no munícipio, recebi a proposta de uma construtora e fui para a cidade de Dourados, nesta época, nossa filha estava bem pequena com um ano e meio”.


“Fiquei sozinha neste tempo, não tinha família aqui na cidade. Era difícil...Ele vinha a cada 15 ou 20 dias, as vezes 30”, lembra Juliana.


A saudade foi mais forte, Anderson voltou com uma proposta ousada e por meio de um amigo, negociou uma unidade de autoescola, em junho de 2016. “Voltei para Três Lagoas com a Autoescola Skina. Foi o meu passaporte de volta para a cidade e para a minha família”.


AMOR QUE SE COMPLETA


Amar é querer o bem do outro sempre, é torcer pelos sonhos e vibrar quando alcançá-los. Amar é simples, leve e libertador. Mas é também aceitar que as pessoas mudam, que são vulneráveis aos acasos da vida e que apesar de tudo isso, o sentimento não muda, porque o amor - você sabe - é imutável.


“Tenho um marido extremamente detalhista e só eu para dar conta! - risos - Ele é muito disposto e dedicado para tudo, e tem um coração gigante, não cabe dentro dele, sempre disposto a ajudar e a compartilhar. A gente conversa muito, e sobre tudo - um não faz uma coisa sem o outro”.


“Eu confesso que estamos com falta de tempo para conversarmos mais, e eu sempre gostei muito de falar...Ele já é mais reservado, tem uma personalidade de excelência. Porém, é um super companheiro”, descreve Juliana.

“Aprendi muita coisa com ele. Ele amadureceu muito como pai, e se dedica muito: acompanha, vai nas apresentações da escola, é lindo ver e presenciar”.


Anderson revela que desde o namoro via Juliana como a mulher da sua vida.

“Não é sobre simplesmente casar com uma pessoa bonita - porque ela é linda - é também sobre ter uma companheira, com a qual eu poderia construir a minha família. Ela é uma esposa e mãe maravilhosa, uma pessoa cuidadora e tem um coração enorme...Por onde ela chega ilumina todo o espaço”.


No entanto, não é só o amor que sustenta uma relação, é a forma de se relacionar que sustenta o amor, por isso, respeito e cuidado fazem parte da relação.


“Casamento não é fácil, mas quando você age com cautela e se identifica, não tem como dar errado. Temos grandes diferenças mas estamos no caminho certo. Minha esposa é minha cara metade, nossa família é a semente que lançamos lá atrás”.


“Penso que para tudo dar certo, precisamos se ancorar em três pilares: Relevância, Excelência e Constância. Se tivermos isso na nossa vida é difícil dar errado. Temos que ser relevantes, sempre, temos que ter excelência no que fazemos e constância, já que está dando certo...continua!”, pontua o marido.


PRESENÇA DE DEUS


Ela é católica e ele evangélico. A felicidade é possível em uma casa com duas religiões diferentes? Eles respondem e demonstram que sim.


Sou do berço católico, conheci o evangelho por um amigo, no momento em que estava longe da minha família em Dourados...Me via muito só, um vazio muito grande dentro de mim. Eu continuava frequentando a igreja lá, todos os domingos nas missas; sempre conversando com Deus - como converso até hoje.  Ele é meu melhor amigo e conselheiro.


“Aceitei o convite desse amigo para conhecer o evangelho e Deus usou meu coração aberto para falar comigo, senti um toque muito especial e me identifiquei, participei de projetos da igreja e me dediquei a ela. Venho crescendo dentro do Ministério, fazem três anos, e hoje sou diácono”, diz Anderson.


“Deus é único e ama a vida, a todo nós. Nós diferimos em religiões, mas ele é um só”, destaca.


Juliana conta que, apesar das dificuldades e aceitação no início, o respeito e a harmonia permanecem na casa. Aceitar as diferenças, é um dos segredos para um casamento feliz e duradouro.


“Não podemos incluir no outro a obrigação de gostar das mesmas coisas. Eu respeito a escolha dele e ele respeita a minha, sem exigências um para com o outro”.


“No começo foi muito difícil - não vou mentir para vocês, mas hoje, com ponderação a gente consegue organizar nossa rotina e aceitar nossas diferenças. Um respeita o espaço do outro”, afirma Juliana.


DÁDIVAS


A casa em reforma entrega...Um novo membro está para chegar. O casal, já tem uma princesa cacheada de cinco aninhos, a Helena. Uma menina esperta, alegre e comunicativa. “Se podemos dizer que uma coisa na nossa vida foi muito bem planejada, foram os filhos. Deus foi muito bom conosco porque nos atendeu na hora que precisávamos...Eu queria viver por completo a maternidade, e consegui aproveitar essa experiência maravilhosa”, diz Juliana.


A notícia da gravidez veio rápida, após três meses de tentativas, os novos papais estavam ansiosos por uma menina, e a vontade deles foi feita. Helena nasceu no dia 08 de abril de 2014, as sete e meia da manhã em uma terça-feira. “É uma benção na nossa vida e não posso nem falar muito que começo a chorar. A gente se dobra, desdobra, redobra, se vira e dá cambalhota para atender essa riqueza que Deus nos deu” - diz a mamãe emocionada, olhando a Helena desenhar nos caderninhos. Com toda a família em Araçatuba, o nascimento foi desfrutado a dois, somente Juliana e Anderson viram a filha nascer.  O momento é relembrado com lágrimas nos olhos.


“É um momento surreal, você pensa... ‘eu fui capaz de fazer isso?’, começamos a analisar a dádiva que Deus nos deu, a perfeição. O nascimento de um filho nos renova! Daria qualquer coisa para voltar naquele dia de novo... E Deus é tão tremendo que agora vivenciarei essa experiência novamente com o Heitor. É só alegria, não tem como mensurar esse momento”, afirma Anderson.


É comum que as meninas mais novas se espelhem na própria mãe para formar sua personalidade, por isso, Juliana trabalha o empoderamento, a aceitação e o amor próprio com a filha. “Como nós temos essa mistura de raças, ela herdou o cabelo todo cacheado, que parece um anjinho e eu sabia...Um dia eu teria que estar preparada para o questionamento que viria: “Porque a mãe tem o cabelo liso e eu o cabelo cacheado?”. E eu sempre converso com ela sobre as diferenças...Coloco laços, fitas e ensino ela a se valorizar, para que ela veja que seus cachos são a coisa mais linda do mundo!”.  Com delicadeza, ela explica sobre diversidade para que Helena possa entender a encantadora miscigenação que a fez assim...Única.


“Sempre explicamos pra ela, que ela é uma mistura do papai e da mamãe e que papai do céu deu um cabelo para cada um, a cor dos olhos, a cor da pele...”


“Eu digo para ela: ‘filha todo mundo fala que o seu cabelo é lindo...Alguém fala que o cabelo da mamãe é bonito?’ ‘Não mamãe’”, conta Juliana - Helena do outro lado do sofá ri.


“Mamãe eu quero o Heitor”, a pequena sobe no colo da mãe e acaricia a barriga. Em breve, eles serão quatro, somando e multiplicando amor e felicidade.


“Ficamos naquela expectativa! Será que é uma menina...Será que é um menino? A Helena queria muito uma irmãzinha também e ficou tristinha...Depois, deixamos a cargo dela a escolha do nome. Ela escolheu Heitor, que é o nome do irmão da melhor amiga dela”, afirma Juliana.


“Anunciamos a segunda gravidez da seguinte forma: reunimos nossa família - nem a Helena sabia - compramos um par de tênis branco e entregamos para ela: “Esse é um presente de uma pessoa muito especial e que mandou te entregar...”. A família já tinha entendido que era um irmãozinho...Foi emocionante”, relembra Anderson.


Estar em paz - onde o amor e a compreensão prevalecem é a melhor coisa que podemos ter no nosso dia a dia. Ter momentos incríveis com a família, boas histórias para contar, distribuir sorrisos e abraços faz com que o futuro seja cheio de lembranças boas - como essas que a Gente contou. “Nós só temos a agradecer, sabe? O quanto Deus é bom para a gente. Temos certeza que vamos curtir demais nossos filhos que são a extensão da nossa família”, finaliza Anderson.


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